Symphony X: 30th Anniversary Tour em São Paulo
Publicada em 23, Mar, 2026 por Marcia Janini
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Na noite de sexta-feira, 20 de março, o Symphony X, realizou mais uma apresentação no tour comemorativo do aniversário de 30 anos da banda no Tokio Marine Hall, em São Paulo.
Abrindo a noite, o guitarrista colombiano Andy Addams e banda trazem seu virtuosismo em canções que celebram o heavy metal em suas vertentes instrumentais, onde o trio de exímios músicos encanta os presentes com o preciosismo de sua condução instrumental, sem a necessidade de vocais ou letras elaboradas, trazendo melodias inspiradas em arrojadas performances.
"Everlasting Faith", seguindo as linhas do speed metal, apresenta grande agilidade nos glissandos e cromatismos da guitarra, permeada com charme e firmeza pelo baixo de Elizabeth Schembri em doom... Em alternâncias e variações dinâmicas profundas, a bateria de Chucho Romus segue entre cadenciados e pontes de andamento frenético.
"Piedra del Fuego" traz a cadência e o andamento alucinantes do speed metal, que cresce em qualidade por meio de paletadas vigorosas da guitarra, evoluindo para o cromatismo em dedilhados de extrema complexidade e valor estético, traduzindo uma melodia dinâmica, bem construída e potencialmente criativa. Great! Na ponte entre as estrofes, acordes extraídos do progressive em minimal rendem-se ao peso de elementos de sonoridades como o trash e o heavy metal.
Finalizando a rápida passagem da banda pelo palco, um inspirado medley trazendo clássicos do rock como "Separate Ways" (Journey), "Under the Glass Moon" (Dream Theater) e a inusitada junção com soundtracks de animes "Saint Seiya" e "Dragon Ball Z" trazem técnica, versatilidade e descontração.
Subindo ao palco às 22h00, o Symphony X chega trazendo o hit "Of Sins and Shadows" uma míni suíte repleta de variações dinâmicas sobre a tétrica ambientação com influências da sonoridade do baixo medievo, com estilizado cantochão no coro de vozes afinadíssimo da introdução. Em crescendo a bateria evolui em ritmo frenético, apoiando a força do refrão e a guitarra em aliterações, traduz toda a fúria e potência de um instrumental poderoso.
Em rascantes ágeis entremeados pelos teclados poderosos de Michael Pinnella, explorando sonoridades etéreas, surge "Sea of Lies", uma canção que traduz em seu cerne elementos da sonoridade progressiva, onde os teclados em minimal e em acordes sequenciais traduz toda uma aura de leveza ao forte instrumental. Ao apelo do refrão, forte, o público interage positivamente, em uníssono... Grande momento da noite!
Na introdução de "Out of the Ashes" estudadas dissonâncias em ritornellos e diminuendos traduzem ousadia para a dinâmica composição, que traduz peso, vitalidade e arranjos diferenciados, tudo em junção com a bateria frenética. No vocal, Russell Allen brilha em modulações intensas.
Para a aguardada execução de "The Accolade" uma canção que traz em seu bojo elementos celtas nos arranjos delicados dos teclados, aliados à pujança da bateria de Jason Rullo em conversões precisas e variações dinâmicas intensas, surge mais um momento todo especial da apresentação. Com inspirados vocalizes na finalização, a peça explora momentos de rara beleza, denotando um pouco do enorme carisma e personalidade da voz de Russell.
Cantando praticamente à capella, com o apoio suave apenas do teclado, Allen na introdução à "Smoke and Mirrors" traz a beleza romântica das canções pastoris, numa ambientação onde o clássico e o contemporâneo se fundem em um todo excepcionalmente harmônico, onde a delicadeza contrasta com a firmeza e a dinâmica poderosa do metal, em rascantes e solapados da guitarra, no baixo contundente de Michael LePond e na bateria em frenético andamento. Amazing!
Para a ágil e certeira "Evolution (The Grand Design)" já na introdução a canção mantém a constância do andamento frenético, mesclando elementos do power/ heavy metal à excertos extraídos de sonoridades como o doom, o speedy e o progressive metal, em uma junção perfeita e criativa, denotando peso, visceralidade e suavidade na medida certa... Great!
Trazendo os suaves teclados introdutórios de Pinnella em progressão na introdução, aliados ao firme posicionamento cadenciado da bateria e aos dedilhados intensos e solapados da guitarra, tendo o baixo de LePond no contraponto, a suavizada "Communion and the Oracle" traduz na cadência os elementos do progressive/ folk, com mais um momento todo especial dos poderosos cromatismos da guitarra, apoiando o vocal de Russell Allen em modulações perfeitas e complexas, que explora tonalidades altas com naturalidade, técnica e precisão, em um dos mais marcantes momentos de sua performance. Amazing!
Frenéticos, os dedilhados introdutórios cheios de vigor da guitarra de Michael Romeo aliados ao teclado de Pinnella, unem-se à bateria em poderosa condução, afretando nas finalizações e explorando sonoridades difusas com grande propriedade para "Inferno (Unleash and Fire)".
Explorando o heavy de linhas clássicas com efeitos modernos, "Nevermore" traduz à dinâmica da apresentação mais um explosivo instante...
Após breve pausa, a banda retorna ao palco apresentando seus virtuosos integrantes interagindo um pouco com seus fãs... Após agradecimentos e momentos de pura descontração, o Symphony prossegue com a apresentação ao som de "Without You", uma balada levemente sensual, com charmosas dissonâncias no refrão, que evoluem para o intenso diálogo entre a guitarra de Michael Romeo e o baixo em arranjos de acordes encadeados. Em meio à rascantes e dedilhados de extrema agilidade surge o privilegiado vocal de timbre aveludado de Russell, em mais um bom momento do show.
Pesado, em cadência cava de sonoridade tétrica, apoiando as guitarras altas em glissandos profundos, a bateria de Jason Rullo dita a tônica do andamento ralentado de "Dehumanized" uma canção que apresenta bom diferencial na linear apresentação, trazendo mais uma incrível performance dos vocais de Allen, em alternâncias e modulações ousadas, de grande técnica e potência.
Para "Set the World on Fire", surge mais um momento de furor, elevando o clima da apresentação com muito peso, energia e performances primorosas dos integrantes da banda, numa entrega total à música e ao seu público. Frenética no andamento determinado pela bateria, contundente na linha melódica do baixo em doom aliada às guitarras em riffs profundos de rascantes e solapados intensos, permeadas com graça pelo teclado, emolduram o vocal latente e grandioso, encerrando a memorável apresentação.
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