C6 no Rock - 2º Dia
Publicada em 27, Aug, 2026 por Marcia Janini
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Iniciando as apresentações do segundo dia do C6 no Rock no Parque Ibirapuera em São Paulo, o Ira sobe ao palco às 14h15 para executar na íntegra o álbum "Vivendo e Não Aprendendo" de 1986, iniciando pela clássica faixa "Envelheço na Cidade".
Na sequência "Casa de Papel" traz letra reflexiva, para a fusão entre o punk rock de primeira geração e elementos do rockabilly. Frenéticas, as evoluções da bateria determinam as variações dinâmicas, apoiando a fúria das guitarras distorcidas e o baixo contínuo no contraponto. Great!
Em "Dias de Luta" surge mais um importante momento da apresentação, com um bom momento da performance vocal de Nasi e sua sinergia com o público. A bateria, alternando entre afretados e marcha marca o ritmo, apoiada pelo baixo contundente em doom.
Para "Tanto Quanto Eu", o rockabilly 60's surge com sua bateria em agil cadenciado e precisas conversões, aliada à guitarra em tonalidade banjo e aos teclados vaudeville, em um dançante e descontraído instante da apresentação... Great!
Em "Vitrine Viva" surge o baixo grooveiro e a bateria cadenciada, mesclando elementos de soul e street ao rock... Cadenciada a bateria traduz elementos do punk, para a inusitada fusão de sonoridades tão distintas, apoiado pelas guitarras em distorção. Great!
Para a clássica "Flores em Você", a sonoridade dos violinos surge representada pelo firme dedilhado dos violões... Em mais uma interpretação cativante, Nasi traz o público para entoar em uníssono os versos da canção.
Na faixa título "Vivendo e Não Aprendendo", uma canção suavizada, surge mais um grato momento de reminiscências, seguido pela dinâmica "Nas Ruas Em Que Me Sinto Bem" onde o punk rock traz o despojamento de elementos do soul 70's, influenciando o fraseado vocal firme e potente de Edgard Scandurra, em um dos melhores momentos da passagem da banda pelo palco do festival. Solos das guitarras nas conversões em potentes rascantes apoiam o marcante refrão.
Após a apresentação da ácida "Gritos na Multidão", um dos grandes hits da carreira da banda, surge a linda "Tarde Vazia" em uma das mais belas e significativas letras dos anos 80, trazendo mais um ponto alto do show e do marcante vocal de Nasi.
Literalmente flertando com o pop rock, surge a suavizada "Flerte Fatal", canção de safra mais recente, que traduz elementos de influência na sonoridade da banda como o rockabilly, o country e o soul, marcando mais um bom momento da apresentação. De refrão forte e facilmente assimilável, a canção surge como uma canção clássica em escalas de composição, sem entretanto abrir mão da moderna contemporaneidade na fusão com esparsos elementos da moderna MPB nos dedilhados precisos das guitarras e no cadenciado firme da bateria... Amazing!
Dinâmica, "Rubro Zorro" em sua epopéia musical onde o fraseado vocal de Nasi narra as aventuras do anti-herói, é apoiada pelo instrumental cadenciado de guitarras em dedilhados fluidos, dialogando com o teclado de acordes minimal, traduzindo alta carga de dramaticidade à canção, que remonta à épicas canções do iê-iê-iê 60's. Amazing!
Mais uma canção de safra recente, originalmente gravada com a cantora Pitty, "Eu Quero Sempre Mais" surge na deliciosa cadência do soft rock, com elementos country nos cromatismos das guitarras e letra suave, introspectiva.
Finalizando sua passagem pelo festival, "Núcleo Base" chega incendiando o público.
Subindo ao palco às 15h45, a Blitz chega trazendo "Todas as Aventuras da Blitz" na íntegra...
Evandro Mesquista chega trazendo a clássica "Vai, Vai Love", primeira canção lançada pela banda nos idos de 1982, na cadência gostosa da soul disco 70's em fusão com o carioca samba de morro nos tamborins e no andamento malemolente... Mais carioca impossível...
Trazendo um country/blues com Mesquita na gaita de sopro (harmônica) aliada aos teclados em vaudeville do piano na introdução, "Vítima do Amor" traz o descontraído jeito brasileiro de fazer rock, aliado à letra satírica... Trazendo o lado popular para a melodia, o coro das backing vocals auxiliam na ambientação despojada da canção.
Em "O Beijo da Mulher Aranha", uma canção pautada no cancioneiro popular nacional 70's das rádios AM, onde o rockabilly se alia na melodia a elementos de sonoridades latinas como o bolero e à letra divertida, surge mais um divertido instante do show.
Trazendo a influência no iê-iê-iê nacional e no surf rock da Jovem Guarda, "Volta ao Mundo" faz alusão direta a este movimento musical, no andamento ralentado e no fraseado vocal declamatório da composição, para a divertida letra.
