Bangers Open Air 2026 - 1º Dia
Publicada em 28, Apr, 2026 por Marcia Janini
No último sábado, dia 25 de abril, o Memorial da América Latina em São Paulo abrigou a Edição 2026 do Bangers Open Air, o maior festival voltado às vertentes metal do rock na América Latina, trazendo atrações nacionais e internacionais entre os grandes expoentes do estilo.
Atração do Ice Stage, o Feuerswanz chega trazendo seu metal com inspiração medieval, em melodias de intrincado instrumental, muito peso e figurinos arrojados.
Com a inserção de teclados e violinos suavizando as canções, entre agudos extremos e guturais viscerais a banda traduz à sua sonoridade o delicioso acento galês, trazendo melodias bem construídas e, até certo ponto, descontraída. Performáticos, aliam à sua arrojada performance e indumentária inspiradas coreografias.
Carismáticos brindam o público com a inusitada versão de "Dragostea Din Tei" (O- Zone), também conhecida pela versão em português "Festa no Apê" mostrando um pouco de seu grande carisma e criatividade... Divertidíssimo!
No palco Sun, o Violator realiza uma apresentação pesada, repleta de guturais extremos, cromatismos e glissandos enfurecidos nas guitarras distorcidas e muito, muito peso na bateria e no baixo profundos e ágeis...
Atração do palco Waves, os texanos do Engineered Society Project trazem heavy metal de linhas clássicas, onde bateria, baixo, guitarra e vocal traduzem ao instrumental toda a aura de ousada rebeldia retrô, traduzindo, por vezes, sonoridade um tanto mais moderna...
Na bateria cadenciada e na potência da guitarra, surge a força do perfeito instrumental, apoiando com propriedade o vocal de afinação ímpar de Kris Keyes. Great!
Atração do Hot Stage, o progressive metal de Jinjer traz no metal pesado e na potência vocal da intérprete o grande diferencial da apresentação. Demonstrando uma extensão vocal diferenciada, Tatiana Shmailyuk passeia entre agudos, guturais extremos e rascantes profundos, apoiada pelo forte instrumental, onde a bateria cadenciada e a guitarra potente, explorando tonalidades cavas, traduzem aura tétrica às composições, fundidas à linha melódica em doom explorada pelo baixo. Impactante!
Atração do palco Sun, os paulistanos do Torture Squad trazem vertentes como o death e o thrash metal, com muito rascante e distorções nas guitarras, aliadas ao poderoso baixo em dub e à bateria em cadenciado constante. Explorando agudos viscerais, a front woman Mayara Puertas traduz aura dinâmica à apresentação.
O Killswitch Engage trouxe o metalcore, onde o privilegiado vocal do front man Jesse Leach surge ainda mais brilhante, apoiado pelo instrumental bem temperado da bateria em junção com baixo no contraponto, apoiando a manutenção do andamento além da guitarra furiosa, explodindo entre rascantes intensos e cromatismos precisos. Great!
Encerrando sua passagem pelo palco do festival, a execução em releitura para "Holy Diver" (Dio) arremata com propriedade a apresentação. Em um dos melhores momentos da performance vocal de Leach. Amazing!
O Black Label Society, uma das mais aclamadas atrações, sobe ao palco Hot por volta das 18h00, trazendo seu heavy metal de linhas clássicas, com fortes influências no blues e no jazz.
Para "Funeral Bell" o instrumental firme da bateria de Jeff Fabb mantém o andamento ralentado se aliando ao baixo grooveiro. Explorando tonalidades agudas Zakk Wylde traz em seu vocal fraseado vocal ágil, em uma intrincada composição.
Em explosão dinâmica, com acentos no country rock surge "Name in Blood" de melodia cadenciada, onde a bateria traz conversões perfeitas em meio aos breaks estratégicos de apoio ao refrão. Em riffs altos e rascantes poderosos, evoluem as guitarras rítmica de Dario Lorina e melódica de Zakk Wylde em intenso diálogo. Great!
Ágil, a bateria surge em crescendo na introdução de "Destroy & Conquer" aliando-se perfeitamente ao vocal agudo e poderoso de Zakk Wylde. No contraponto, o baixo em doom de John DeServio traz também um grande diferencial à melodia, denotando profundidade à cadência. Great!
