Djavanear: 50 Anos de Sucessos
Publicada em 12, May, 2026 por Marcia Janini
Nas noites do último final de semana, 8 e 9 de maio, o Allianz Parque em São Paulo abrigou shows da turnê comemorativa aos 50 anos de carreira de Djavan, um dos grandes nomes da MPB.
Subindo ao palco por volta das 20h45 ao som de "Sina", Djavan e banda trazem o delicioso acento do afoxé baiano para a canção, seguida pelo hit "Eu Te Devoro", na cadência do pop, bem pontuado pela alquebrada bateria de Felipe Alves.
Grooeveira, a swingada "Boa Noite" traz no baixo em doom de Marcelo Mariano (filho de César Camargo Mariano e Marisa Gata Mansa) o grande recurso verticalizador desta melodia, que se alia à bateria cadenciada auxiliando na manutenção do dançante andamento... Digna de menção a performance do trio de metais formado por Rafael Rocha (trombone), Jessé Sadoc (trompete) e Marcelo Martins (sax) em standard, trazendo ainda maior sofisticação à canção. Great!
Para "Cigano" os metais do bombardino na introdução e na ponte entre refrão e estrofe traduzem aura jazzística à cadência ralentada do reggae, em mais um momento brilhante da apresentação, emoldurando com fina elegância o vocal privilegiado de Djavan, de vocalizes e modulações perfeitas em sua singeleza... Amazing!
"Nem um Dia" traz para a urgência da passional letra os acordes solapados da guitarra conduzida por Djavan em junção à guitarra melódica de Torcuato Mariano e a grandiosidade da condução da bateria, em conversões precisas, dialogando com cordas e metais.
Para a descontraída "Miragem" o clarinete simula a tonalidade festiva dos pífanos, permeando com graça a canção. No momento seguinte "Linha do Equador" traz o belíssimo coro introdutório das backing vocals Carol Carolina e Jenni Rocha, denotando a delicadeza dos vocais femininos à canção levemente swingada, permeada com graça pelo sax tenor... Mais um momento todo especial da apresentação!
"Outono" revela a sutileza de uma melodia pautada nas tonalidades calmas do violão de Djavan dedilhado com suavidade em um fado moderno, extraindo acordes de rara beleza aliados aos arranjos sutis do piano que apoiam a riquíssima interpretação vocal em modulações ímpares, para um dos mais celebrados momentos da noite.
Para a instrumental e interativa "Um Brinde", Djavan celebra com seus fãs, coautores da letra da canção, a intimidade de um cantor consagrado com seu público, trazendo o jazz na cadência de uma melodia bem construída, que brinda com propriedade a sinergia palco/ plateia... Amazing!
Após as execuções das emblemáticas "Meu Bem Querer" e "Oceano", em versão voz e violão onde Djavan brilha em inspiradas interpretações, visivelmente emocionado com o carinho dos fãs que acorreram ao estádio cantando em coro uníssono, surge a diferenciada "Lambada de Serpente", que traz nos lindos vocalizes introdutórios e na letra reminiscências, em uma estilizada ciranda, trazendo a aura do campo em uma linda mensagem de simplicidade e beleza. Em rondó, a estrutura melódica traduz toda a leveza e encanto do momento. Great!
Na execução da romântica "Mal de Mim", acompanhada pelas palmas do público, surge mais um bom momento da noite, seguida pela efusiva "Azul" em uma celebração de estilo e graça!
Após mais uma inspirada performance de Djavan em vocalizes e modulações perfeitas para a delicada "Açaí" surge "O Vento", canção composta em homenagem à Gal Costa, com melodia de andamento ralentado, onde o teclado de Renato Fonseca em tonalidade standard traduz em doces acordes atmosfera diáfana de leveza, surgindo como aura, ou mesmo uma lufada de vento em meio à dinâmica da apresentação.
Posterior à execução do grande sucesso "Se..." surge a deliciosa "Me Leve" em um groove bem pontuado pelos acordes do baixo em dub step aliados à bateria em cadenciado constante. Marcando os refrões, a vitalidade dos metais.
Em mais um momento intimista da apresentação, surgindo no diálogo entre o piano de Paulo Calasans e o sax tenor, "Pétala" oscila entre a suavidade da letra e a firmeza e dinâmica do instrumental, trazendo mais um lindo momento da apresentação, seguido pelas execuções dos sambas "Serrado", Fato Consumado" e "Flor de Lis" em medley, para momentos importantes na noite.
Com o sax tenor bem temperado de Marcelo Martins, surge a jazzística "Quase de Manhã", uma canção de melodia fluida, onde as guitarras surgem em cromatismos e glissandos de grande efeito, em intenso diálogo com os metais.
Encerrando a apresentação, a execução de "Seduzir", seguida pelos hits "Samurai" e "Lilás" finalizam magistralmente a noite de celebração, que reserva ainda para o momento do bis as faixas "Um Amor Puro" e a repetição de "Sina", canção que abriu a noite, fechando o feliz ciclo. Great!
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