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Pitty fala sobre Chiaroscuro

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Publicada em 24, Aug, 2009 por Anderson Oliveira


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Em entrevista exclusiva ao Musicão, a cantora Pitty fala sobre a carreira e seu novo trabalho, Chiaroscuro.

Pitty, você está trabalhando novamente com o produtor Rafael Ramos, houve alguma diferença na produção do novo álbum em relação aos discos anteriores?
Pitty: Tem sim, com certeza, cada álbum é um álbum. O fato de termos gravado o álbum aqui em nosso estúdio fez com que algumas coisas na produção tivessem que se adaptar, então a gente gravou base ao vivo, a gente usou efeitos de pedaleiras na voz ao invés de botar plugin de computador, gente brincou com camadas de guitarras e camadas de vozes, tudo isso foi bem diferente na produção.

Na execução das 11 faixas do novo álbum você flerta com vários estilos, caso do tango e a soul music, isso reflete a soma de gostos pessoais da banda?
Pitty: É algo intuitivo na verdade, essas coisas não são tão racionais assim, você sente, vai fazendo e pronto. Mas sim, também pode ser considerado consciente por que todo mundo aqui gosta das mesmas coisas, são influências que sempre existiram, mas que estavam submersas e agora estão começando a aparecer.

Chiaroscuro foi masterizado pelo Bernie Grundman, Anacrônico por Brian Gardner, em questão de masterização do álbum, você considera que esse processo sendo realizado no exterior aumenta a qualidade final?
Pitty: Olha, eu acho sabia? Pelo menos nessas experiências que a gente teve, de finalizar os discos lá fora, eu senti que a sonoridade ficou muito mais poderosa. Sem dúvidas deu uma boa aumentada, e trabalhar com o Bernie já é algo que foi incrível e nós fizemos com o próprio, acho que foi a melhor opção, ficamos extremamente satisfeitos, o coroa mandou super bem.

Chiaroscuro é uma técnica que Da Vinci usava, na construção do disco isso fica bem claro pela forma como o disco fica estruturado, a idéia foi fazer um disco conceitual? E foi uma decisão sua a escolha da ordem das músicas?
Pitty: Com certeza, nós decidimos tudo, nada é feito que não seja plenamente decidido por mim e pelos menos aqui, eu assino isso, nada é feito de uma forma que não passe pela gente, a construção do álbum foi totalmente planejada. E lógico, essa colagem de climas, o Rafa fez isso junto com a gente, deu várias idéias e contribuiu imensamente, foi feito justamente pra entrar nesse clima, na idéia do título do disco. E acho que o Chiaroscuro não é um disco conceitual, é um disco que tem um link, que tem um nome que serve de conceito e permeia todas as músicas, além da arte gráfica, onde fizemos tudo convergir pra isso.

Durante todo processo de composição de Chiaroscuro você permaneceu em contato com seu público pela internet, como você vê essa ferramenta atualmente e a possibilidade de novos formatos para lançamento?
Pitty: Eu acho incrível, acho que é uma coisa democrática que ainda não é acessível a toda a população, mas que já é bem acessível do que antes. Eu acho que é uma comunicação direta, sem intermediários, é o público escutando da boca do próprio artista determinadas coisas, é algo muito benéfico e eu me utilizo disso sempre que posso, é, pra mim, uma das melhores ferramentas de comunicação da atualidade. Não acho que a internet seja a grande vilã da indústria fonográfica, o grande vilão são a quantidade de impostos que a gente paga pra produzir um disco, fazendo com que ele chegue caríssimo nas lojas. Esse é o problema. Se o disco fosse mais barato na hora de produzir, as pessoas poderiam ter mais acesso a ele.

Existe a possibilidade de seu disco ser o primeiro lançamento em vinil pela DeckDisc, como é isso pra você? E como você vê a volta do vinil?
Pitty: Eu acho ótimo, fico muito honrada e muito feliz com isso, sou adepta do vinil, ou melhor, sou militante do vinil! Sempre gostei, tenho a minha coleção até hoje, tenho vitrola em casa e faço questão de ter determinados discos em vinil e saber que meu disco vai sair nesse formato é emocionante, não vejo a hora de pegar ele e ver aquela capa grande e tudo mais.