Suavizada, "A Love Unreal" traz andamento ralentado na forte dinâmica de som desenvolvida pela bateria. Em glissandos e cromatismos, Zakk traz mais um excelente momento de sua condução instrumental, onde a guitarra melódica reina soberana, cortando os ares em riffs potentes. Amazing!
Levemente swingada "Heart of Darkness" traz no baixo grooveiro em doom de DeServio o apoio dinâmico necessário à manutenção do andamento, antecedendo a belíssima releitura para trecho de "No More Tears" (Ozzy Osbourne).
Demonstrando um pouco de sua enorme versatilidade como músico, Zakk senta-se ao teclado para a execução da belíssima balada "In This River", em cálida homenagem aos falecidos membros Dimebag Darrell e Vinnie Paul da banda de heavy metal Pantera, extraindo doces acordes, que se somam aos potentes arranjos das guitarras. Amazing!
Atração do palco Sun, a clássica banda de thrash metal teutônico Tankard, uma das quatro principais expoentes do movimento regional thrash metal alemão na década de 1980, traz suas dinâmicas melodias no melhor estilo drunk, levantando o público e abrindo rodas de pogo já no início de sua apresentação.
Em "One Foot in the Grave" a bateria de Gerd Lücking em cadenciado dinâmico evolui para o frenético e ensurdecedor galope dos tambores, se aliando à guitarra rápida em afinação padrão e forte distorção. O baixo de Frank Thorwarth, no contraponto, apoia a manutenção do andamento... Bom momento da apresentação...
Ágil no andamento "Rapid Fire" traz mais uma explosiva performance do band leader e vocalista Andreas Geremia. Frenético, o andamento da melodia traz na agilidade da guitarra de Andy Gutjahr toda a versatilidade e técnica desse exímio músico na cadência do speed metal, em dedilhados complexos e palhetadas vigorosas, no intenso diálogo com a bateria marcante e o baixo contundente. Amazing!
Surgindo como um petardo sonoro na escuridão da noite, o In Flames literalmente incendiou o público com o death metal melódico de suas composições, onde ao instrumental dinâmico e intensamente pesado da bateria de Jon Rice em afretados intensos, aliado ao poderoso baixo em doom de Liam Wilson e aos rascantes das guitarras, se une o vocal poderoso em guturais e agudos viscerais, repletos de modulações perfeitas para o incrível vocal de Anders Fridén explorando drives em tonalidades potentes.
Trazendo elementos extraídos do nu metal em sintetizadores furiosos, o peso dinâmico no diálogo intenso entre a guitarra melódica de Niclas Engelin e rítmica de Björn Gelotte surge bem pontuado pelo baixo, fazendo da junção synth/ cordas o grande mote desta melodia, apoiando magistralmente o poderoso vocal. Amazing!
Encerrando as apresentações do Hot Stage, um dos palcos principais, mais uma importante banda no estilo death metal melódico, o Arch Enemy inicia sua apresentação a partir das 20h40, com a adoção de guitarras frenéticas e bateria ágil, apoiando o poderoso vocal da front woman Lauren Hart em excelente forma, extraindo de guturais extremos a agudos rascantes com extrema destreza e técnica.
Para "The World is Yours" guitarra em riffs alucinantes se une à bateria de Daniel Erlandsson em cadenciado constante e conversões nada óbvias, em uma melodia arrojada e ousada... Inusitada a linha de baixo de Sharlee D'Angelo em dedilhados claros de extrema complexidade traduz diferencial à melodia. Na finalização, sampler de teclados em suavidade traduzem leve influência no erudito, em meio ao instrumental forte. Amazing!
Para "Dream Stealer" o andamento frenético e alucinante do instrumental se alia com perfeição ao vocal soturno de Lauren Hart em drives e rascantes de grande complexidade dentro da estética do metal extremo. Visceral... A guitarra melódica de Michael Amott e a guitarra rítmica de Joey Conception explodem em rascantes de notas encadeadas com alto grau de complexidade, em impactante correspondência. Na ponte entre estrofe e refrão, a bateria cadenciada abre espaço para o apoio certeiro ao vocal em crescendo de Lauren. Momento especial da apresentação! Riffs de notas encadeadas das guitarras em cromatismos emolduram com propriedade a finalização... Great!
