Bangers Open Air 2016 - 2º Dia
Publicada em 29, Apr, 2026 por Marcia Janini
Na tarde do domingo, 26 de abril, o Memorial da América Latina abrigou o segundo dia do Bangers Open Air, um dos maiores festivais dedicados às vertentes metais do rock na América Latina.
Atração do palco Sun, a banda sueca Crazy Lixx chega por volta das 15h20 trazendo seu rock pautado nas linhas do hard rock clássico, para "Rise Above" onde as guitarras de Chrisse Olsson surgem rápidas, com cromatismos extraídos em dedilhados de extrema agilidade e grande técnica. Bateria em cadenciado constante acompanha os riffs das guitarras, mantendo o andamento, tendo o baixo firme de Jens Anderson como apoio no contraponto.
Em "Whiskey Tango Foxtrot" mais uma canção descontraída trazendo um pouco do melhor do hair metal. Cadenciada, afretando nas conversões, a bateria de Robin Nilsson explora criativamente os breaks, apoiando a força do refrão. Em glissandos, as guitarras distorcidas trazem suavidade ao instrumental fluido. Great moment!
Para "Never Die (Forever Wild)" mais uma canção hard/heavy mantém a deliciosa aura clássica por meio do afinadíssimo backing vocal dos músicos, nos remetendo a um momento já distante, denotando sua influência 70's/ 80's em meio a recursos modernizadores do instrumental, onde as guitarras solapadas em síncope se aliam à bateria bem marcada e aos slides prolongados das guitarras. Great! Digno de menção o carisma e a técnica vocal do front man Danny Rexon de timbre diferenciado, explorando notas altas em modulações precisas.
Atração do palco Waves, o metal feminino das garotas do Malvada chega trazendo o peso da guitarra rascante de Bruna Tsuruda em meio à bateria cadenciada de Juliana Salgado para "Dead Like You" uma canção de letra urgente, com o brilho do vocal de Indira Castilho explorando notas altas nas finalizações.
Trazendo aliterações em diminuendo na bateria, que se alia ao baixo grooveiro de Rafaela Reoli, num gostoso swing "Veneno" traz dissonâncias interessantes e um leve toque da brasilidade do baião nordestino no andamento alquebrado. Ousado e diferente!
Atração do palco Ice, os veteranos do hard/glam Winger chegam ao som de "Stick the Knife In and Twist" para na sequência levantar o público ao som do clássico "Seventeen", onde a dinâmica firme das guitarras de Reb Beach e John Roth surgem encadeadas em riffs inspirados.
"Down Incognito" traz mais uma canção marcante, onde o peso das guitarras rascantes se alia à bateria cadenciada de Rod Morgenstein apoiando o vocal de Kip Winger, que explora tonalidades ácidas em drives complexos, ladeado pelo afinadíssimo backing vocal dos músicos.
Após a execução do hit "Miles Aeay", surge a swingada "Rainbow in the Rose" trazendo o acento jazzístico dos anos 70 de maneira charmosa... Bom momento do show!
Além de outros sucessos, a execução da balada "Headed for a Heartbreak" marca um importante ponto da apresentação do Winger, com intensa participação do público presente. Em cromatismos de notas encadeadas na finalização, a guitarra rítmica de John Roth apoia-se nos rascantes da guitarra melódica de Reb Beach, que aliadas à bateria cadenciada e ao baixo contundente, trazem mais uma composição temperada, onde suavidade e técnica ditam a tônica.
Descontraída, a dinâmica "Easy Come Easy Go" traz no teclado o grande diferencial, seguida por "Madalaine" mais uma canção na cadência hard/heavy, trazendo a aura rock dos anos 80 nos arranjos simples das guitarras em afinação padrão e distorção leve, com direito à slides e glissandos nas pontes entre estrofe e refrão. Atemporal!
Atração do palco Hot, a dupla Smith/Kotzen formada por Adrian Smith (Iron Maiden) e Richie Kotzen (The Winery Dogs) chega trazendo forte instrumental com todo o peso e fúria do heavy de linhas clássicas na execução de "Life Unchained" uma canção que traz o perfeito diálogo técnico entre guitarra melódica e rítmica, permeados pelo baixo em dub step da talentosa baixista Julia Lage. Mantendo a cadência constante e o andamento, a bateria de Bruno Valverde traz conversões inteligentes, explorando agilidade na condução. Great!
