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C6 Fest 1º Dia

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Publicada em 27, May, 2026 por Marcia Janini

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Na tarde do último sábado 23 de maio, o Parque do Ibirapuera sediou o primeiro dia da edição 2026 do C6 Fest, debaixo de forte chuva e baixas temperaturas.

Atração do palco principal Arena, a cantora Amaarae chega por volta das 16h45, trazendo seu som eletrônico pautado no som das raves e na sonoridade urban. Estilos como o house, o trance, o eletro e o minimal se fundem às palavras de ordem e protesto expressas nas letras viscerais e cruas.

Interessante e irreverente, inclusive no figurino para sua passagem pelo palco, a intérprete traduz a criação de uma nova identidade musical em meio ao hibridismo de nossos dias.

Cheia de atitude e irreverência "Stuck Up" mistura à batida eletrônica elementos da sonoridade africana, como o kuduro e demais estilos tribais fortemente marcados pelo cadenciado forte da percussão dos tambores, em uma fusão moderna e única. Ousado!

O vocal, agudo e delicado surge entremeado por efeitos robóticos, futuristas e crossover de sintetizadores, traduzindo deliciosa aura de tardio futurismo 80's, sem deixar de lado a ousadia da atualidade para "Starkilla".

Em variações dinâmicas que fundem o house na base melódica dos sintetizadores em andamento cadenciado, surgem elementos urban com reforço de bass apoiando o forte refrão em minimal, trazendo looping para "ms60".

Em "FREE THE YOUTH", a criativa performer combina habilmente trechos de clássicos dos anos 80 e 90, como "Pump Up the Jam" do Technotronic, com uma base sonora sólida de sintetizadores. O resultado é ousado e divertido!

Subindo ao palco Arena, Mano Brown e Rincón Sapiência apresentam o "Baile do Chefe" em uma alusão às festas baile ou bailes nostalgias das periferias das grandes capitais, com a presença de numeroso corpo de baile, patinadores e mestre de cerimônia, rememorando o balanço de início dos anos 80, trazendo o post-disco e o groove em uma verdadeira celebração à black music brasileira... Great!

Trazendo a rima forte e pesada do RAP em "1 por Amor 2 por Dinheiro" e "Você Me Deve" que apresentam esparsos elementos de charm nas pickups capitaneadas pelo DJ KL Jay, denotam ar crítico à até então festiva apresentação.

Descontraída a grooveira "Dance, Dance, Dance" traz a dançante melodia bem marcada pelo baixo de Gustavo Alves (Mani Bass) em doom, dialogando com a base soul extraída dos sintetizadores do DJ KL Jay para mais um descontraído momento da apresentação.

Na sequência "Louis Lane" mantém o acento gostoso do groove em uma melodia super descolada e dançante, seguida pelo charm na fusão com o RAP de "Felizes", em mais uma melodia ácida que retrata o difícil cotidiano de parte da população, surgindo como um libelo de esperança, depositando na letra a influência da religiosidade afro-brasileira.

Trazendo o poderoso instrumental soul, bem pontuado pela perfeição da backing vocal Zeferina que extrai de seu vocal grave suavidade ímpar, Mano Brown traz em seu privilegiado timbre baixo, no melhor estilo Barry White, a canção "Flor do Gueto", evoluindo para a disco de "Procedimento do Rincón e sua Tropinha" trazida por Rincón Sapiência...

"O Céu é o Limite" traz também pontos importantes na apresentação onde o RAP surge fluido em meio aos scratches das pick-ups, mesclando-se ao instrumental funkeiro da canção... Toque de ragga na finalização arremata a atmosfera street da melodia. Great!

Atração da tenda Wolf Alice chega trazendo sua musicalidade pautada na soul music, com elementos do pop atual, em melodias que contratam entre seu vocal melodioso e o instrumental firme...

Para "White Horses" o rock denso se alia a elementos celtas no cadenciado da percussão, apoiando a performance da vocalista, em agudos de grande complexidade e rara beleza, segurando a carga dramática expressa pela letra urgente com propriedade.

Remontando à new wave 80's, o pop rock de "Formidable Cool" traz a junção do instrumental roqueiro aos sintetizadores, em um indie modernete... Descontraído, surge como um dos grandes momentos da apresentação!

Ovacionada, "Just Two Girls" chega trazendo sua introdução em dedilhado repleto de cromatismos da guitarra de Joff Oddie remetendo ao country rock, ascendendo para rascantes intensos, que aliados ao grooveiro baixo de Theo Ellis denotam deliciosa aura retrô, apoiando o versátil vocal da front woman, desta vez, explorando tonalidades graves com grande desenvoltura... Amazing!

Para "Leaning Against the Wall", uma balada moderna, surge o delicado teclado em standard de Ryan Malcolm permeando com graça a melodia, para mais uma interpretação marcante de Ellie Rowsell, a jovem vocalista da banda... Cadênciada, a bateria de Joel Amey dialoga com o teclado em uma melodia delicada e repleta de moderno romantismo... Belo momento da passagem da banda pelo festival! Na finalização, o instrumental em crescendo emoldura o belíssimo acento soul da canção...

O BaianaSystem sobe ao palco Arena por volta das 19h00, após introdução crítica e forte, trazendo imagens de guerras ao redor do mundo, num convite à reflexão, apresentando em seguida trechos de entrevistas de antropólogos falando sobre a musicalidade baiana em seu aberto sincretismo com o sacro afro-brasileiro nos telões.