Mais uma banda clássica a se apresentar no festival, o Onslaugh encerra as apresentações do palco Sun, trazendo o thrash metal em melodias que trazem bem pontuadas a guitarra, a bateria e o baixo.
Em rascantes vibrantes, as guitarras de Nige Rockett, Andy Rosser-Davies e Leigh Chambers evoluem para dedilhados em cromatismos intensos, denotando um colorido todo especial à melodia de Steel Meets Steel". Em dub step, o baixo se alia firmemente à bateria cadenciada, apoiando o forte refrão, onde o front man Sy Keeler explora agudos intensos.
No melhor estilo thrash com acentos de power metal, a melodia de "Metal Forces" apresenta a bateria de Mic Hourihan cadenciada em crescendo no refrão, baixo de Jeff Williams no contraponto e guitarras em rascantes vigorosos, explorando a agilidade do andamento desenvolvido pelo forte instrumental. Em uma performance arrebatadora Sy Keeler traduz aos seus vocais a eterna magia da ousadia thrash... Great!
Pesados e dinâmicos, o Onslaught lança um petardo após o outro. Evoluindo em cascatas de puro som, a bateria de Hourihan segue afretando em junção com a perfeita guitarra de Rockett em solapados, trazendo suave sincopado na porção média de "Killing Peace". Mais um momento intenso e dinâmico do show.
Uma das grandes precursoras do metal brasileiro nos anos 1980, a banda mineira Overdose encerra o primeiro dia de festival no palco Waves, localizado no Auditório Simón Bolívar, trazendo seu instrumental clássico e ao mesmo tempo atemporal, atravessando gerações em pura sonoridade e atitude heavy.
Na introdução de "Rio, Samba e Porrada no Morro" a batida firme do maracatu se mistura ao samba e à nordestina latada, em uma referência clara à brasilidade.
Para "My Rage" vocais extremos de Pedro Amorim (o "Bozó") em modulações técnicas, explorando o gutural e o rascante se aliam ao instrumental forte... Esparsos elementos da sonoridade hardcore surgem no cadenciado da bateria e no baixo em doom de Fernando Pazzini. Em intenso diálogo a guitarra rítmica de Claudio David e melódica de Sérgio Cichovicz determinam o tom ágil da melodia.
Em aliterações na introdução, a bateria de André Marcio traz sonoridade diferenciada em diminuendos nas conversões ao refrão de "Progress of Decadence". Potentes, as guitarras de riffs encadeados de Claudio e Sérgio surgem em interessante e sincopado diálogo, apoiando a estudada dissonância a seguir, onde surgem fora da curva melódica desenvolvida pela bateria num recurso interessante, que nos conduz ao refrão marcante, com suaves influências no punk rock.
"Children of War" na cadência frenética e alucinante do power metal, bem pontuada pelas guitarras rascantes e pela bateria em cadenciado constante, surge trazendo mais um importante momento da apresentação e da firme performance vocal de Bozó.
Rompendo paradigmas para a época de sua composição "How to Pray" traz roupagem diferenciada, com vários elementos modernizadores, antecedendo a tendência do flerte entre metal e música pop. Cheia de breaks estratégicos que apoiam a firmeza da letra e com a adoção de crossover nos vocais do refrão, o que só viria a ser tendência cerca de uma década depois, a melodia mostra todo o enorme carisma, criatividade e ousadia destes grandes músicos. Amazing!
Trazendo a influência do nordestino maracatu com um quê de Alceu Valença, "João Sem Terra" determina mais um ousado momento na apresentação. A letra ácida e repleta de crítica social também denota a atemporalidade da composição. Genial!
Assim termina o nosso resumo do primeiro dia do Bangers Open Air, que apresentou, além das aqui descritas, muitas outras atrações ocorrendo simultâneamente, pelos quatro palcos do festival. Até breve, caro leitor, com a cobertura do segundo e último dia... Nos "lemos" por lá!
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