Em "O Romance da Universitária Otária", mais uma canção de letra satírica na cadência marcante do country rock, surge mais um grande sucesso, seguida pelo reggae estilizado de "De Manhã (Aventuras Submarinas)".
Na sequência, a reggaeira "Totalmente em Prantos" traz a fusão com o jazz do piano em acordes standard e o fraseado vocal crooner de Evandro, acompanhado pelas backing vocals, traduzindo mais momentos de descontração e ousadia à apresentação.
"Cruel, Cruel Esquizofrenético Blues" na cadência do blues clássico, repleta de breaks estratégicos apoiando a força satírica da letra no fraseado vocal ralentado de Evandro Mesquita, traz mais um importante momento da apresentação.
Para "Ela Quer Morar Comigo na Lua", uma canção na cadência do rockabilly clássico, surge a junção das enfurecidas guitarras em precisos cromatismos aliadas ao baixo em doom no contraponto. A bateria, cadenciada e constante de andamento ágil dialoga com a suavidade dos teclados, que trazem leveza à composição. Amazing!
Chamando ao palco Fernanda Abreu, para o clássico dueto de "Mais Uma de Amor (Geme, Geme)", a Blitz traz um de seus maiores sucessos em fidedigna versão com "País Tropical" (Jorge Ben Jor) como canção incidental. Amazing!
Ainda com Fernanda Abreu surgem os hits "Weekend", Betty Frígida", "A Dois Passos do Paraíso" e o grande sucesso "Você Não Soube Me Amar" levantando o público presente e encerrando a dinâmica apresentação. Great!
Iniciando às 17h15, a Legião Urbana com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá traz na íntegra o álbum "Dois", com inusitada introdução onde se ouviu gravação da performance de Renato Russo interpretando "Juízo Final" (Nelson Cavaquinho/ Élcio Soares) clássico do samba nacional imortalizado na voz de Clara Nunes.
Trazendo "Daniel na Cova dos Leões" seguida por "Quase Sem Querer", a apresentação já inicia com o furor da platéia entoando em uníssono os versos das canções, símbolo de toda uma geração de jovens entre as décadas de 1980 e 1990... Amazing!
Na sequência "Acrilic em Canvas" ganha os ares na ralentada e tétrica cadência do indie com influências no dark wave, trazendo os densos teclados na ambientação, permeado pelos cromatismos das guitarras ascendentes e pelo cadenciado firme da bateria.
Mais um importante momento da apresentação ficou por conta da execução do folhetim musicado "Eduardo e Mônica", na perfeita fusão entre pop e blues, seguida pela icônica "Tempo Perdido".
Ácida em sua crítica social, infelizmente ainda atual, surge a explosiva "Metropole", em uma intensa e inspirada performance vocal de André Frateschi, emprestando à letra toda a aura de revoltada indignação de seu compositor. Amazing!
Para o sucesso "Plantas Embaixo do Aquário" em sua firme condução tétrica pautada no dark wave da bateria em cadenciado constante, aliada aos acordes rascantes das guitarras distorcidas, surge mais um ponto alto da apresentação, seguida pelo acustic blues de "Música Urbana 2".
Em uma das mais introspectivas e belas letras da Legião, "Andrea Dória" chega trazendo sua suavidade pautada no classic rock, onde à bateria em cadenciado constante se alia o peso das guitarras em verginosos rascantes, para mais uma magistral interpretação de Frateschi. Firme, o baixo no contraponto auxilia na manutenção do andamento ralentado e na aura tétrica da melodia, dialogando com a potência da guitarra dedilhada. Amazing!
Trazendo sua forte dinâmica em difusas aliterações e dissonâncias "Fábrica" surge com sua poderosa aura de hino rock, levando o público a cantar junto com a banda em um dos momentos de maior sinergia com seus fãs... Great!
Encerrando a clássica passagem da banda pelo palco do festival "Índios" traz toda a genialidade do letrista Renato Russo, finalizando uma das melhores apresentações do festival. Amazing!
Após o término das faixas do álbum Dois, a banda brinda os presentes com a execução de "Há Tempos" e "Pais e Filhos".
Subindo ao palco às 18h45, Marina chega trazendo na íntegra o álbum Fullgás, o maior sucesso de sua carreira, ao som da música homônima.
Na sequência a pop "Pé na Tábua", versão brasileira para o clássico soul "Ordinary Pain" (Steve Wonder) traz um momento de grata suavidade ao show, seguida pela emblemática "Pra Sempre e Mais Um Dia", trazendo densa ambientação proposta pelos acordes de notas em suspensão do teclado, dialogando fortemente com os acordes rascantes das guitarras.
Trazendo a dançante criatividade da new wave, "Ensaios de Amor" chega trazendo um diferenciado instante na apresentação, seguida por "Um Homem Pra Chamar de Seu", releitura para a clássica canção de Erasmo Carlos.
