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Entrevistas

Coletiva de Imprensa - Epica - Ômega Tour / 2022

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Publicada em 03, Apr, 2021 por Marcia Janini


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Na tarde da última sexta-feira (12/03) a banda holandesa de melodic metal Epica concedeu entrevista coletiva via Zoom, com início às 16h00, para os principais veículos dedicados ao segmento.

Nesta ocasião a banda discorreu sobre o processo de criação do novo álbum Ômega, além de falar um pouco sobre planos futuros por meio de seus representantes, os vocalistas Mark Jansen e Simone Simons.

Confira alguns dos principais pontos da entrevista.

Em tom de descontração, quando questionado sobre a inserção da música latina "El Código Vital" no álbum, Mark responde que a ideia veio do tecladista Coen Janssen, compositor da faixa, que gostaria de ter uma versão da canção em salsa e tradução de algumas partes da letra em espanhol. Foi a primeira vez que a banda realizou uma experiência deste tipo, e várias outras faixas também ganharam versões acústicas com, com adaptações de seus títulos, também para o holandês. Ficou muito bonito e, apesar da simplicidade, a banda apreciou muito o resultado. Como o processo final de gravação de um álbum pode ser meio tedioso, a banda gosta de inovar com todos os instrumentos musicais que encontram no estúdio, também aproveitando o clima para se divertir um pouco. Com essa faixa "El Código Vital" é como se a banda acrescentasse um pouquinho de tempero, de agito ao álbum.

De acordo com Mark, a parceria da banda com os violoncelos do Apocalyptica e com o apoio da banda Wheel se traduz na busca por uma sonoridade rica e interessante e o Apocalyptica é uma banda com quem o Epica desejava trabalhar já há algum tempo e, assim se deu esse encontro. Infelizmente, devido à pandemia, a banda teve de adiar o lançamento da turnê. Em relação ao Wheel, o Epica estava procurando uma banda versátil, e este era um dos prováveis nomes para compor a nova turnê. Ao ouvi-los em meio a outras bandas, o entusiasmo cresceu e daí, se concluiu o processo de convite para esta parceria.

Em relação ao lançamento do álbum Ômega, do ponto de vista da banda, após o período de maturação ao mesmo tempo em que eram gravados os instrumentos e vocais, estavam todos ansiosos pelo lançamento, e foi meio frustrante ter de adiar, pois estavam todos muito orgulhosos do produto final... "Um álbum é como um filho, que você quer compartilhar, mostrar a todos. Nós tínhamos as letras e melodias ressoando em nossas cabeças e queríamos levar logo a público... Ficou aquela sensação de um presente de Natal, que você ganhou, mas não pode abrir... Bem, agora um ano depois, o álbum finalmente está aí... Sempre tivemos um pressentimento bom em relação a ele... Para nós é muito pessoal, espiritual até, e nos sentimos muito conectados a ele... É um grande alívio e é um elogio perceber que as pessoas gostaram, é sempre emocionante poder criar arte e levá-la ao maior número possível de pessoas... Quando todos gostam, é surpreendente... Foi um período louco, intenso de criação, desde "Abyss O´Time", o primeiro single desse álbum. Ter o apoio dos fãs e da imprensa, ainda antes do lançamento oficial, nos trazendo tantos feedbacks positivos, foi fundamental. Também é importante para nós sabermos que todos os que ouviram, tem suas canções favoritas do álbum. Nós somos cinco pessoas que escrevem canções para que a diversidade musical flua e ofereça algo de novo para todos. Estamos extremamente orgulhosos de trabalhar com todos os envolvidos na realização desse álbum, porque realmente acreditamos que todos deram muito de si, 100% de paixão, para que este fosse o resultado do Ômega".

Ainda em relação ao lançamento do álbum, há certo tempo, a Simone disse ao Mark que também estava tendo bons presságios desde o início, pois quando os sentimentos são bons, é sinal de que tudo sairá bem. Entretanto, a resposta deste álbum foi ainda melhor do que a esperada, pois ela recordou-se da emoção que sentiu ao ver na revista "Heart Metal" da Holanda, uma publicação que acompanhava desde criança, que o Ômega havia sido cotado o álbum do mês... Além desta, várias outras revistas especializadas, recentemente a "Hard Rock" francesa, também aclamaram o Ômega como álbum do mês. Importante observar que há pessoas que amam "The Skeleton Key", ou alguma outra faixa do álbum, mas o melhor é que todos tem uma ou mais canções pelas quais se apaixonaram... Simone diz não se recordar da ocorrência de nada parecido com isso em qualquer outro dos álbuns da banda, essa repercussão tão grande em tão pouco tempo... "Estamos muito felizes pois este é um álbum muito equilibrado, e nós realmente tentamos encontrar um ponto de equilíbrio entre o velho Epica e o novo Epica, então eu acho que todo mundo pode encontrar literalmente referências anteriores ou atuais que lhes satisfaçam em termos sonoros".