Para "Black Light" uma melodia com inspiração no soft rock, com esparsos elementos country, surge a bateria alquebrada de andamento ágil, em meio aos cromatismos e glissandos da guitarra de Richie Kotzen, permeados pelo baixo blueseiro. Descontraído o vocal de Adrian Smith remete à aura de ousada liberdade do estilo.
Em "Wraith" uma canção de letra introspectiva com influências no blues, surgem os afretados da bateria de Valverde em tribal na porção média da canção, apoiando o diálogo forte das cordas que exploram suaves e geniais dissonâncias. Great!
Após a execução do sucesso "Blindsided" no inspirado dueto vocal e instrumental entre a dupla Smith/ Kotzen, surge "Taking My Chances" uma canção pautada no heavy de linhas clássicas...
Para "White Noise" surge mais um momento especial da apresentação na sonoridade do power metal, onde o reforço de bass em tonalidades graves determina toda uma dinâmica diferenciada à melodia, contrastando com a suavidade aguda das guitarras. No contraponto, o baixo blueseiro de Julia Lage realiza o perfeito contraponto... Amazing!
Atração do palco Ice, o Within Temptation chega por volta das 18h15, trazendo o symphonic metal com o uso de sintetizadores, teclados, instrumentos voltados à música erudita e o vocal personalizado de Sharon den Adel uma mezzo-soprano de incrível alcance vocal e grandes recursos técnicos.
Após a execução de "We Go To War" surge a delicada introdução de "The Howling (clássico que não constou das apresentações da banda desde o ano de 2016) no teclado de Vikram Shankar em tonalidade órgão, evoluindo para som tétrico e dissonante das incrivelmente pesadas guitarras e do baixo de Jeroen van Veen em profundidade. Dinâmica e firme, a bateria explora em seu cadenciado constante as tonalidades graves, trazendo grande dinâmica à composição.
Após a execução de "Stand My Ground" surge "Bleed Out" uma canção de andamento ágil, trazendo elementos esparsos do hardcore na linha melódica adotada pela bateria de Mike Coolen, em cadenciado constante. Breaks estratégicos abrem espaço para a sonoridade tétrica das guitarras de Stefan Helleblad e Ruud Adrianus Jolie nos refrões, finalizando com os acordes etéreos dos teclados. Amazing!
Trazendo vocalizes de rara beleza, explorando o canto erudito na introdução de "Ritual" a vocalista Sharon den Adel apresenta um pouco de seu enorme talento e carisma, encantando os presentes com modulações perfeitas em seu timbre suave e aveludado. Amazing! No instrumental, aura de mistério surge nas tonalidades melífluas exploradas pelos teclados de Shankar na melodia, se aliando às guitarras em solapado e à bateria em dobres lentos. Delicado e diferenciado, apoiando a urgência da letra na magistral interpretação de Sharon.
Trazendo na íntegra o álbum Rebirth, que comemora 25 anos de seu lançamento, o Angra chega cheio de energia ao palco Hot, ao som da icônica "Nothing to Say" interpretada com vigor por Alírio Neto, reunindo membros da Formação Nova Era para essa grande celebração.
Na sequência, toda a suavidade da balada "Tide of Changes - Part II" trazendo o potente vocal do italiano Fabio Lione, apoiado pelo firme instrumental da bateria de Aquiles Priester em cadenciado constante e guitarras em cromatismos de grande complexidade e rara beleza. Suaves, as variações dinâmicas trazem deliciosas dissonâncias no segundo movimento da canção, que traz no baixo de Felipe Andreoli em solapado, elementos do nu metal em uma criativa e ousada composição, que flerta suavemente com o pop. Arrojado!
Apresentando elementos característicos do progressive metal, com grandiosa introdução baseada na música erudita, "Lisbon" traz em meio à perfeição instrumental dos teclados a dinâmica e o vigor fortes da bateria cadenciada, mantendo o andamento ralentado. Palhetadas vigorosas em rascantes curtos e encadeados da guitarra rítmica de Kiko Loureiro se unem aos cromatismos da guitarra melódica de Rafael Bittencourt, permeados pelos doces acordes do teclado, trazendo o pano de fundo perfeito ao privilegiado vocal de Lione. O baixo de Andreoli, cortante, surge no contraponto, auxiliando a perfeita manutenção do andamento ralentado desenvolvido pela bateria. Amazing!