Com participação especial de Lobão, autor de "Me Chama" na bateria e nos backing vocals, e Liminha no baixo grooveiro, Marina interage com os colegas na execução desta canção, uma das mais importantes de sua carreira. Amazing!
Para a suavidade e elegância de "Mesmo Se o Vento Levou", traduzindo o romantismo contido da MPB na fusão com o rock e esparsos elementos pop, surge mais uma grande interpretação dos perfeitos vocais de Marina.
Na linda balada "Veneno", trazendo a cadência ralentada de um estilizado bolero em fusão com o pop, surge mais um dos grandes momentos do show com magistral performance de Marina, em excelente forma, saboreando a modulação da letra em um fraseado vocal levemente sensual. Bom momento do show!
Trazendo o eletrônico firme dos sintetizadores na introdução, dialogando com os metais do sax tenor para "Mais Uma Vez", surge um dos mais dinâmicos e ousados momentos da apresentação, demonstrando toda a versatilidade do repertório de Marina. Amazing!
Em mais uma dançante melodia pautada nos teclados de arranjos ágeis e dançantes da new wave, conduzidos com propriedade por Lobão, surge "Nosso Estilo" para mais um diferenciado momento do show.
Se aproximando dos instantes finais da apresentação, Marina traz a introdução de "Billie Jean" aproveitando o beat continuo da black music para puxar uma remixada versão para "Fullgás".... Inusitado!
Na sequência surge a versão para "Ainda É Cedo" (Legião Urbana), encerrando sua passagem pelo festival ao som de "Uma Noite E Meia", com participação de Laura Vaz.
Encerrando o festival, grandes nomes do rock nacional se unem para prestar linda homenagem a Cazuza, trazendo os maiores clássicos do poeta do rock em versões únicas e inspiradas interpretações a partir das 20h15.
Arnaldo Antunes chega trazendo sua conhecida irreverência em "O Tempo Não Pára", emprestando seu timbre vocal único para a visceralidade da letra... Bem colocados, os metais traduzem elegante aura à melodia de acordes simples e andamentos ralentados, em correspondência com os teclados melodiosos.
Para o surf rock na versão original de "Malandragem", trazendo elementos do brasileiro forró nesta divertida roupagem, Arnaldo Antunes explora tonalidades vocais graves, traduzindo ousadia e leveza ao momento... Deliciosamente inusitado!
Trazendo uma versão pra lá de despojada, Lobão chega trazendo sua conhecida irreverência para "Vida Louca, Vida", cheio de energia e atitude no fraseado vocal ágil e cheio de vocalizes de intensidade.
Na sequência "Ideologia" traz um Lobão mais sério e contido, trazendo à crítica e ácida letra a entonação perfeita, trazendo excelente comunicação com o público. Bom momento de sua participação no festival.
Subindo ao palco para a execução de "O Nosso Amor a Gente Inventa" a cantora Maria Gadú traz seu potente vocal, denotando suavizado momento à apresentação. Na sequência, Gadú continua com sua brilhante interpretação para "Quase um Segundo", trazendo lirismo extra à romântica e delicada canção, acompanhada pelos arranjos suaves do piano.
Dividindo os vocais com Johnny Hooker, Maria Gadú traz "Codinome Beija-Flor", em mais um inspiradíssimo momento de sua performance.
Em "Por que a Gente é Assim?" e "Bete Balanço", onde divide os vocais com Léo Jaime, Johnny Hooker traz intensidade no fraseado vocal, demonstrando carisma e atitude em sua interpretação. Amazing!
Em meio às suas emocionantes reminiscências para "Maior Abandonado", Léo Jaime conduz com muita propriedade o show a outro patamar, traduzindo alegria, descontração e jovialidade à apresentação, na ágil cadência rockabilly da melodia... Amazing!
Continuando com sua certeira elegância, Léo Jaime traz a beleza de "Eu Preciso Dizer Que Te Amo" com o jazzístico acento crooner de seu bem empostado vocal, ladeado pelo excelente trabalho da banda, que traz sedutores arranjos dos metais permeando a melodia.
Chegando para a execução de "Exagerado" Leoni chega com o forte apoio da platéia, sendo sucedido pelo "Blues da Piedade" e "Todo Amor Que Houver Nessa Vida" com Frejat, marcando alguns dos momentos mais emocionantes da apresentação.
Trazendo toda a irreverência de Cazuza com o Barão Vermelho, Frejat traz o rock frenético de "Pro Dia Nascer Feliz" colocando o público para agitar, cantar e se aquecer na fria noite deste domingo. Great!
Finalizando o respeitoso tributo a Cazuza, todos os cantores que prestaram a homenagem voltam ao palco para a execução de "Brasil", encerrando o festival após dois dias intensos, onde o que de melhor se produziu no rock nacional foi evidenciado em arrebatadoras performances pelos principais nomes do estilo.
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