Sobre a principal diferença entre o Epica do início de carreira e o Epica atual, apontam a inevitável evolução, tanto da banda quanto de cada músico particularmente, após passados 20 anos desde o lançamento do álbum de estreia. É como um casamento ou uma universidade, onde o aprendizado é uma constante. O álbum Ômega apresenta algumas semelhanças com "The Phantom Agony" (2003), especialmente na sonoridade oriental. Músicas como "Seal of Solomon", revelam essa volta aos primeiros tempos do "...Agony", entretanto, Ômega é mais moderno e equilibrado. Percebe-se essa evolução em cada álbum da banda, que também influencia em suas vidas pessoais, afinal são seis pessoas trabalhando juntas e emprestando ao trabalho visões diferentes para distintas fases de suas carreiras. "A cada registro sonoro, nos esforçamos para ser a melhor versão de nós mesmos naquela época, e acreditamos ter conseguido sucesso nessa perspectiva, sem perder de vista o som épico que nos caracteriza, trazendo além de seus elementos clássicos a experimentação com a inserção de novos sons e novas culturas. Dessa forma, traduzimos para este álbum a mesma paixão que tínhamos no início. Queremos continuar fazendo o possível para produzir os melhores álbuns, em um exercício de auto análise, colocando-se de fora e observando a nós próprios nesse momento. Desde o início tentamos redescobrir a roda, por assim dizer, encontrando maneiras de nos reinventarmos sem nos repetirmos, e isso é algo que realmente sempre aponta a finalidade de realizar álbuns diferentes de tudo o que já fizemos".

Na canção "El Código Vital", uma das favoritas deste trabalho, se percebe a tradição heavy metal aliada à escala oriental, como na inserção desta escala apresentada em "Replica", que possui introdução com profunda abordagem oriental. Dessa forma, a contribuição dessas canções poderia suscitar no público um certo interesse por esta sonoridade, além de demonstrar como seriam utilizados elementos da música oriental em canções futuras. Assim, "El Código Vital" composta por Coen foi uma das canções favoritas de trabalho desde o começo, ainda nos estágios iniciais de sua escrita. "Primeiro ouvimos as canções inacabadas, realizando um aponte entre o tema principal, refrão e introdução. Em nosso processo de criação, quando nada ainda está definido, cada membro coloca suas ideias e deste cruzamento de coletivo de dados se encaminham as coisas. Assim, canções de álbuns anteriores traduzem influências que estavam meio latentes, adormecidas, e que retornam agora, nesse registro. Gostamos do canto atmosférico oriental e, a partir de nosso encontro com a banda de metal tunisiana Myrat, com quem excursionamos e que são especialistas nesse tipo de vocais, que amamos, percebemos que esta é uma ótima maneira de carregar nossas emoções onde estivermos, assim, de improviso. Nosso produtor Yoast seleciona partes que ele pensa se encaixarem melhor, como um quebra-cabeças entre as vozes de Zohair, Zaheer e a minha (Mark). Simplesmente amamos essa música, que é desenvolvida a partir de estágios de demonstração e podem sofrer alterações até sua conclusão. No caso deste tipo de canção, desde o início estabelecemos com ela uma conexão especial".

Para a composição "Code of Life" em sua parte melódica, há mudanças nas variações dinâmicas, remetendo à sonoridade de "The Holographic Principle". Nota-se também uma mudança nas composições do álbum Ômega e, embora esta seja uma das principais faixas de trabalho do álbum elencadas pela banda, seja talvez a mais complexa, pois engloba uma grande mistura de influências em outros estilos musicais. Na canção "Ômega ? Sovereign of the Sun Spheres" tudo soa diferente, a começar pela abordagem já no processo de composição, denotando muito mais equilíbrio para o álbum na alternância entre sons suaves e sonoridades mais pesadas, portanto, o peso soa diferente com a mistura, onde as guitarras cedem espaço à orquestra, ao invés de surgirem simultâneas, porque então, na verdade, as guitarras ganham maior leveza, traduzindo-se em ganho geral para a melodia. "Quando você ouve o álbum na íntegra pela primeira vez, este é muito mais facilmente assimilado. Por duas vezes nós buscamos realizar um álbum que contivesse músicas que pudessem ser tocadas em um festival onde o público não nos conhecesse e passasse a gostar de nosso som. Trouxemos a sonoridade headbanger em nossas canções, obviamente porque percebemos que canções como "Cry for the Moon" e "Beyond the Matrix", quando tocadas para uma multidão que não conhece o Epica, funcionam bem e, então, tentamos nos concentrar em mais faixas desse tipo. Estivemos trabalhando fisicamente juntos por uma semana na Holanda, elaborando as trilhas. Nosso produtor também estava conosco durante esse processo e foi uma maneira muito agradável de estarmos em equipe. Ao mesmo tempo em que mexíamos nessas faixas, fomos tendo a sensação de termos feito a diferença. Elevamos o nível desse álbum e definitivamente continuaremos fazendo isso também em obras futuras, porque realmente amamos trabalhar dessa forma."