Pitty, você é uma grande fã de Queens of the Stone Age, recentemente o Josh Homme formou uma super banda com o Dave Grohl e o John Paul Jones do Led Zeppelin, você tem vontade de formar um super grupo aqui, ainda que seja para algumas jams? Quem seriam os músicos que você não tocou e queria tocar?
Pitty: Olha, uma coisa que eu te confesso que é que a minha banda hoje é uma banda dos sonhos, eu amo demais tocar com os meninos e eu não consigo sequer imaginar tocar com outras pessoas, claro que se fosse pra fazer outros projetos em outros tipos de música aí eu talvez conseguisse pensar em outras pessoas, mas pra fazer o que eu faço eu realmente só penso neles. Pra fazer outros projetos, sim, mas e uma pergunta difícil, eu precisava pensar mais pra lembrar das pessoas, tem tanta gente legal por aí... (risos)

E falando em tocar, você já tocou com vários grandes nomes da música mundial, existe alguma banda que você gostaria de dividir o palco ou ver ao vivo, que ainda não tenha acontecido?
Pitty: A gente tocou com o Muse no Porão do Rock e foi incrível, foi realmente emocionante, é uma das bandas que eu mais amo na minha vida. Eu adoraria poder dividir o palco com o Queens of the Stone Age, com o Mars Volta, o Morrissey, o Last Shadow Puppets... Tem muita gente que eu admiro e seria muito bacana poder tocar no mesmo festival.

Falando em festivais, você acha que existe uma ausência de eventos mais democráticos no Brasil, que reunissem mais vertentes de um estilo sem nenhum problema?
Pitty: Não necessariamente, acho que os festivais que já existem aqui são um formato estabelecido, está rolando e está bom. A única coisa que eu sinto falta aqui no Brasil é a realização de um festival itinerante, tipo o Loola Palooza (N.R.: festival idealizado por Perry Farrel, vocalista do Jane´s Addiction), o Ozzfest, o Coachella, Reading Festival, até um Glastonbury, algo assim, eu sinto que seria muito bom se isso acontecesse aqui no Brasil, de um tempo pra cá aconteceu uma edição do Claro Q É Rock que eu considero histórica, onde reuniu o Flaming Lips, o Nine Inch Nails, Sonic Youth e o Iggy Pop, isso foi bem legal, e agora vai ter o Maquinaria no fim do ano com o Faith No More e o Jane´s Addiction, bem legal, vai ser bem interessante.

Pitty, você já foi retratada em quadrinhos na primeira edição da Luluzinha Teen, como surgiu esse convite? Você gosta de quadrinhos?
Pitty: Ah, eu adoro quadrinhos, sempre fui uma leitora voraz deles, quando criança os quadrinhos eram “a parada”. Eu tinha uma coleção absurda e quando eles me chamaram e contaram o projeto, que a Luluzinha era adolescente e o Bolinha tinha uma banda e ia no meu show, eu fiquei muito feliz, achei massa, porque eu lia os quadrinhos da Luluzinha quando eu era guria e eu achava demais aquela coisa dela, aquela onda meio feminista, porque o Bolinha tinha aquela coisa de “menina não entra” e ela era contra, eu me identificava de alguma forma, então, quando eles me chamaram eu achei super massa isso, achei meio surreal estar ali nos quadrinhos.

Pitty, você já participou do acústico do IRA! e foi muito elogiada, seu som é direto e pesado e cada vez mais rico em elementos, é possível considerar um projeto acústico futuramente?
Pitty: Na verdade eu nunca pensei nisso não, mas eu sou o tipo de pessoa que quer coisas diferentes o tempo todo e eu nunca sei o que eu vou querer amanhã, eu vou vivendo, sentindo e fazendo o que me dá vontade, então não dá pra dizer que não vai acontecer, também não dá pra dizer que vai ser logo, nunca pensei nisso de uma forma mais efetiva, é uma coisa por vez mesmo.

Ping-Pong
Uma música que gostaria de ter composto: Smells Like Teen Spirit do Nirvana

Uma banda: Muse

Um show: Muse no Reading Festival

Um livro: Crônicas de um amor Louco, de Charles Bukowski




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