Para "Água" o toque do afoxé e dos ritos de capoeira surgem permeando a melodia suavemente, seguidas pela dinâmica e timbaleira "Capim Guiné" que surge na melhor cadência do axé, trazendo elementos de rock nas guitarras capitaneadas por Roberto Barreto e o indefectível toque latino dos metais de João Teoria, em uma jazzística, ousada e criativa composição. Great!

Trazendo ar bucólico na introdução, ascendendo para os tambores tribais baianos "Panela" traz a poderosa sonoridade do axé, permeado com graça pelo afinadíssimo trio de metais, traduzindo uma estilizada micareta para a noite fria e chuvosa de São Paulo. Na finalização, os pífanos surgem em samplers nos sintetizadores, arrefecendo o andamento da melodia e introduzindo a participação das africanas Makaveli e Kadilida. Belo recurso estilístico! "Pagode Russo"/ "Respeita Januário" (Luiz Gonzaga) surgem como canções incidentais para esta animada folia musical, trazendo o baião nordestino nessa verdadeira embolada musical. Bom momento do show!

Na execução de uma dançante e dinâmica canção africana por Makaveli, trazendo o acento do mangue beat em frenético andamento, o BaianaSystem continua com inusitado momento em que o exímio tecladista João Milet Meirelles surge em concerto solo, antecedendo o hit "Sulamericano" na cadência da salsa latina, com acentos no reggae, traduzindo a dançante fusão do raggaeton em mais um bom momento da apresentação.

Na tenda Matt Berninger traz seu folk rock com acentos melancólicos bem pontuados pelo seu vocal grave em baixo profundo.

Para a balada "Frozen Oranges", toda a urgência da apaixonada letra surge bem pontuada pelo instrumental blueseiro e suave adotado pelas guitarras dos gêmeos Aaron e Bryce Dessner em diálogo com o cadenciado sutil da bateria de Bryan Devendorf. Gentil, a letra se encaixa com perfeição ao vocal intenso de Matt, em um belíssimo contraste.

Trazendo o charme contagiante do country com acentos no soul, apoiado pelas guitarras em rascantes suaves e pela gaita (harmônica) em dinâmica diferenciada, surge "Breaking Into Acting", deliciosamente cadenciada pela precisa condução da bateria de tambores cortantes... Lindo momento da apresentação de Berninger!

Mais uma linda balada "Distant Axis" surge traduzindo mais um momento de romantismo na apresentação... Nota para os teclados em acordes de notas suspensas embalando os backing vocals de sua condutora, a tecladista Julia Laws, em um momento precioso do show neste belo dueto.

Trazendo o rock de linhas hard com influências no soft e no indie, surge a deliciosa e suavemente dançante "Martini Me Fatso", trazendo nas guitarras em afinação alta e riffs poderosos e na condução precisa da bateria o grande mote desta canção, que flerta abertamente com o pop. O segundo movimento, quebrando a linearidade da canção sugere aura levemente melancólica à melodia. Great!

Para "Walking on a String" a bateria alquebrada de Davendorf surge deliciosamente dissonante em relação ao vocal vociferado por Matt, causando proposital estranhamento no ouvinte, como um recurso diferencial para a canção pautada no indie rock com acentos pop.

Subindo ao palco Arena, o The xx traz o indie rock iniciando sua apresentação por volta das 21h00 ao som de "Crystalised"...

Trazendo fortes influências no progressivo 70's, "Say Something Loving" traz o inspirado cânone dos band leaders Romy Madley Croft e Oliver Sim em um inspirado dueto sobre o delicado instrumental, permeado com a pulsação em ostinato dos beats de Jamie xx. Amazing!

Para o sucesso "Islands", uma canção de roupagem contemporânea, a guitarra de Romy em pizzicatos e solapados se alia ao baixo grooeveiro de Oliver e à malemolência dos beats em afretados fluidos... Mais um belíssimo dueto, traduz todo o frescor exalado pela letra... Amazing!

Após a execução da melodiosa e suave "Angels", lindamente dissonante, surge a delicada "Night Time", uma canção apoiada nos fortes sintetizadores em minimal de Jamie xx, surgindo como pano de fundo para o lindíssimo vocal de Romy. Explorando linha mélodica diferenciada, a canção evolui para uma dançante sonoridade clubber, trazendo influências no trance... Momento diferenciado da apresentação.

Em "Sunset", introdução intimista em ostinato traz a densidade do instrumental em cadenciado e tonalidades cavas da percussão em beats de Jamie xx, permeada com graça pelos dedilhados em cromatismos da guitarra semi-acustica de Romy, ascendendo para andamento dançante em house no segundo movimento da canção, com finalização em minimal. Bom momento do show!

Em "Fiction" mais uma linda balada acústica, onde a voz e violão de Oliver sobressaem em uma linda e delicada melodia, trazendo suave aura pueril, que ascende suavemente para abrigar o vocal preciso de Romy Croft em mais um lindo dueto, para outro momento de grande beleza na apresentação.

Assim se resumiu o primeiro dia do C6 Fest, trazendo artistas de diferentes nacionalidades e estilos, mesclando personalidades já consagradas e artistas emergentes, traduzindo um pouco do que de melhor se tem produzido em música na atualidade...


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