Existe a oposição entre a liberdade e o discurso litúrgico na luta interna entre dois lobos que representam, por um lado, o mal e a melancolia e, por outro, a alegria e a perseverança. A literatura e a filosofia influenciam no ponto em que Mark e Simone, escrevem juntos as letras e, naquele momento, ambos estavam muito interessados na mitologia e em antigos ensinamentos de sabedoria. "Tropeçamos neste tema quando estávamos cavando uma velha história sobre um índio cherokee que ensinava a seu neto essa lição. Ficamos tão comovidos com a história que realizamos a analogia com muito sentimento interno em relação às duas regras, uma vez que todos temos esses lobos habitando em nós mesmos. Muitas vezes, tendemos a ocultar nosso "lobo negro", mas ele faz parte de nós e não devemos nos envergonhar disso, muito ao contrário... Todos possuímos esse lado obscuro e tentamos afastá-lo para o mais longe possível mas, uma hora este vêm à tona, cedo ou tarde, de qualquer maneira... Quando você alimenta o seu lado positivo muito mais que seu lado negativo, este se torna dominante e então você se torna uma pessoa em torno da qual as outras querem estar. Trata-se de uma questão de escolha".

Ômega é a última letra do alfabeto grego e em um processo de reinvenção da banda, são sinônimas para a síntese ou término de algo. Dessa forma, o álbum não representa o fim, mas um ponto decisivo, importante da carreira e das vidas pessoais dos integrantes da banda. "Quando você para algo e reinicia, eu acho que a gente assiste um pouco mais do próprio crescimento futuro, diferentes de como era antes. Não foi uma decisão consciente, apenas o fato de sermos colocados normalmente como críticos do nosso trabalho. Sinto que não é algo que faça parte de nós, é apenas algo que acontece e segue um fluxo, às vezes mais, outras um pouco menos. Não é consciente a direção que queremos manter, desenvolvê-la pode dar início a um novo álbum."

Inicialmente o título Ômega, se referia ao ponto da teoria que afirma como a humanidade está condicionada a criar um ponto de unificação, e este é um bonito conceito apresentado no álbum. Quando foram compostas as letras para o álbum, jamais se poderia supor que uma pandemia de proporções tão assustadoras estivesse surgindo em breve. "Agora, obviamente sabemos que este será um grande ponto de mudança no mundo, representando um grande impacto para todos. Então, de qualquer forma, Ômega surgirá como se lançado em relação a uma grande teoria do tempo, que busca traduzir algo à humanidade. Algo muito maior está acontecendo e esperamos que tudo isso seja para o bem; que depois do término desta pandemia encontremos uma maneira melhor de viver, em harmonia com a natureza. Isso é o que todos esperamos. Assim, não será o nosso último álbum, não significa um encerramento da carreira, ao menos não é isso que queremos, mas esperamos que seja o fim de uma era, de um ciclo e o começo de novos e lindos tempos".

O som do Epica é muito peculiar e totalmente diferenciado de outras bandas de metal progressivo. Na década de 1970 muitas bandas utilizavam elementos similares em suas composições influenciando, de certa forma, essa sonoridade. "Analisando nosso som, vemos alguns paralelos, porque ouvimos muitas bandas de rock clássicas, como Pink Floyd e canções como "Like a Child Again" (The Mission UK), "Bohemian Rhapsody" (Queen), "Hotel Califórnia" (The Eagles), etc. Então este tipo de canções tiveram uma grande influência sobre nós, como músicos, e também sobre nossa formação como banda. Por exemplo, Rob (Rob van der Loo, baixista) é um grande fã de bandas daquela época, então com certeza ele é ainda mais influenciado por isso do que todos nós juntos, provavelmente. Essas bandas têm, de uma forma ou outra, um forte impacto sobre nosso som, embora o público jovem talvez não perceba isso. Com certeza a base de nossa banda se apoia sobre pilares, gigantes, lendas do rock... Eles criaram o som para que nós e todas as outras bandas possamos realizar o que fazemos hoje. Foram pioneiros".