Trazendo a ciranda nordestina em rondó, explorando a brasilidade na introdução, a melodia de "Vida Seca", evolui para movimento similar ao do martelo alagoano. Fundindo-se ao metal, a partir do segundo movimento, o cadenciado da bateria traz características que rementem ao dark wave, explorando tonalidades cortantes, secas e ágeis, para na variação seguinte do próximo movimento aliar baião e sinfonia numa finalização criativa, técnica e surpreendente! Great song!
Em seguida, Alírio Neto realiza sua versão mais que inspirada para a releitura do clássico "Wuthering Heights" (Kate Bush).
Nesta histórica apresentação, trazendo uma das mais aclamadas formações da banda, o Angra mais uma vez demonstra todo o seu enorme talento, ousadia e carisma, entregando aos seus fãs uma apresentação em tudo perfeita e bem cuidada... Memorável!
Dirkshneider (Udo, ex-Accept) e banda, atração do palco Sun trazem o grande hit "Balls to the Wall", que completa 40 anos de seu lançamento, e vários outros sucessos do Accept. Nota para o baixo de Peter Baltes no contraponto, puxando as palmas do público. Momento lindo de se ver e registrar!
Mais uma canção dos primórdios do heavy, London Leatherboys traz a deliciosa aura retrô repleta de atitude que fez desse um dos estilos mais queridos dentre as vertentes do metal, traz as indefectíveis guitarras de acordes encadeados de Dee Dammers e Alen Brentini em distorção e a potência do agudo vocal de Udo, apoiados pela bateria em cadenciado constante.
Ágil em solapados, a sincopada "Fight it Back" chega trazendo riffs altos das guitarras distorcidas em meio à constância da bateria de Sven Dirkschneider em condução firme. Em doom, o baixo traz o apoio à dinâmica das cordas, reforçando os graves, de forma que a guitarra melódica de Dee Dammers reina absoluta em cromatismos nos refrões. Mais um grande momento da apresentação!
Denotando rascantes no baixo para o grande hino metal "Head Over Heels" acompanhado em uníssono pelos fãs, surge mais um belo e festivo momento da passagem de Dirkschneider pelo festival. Great!
"Love Child", outro grande clássico, é executada, trazendo o melhor do espírito hard/heavy dos anos 80. Amazing!
Com guitarras rascantes evoluindo em cascatas sonoras, apoiadas pela bateria em cadência constante "Turn Me On" chega trazendo aura de descontração, seguida por "Losers and Winners".
Udo brinda a todos com a balada "Winterdreams", em uma inspirada performance. Digna de menção a participação precisa do baixo de Peter Baltes, explorando dedilhados firmes, apoiando as guitarras delicadas. Amazing!
Após breve pausa, "Princess of the Down" ganha os ares, indicando a proximidade do término da explosiva apresentação de Dirkscheider, encerrada com brilhantismo ao som de "Burning".
Os suecos do Ambush encerram a noite no Auditório Simon Bolívar, ao som de "Evil in All Dimensions" seguido por "Maskirovka" na cadência do heavy clássico, trazendo o vocal privilegiado de Oskar Jacobsson que adota tonalidades altas em uma explosão de energia de modulações perfeitas. Firmes, as guitarras Flying V de Olof Engqvist e Karl Dotzek trazem cromatismos intensos.
Para "Possessed By Evil" a bateria de Linus Fritzson em cadenciado apoia as guitarras em crescendo, trazendo velocidade e dinâmica ao andamento da composição. Great!
Ágil no frenético andamento desenvolvido pelo instrumental, "Heading East" traz mais um momento intenso na apresentação, com grande participação do público. Traduzindo a sonoridade inspirada no hard/heavy 80's, a canção evolui em intensas variações dinâmicas.
Para "Come Angel of Night" baixo de Ludwig Sjöholm em doom na introdução traz tonalidades urban à composição, que em crescendo se corresponde com os rascantes das guitarras em distorção... Cadenciada, a bateria de Fritzson mantém o andamento ralentado da melodia, que flerta suavemente com o pop. Bom momento da apresentação!
E assim terminou a edição 2026 do Bangers Open Air, contabilizando mais de 20 horas em dois dias de puro rock, dispostos em quatro palcos por onde se apresentaram mais de 40 bandas, entre elas "Evergrey", Korzus", "Primar Fear", "Amaranthe", "Nevermore", "Chaos Synopsys" e algumas outras, para um público de aproximadamente 35 mil pessoas.
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