A canção "Code of Life" é um dos singles favoritos deste novo trabalho e fala sobre um ponto central da Terra e para que alguém fale com Deus, ao passo que Ômega fala sobre unificação. Há uma conexão entre esses termos, sendo temática recorrente em muitos álbuns, entretanto, sempre há um ponto de vista diferente. "Por exemplo, a canção "Hunab K´u" (álbum Consign to Oblivion, lançado em 2005) estava relacionada com a cultura maia e a forma como os maias olham para a vida. Ômega é mais com um álbum espiritual, mergulhado em crenças gnósticas. O ponto Ômega é como uma regra cristã idealizada por um padre, então apresenta sempre diferentes pontos de vista... O que para uns é denominado Deus, para outros é a consciência duradoura... Ou seja, é apenas uma forma de nomear coisas... Em geral, acreditamos que há mais entre o céu e a Terra, que nossa verdadeira essência é o que é infinito e que nosso breve tempo na Terra é apenas a manifestação da matéria. O que nós realmente somos e que é a nossa essência é por assim dizer, uma espécie de sonho; um belo sonho na maioria dos casos mas que, em alguns momentos, há períodos de sofrimento e dor. Em geral, nesse "sonho" podemos observar a consciência basicamente olhando para nós próprios... Conforma dito anteriormente, cada álbum se direciona às pessoas de maneira diferente, em diferentes perspectivas, de acordo com a cultura de cada um...".

Sobre a loja pop-up recém inaugurada (04/03) na Galeria do Rock em São Paulo, a banda está extremamente honrada com isso... é a primeira loja para venda de artigos de merchandising oficial em outro país, assim, ainda não há planos específicos sobre ela, visto que, neste momento, ainda estão suspensas as atividades de funcionamento por conta dos decretos de contenção ao avanço da pandemia... Entretanto, a banda possui uma grande família de fãs no Brasil, então este é um bom lugar para teste desta experiência. "Honestamente, não temos ideia de como será o fluxo de vendas, mas já vimos fotos e nos pareceu incrível. Por se tratar de uma loja pop-up, não sabemos quanto tempo vai durar mas, antes de tudo, é uma grande honra ter uma loja como esta no Brasil. Queremos visitar o país em dezembro desde ano, então é uma maneira gentil de nos conectarmos com nossos fãs."

Embora durante a audição de Ômega possamos divisar muitas partes progressivas em meio a partes com maior peso dinâmico a junção entre elas ocorreu de uma forma totalmente única, surgindo para reunião de todas as influências musicais que permeiam o álbum, o que fez parecer que este fosse um movimento tão natural nas canções. Uma canção como "Kingdom of Heaven", que também possui muitos trechos progressivos, indica que este foi um longo caminho até chegar ao resultado final. "Se pegarmos essa faixa como exemplo, começamos junto com Isaac (Delahaye, guitarrista da banda) na troca entre receber e enviar arquivos da Jordânia e então, em um certo ponto, começamos a trabalhar esse material com toda a banda, incluindo nosso produtor Yoast... Então, mergulhamos nos detalhes e estudamos cada parte, para vermos o que podíamos melhorar e como poderíamos fazer as melhores transições. Em dado ponto, começamos gravando as trilhas como gostaríamos que fossem e, quando nos pareceu bom o produto, colocamos em análise cada detalhe que já havia sido discutido e então gravamos a versão final. Dessa forma, quando sabemos exatamente o que esperar, soa muito mais natural. Nos primeiros dias, muitas vezes fomos para o estúdio sem saber exatamente que direção algumas das composições seguiriam, ou o que o baterista mudaria na melodia, enfim, não tínhamos ideia e realizar coisas diferentes... às vezes, rola um improviso, o que também é legal, mas é importante também já começarmos a gravar com as etapas definidas, às vezes mudando um pouco o vocal aqui e a letra acolá, mas é isso: basicamente tudo já está pré-estabelecido".

Discorrendo sobre surpresas e panes em shows e gravações ao vivo, Mark relembra alguns momentos em que a banda teve de usar todo seu carisma e presença de palco. "Houve um momento em uma apresentação em que faltou energia elétrica e tudo ficou desligado... Tínhamos que prosseguir com o show, e ficamos meio que sem saber o que fazer. Pensamos rápido e daí eu (Mark) resolvi cantar solo uma canção muito popular, das baladas mais conhecidas do Épica, da qual grande parte do público se recordava da letra... Assim surgiu a ideia de uma interpretação a capella com o público e daí pedimos que todos ligassem os flashes das câmeras de seus celulares e aquele foi, definitivamente, um show improvisado, do qual buscamos tirar o melhor proveito da situação. Amamos essa experiência! Da mesma forma, houve uma vez na Holanda em que assim que subimos no palco, no transcorrer da primeira música, tudo ficou desligado por pane na parte elétrica do local que era novo, recém-inaugurado. Quando a fumaça começou a chegar no palco vinda do poço de um dos elevadores ou algo assim, fazendo com que o alarme de incêndio disparasse, nós que estávamos ali, cheios de adrenalina, sentimos como se tivéssemos levado uma descarga elétrica... Mas são coisas que acontecem, e daí a solução mostrou-se eficaz porque funcionou e gostamos destes tipos de momentos porque, na verdade, o público está esperando e você deve seguir o fluxo. Foi muito especial.

As preferências em termos de sonoridade, não contemplavam muito o uso de amplificadores digitais. "Não somos muito fãs de amplificadores digitais, mas uma vez que usamos grade positiva, ele me convenceu. Então, para apresentações ao vivo, geralmente discutimos anteriormente com o engenheiro de som e ao realizar as comparações entre os tipos A e B, se ele disser que ainda será melhor usar o amplificador real, que dá um som mais encorpado, então, tão frequente quanto possível, utilizamos os sintetizadores reais, entretanto, para nosso próprio ouvido, o sintetizador digital e muito estável".

Questionada sobre a participação das mulheres no universo metal atualmente, Simone Simmons (que ingressou no Epica aos 17 anos de idade) respondeu que acredita que houve mais uma revolução, muito mais cantoras estão no palco e não só cantoras, mas instrumentistas, e esta é uma grande coisa. "Para ser um bom músico, não seu gênero que deve desempenhar nenhum papel e sim sua paixão, seu talento e trabalho duro. Quando comecei, não havia tantas vocalistas mulheres e hoje sou muito grata por cantoras como Annika (Kjaergaard, cantora sueca), mas também por cantoras que praticamente pavimentaram para nós esse caminho na cena do rock... A entrada de mulheres na cena ainda é meio que minoria, mas não percebo mais a falta de respeito, como se não estivéssemos sendo ouvidas. Podemos apenas aconselhar às outras mulheres que ainda estão de fora e querem fazer parte da cena musical. Eu acho o cenário metal um dos mais seguros e respeitosos para as mulheres, se comparados a outros segmentos na cena da música pop. Definitivamente, há mais desigualdade. Por exemplo, não é comum se fazer a pergunta de como um homem se sente em assumir os vocais ou tocar em uma banda de metal... Por aí, você já percebe..."
Na ocasião do 10º aniversário da banda, foi lançado um álbum notável, que bateu vários recordes, o "Design Your Universe", uma retrospectiva particularmente marcante de alguns dos maiores momentos da banda. Para esta segunda década, ou 20º aniversário da banda, o público aguarda que esta turnê promova esperança, que tudo se realize de forma plena. "Adoramos comemorar. Quando lançamos no 10º aniversário aquele álbum, curtimos muito fazer, porque era algo especial. Foi um grande lançamento. Em relação ao Ômega não temos nada de concreto planejado agora, mas tudo pode mudar, é só meio complicado planejar no momento de pandemia, estão estamos sempre flexibilizando prazos, ações, buscando ser espontâneos... É muito difícil planejar muito à frente, no futuro. Estamos vivendo um momento único, uma situação estranha, mas não iríamos deixar passar em branco a comemoração de nosso 20º aniversário..."
Conforme dito anteriormente, o Ômega é um álbum de equilíbrio, onde houve um cuidado especial em se colocar os elementos certos, a quantidade certa de cada célula, etc... Há datas da turnê anunciadas já para o final deste ano (esperamos que elas ocorram). Sendo Ômega um álbum menos complexo para se tocar ao vivo, se espera que este fator amplie a dinâmica da banda no palco. "Planejamos também trazer outros elementos para as apresentações ao vivo. A música não será o elemento que ganhará toda a atenção 100% do tempo. As composições deste álbum podem parecer mais fáceis mas, ainda assim, são bem complexas. Estudamos muito, em verdadeiras imersões e estamos suando pra caramba na faixa título, então vai demorar um pouco antes que a gente possa correr pelo palco sem pensar tanto no ato de tocar os instrumentos. Por exemplo, se compararmos as canções do Ômega com os álbuns anteriores, existem algumas canções simples que são bonitas e fáceis de tocar, para sermos honestos, mas desde que Isaac se juntou à banda, ele é um guitarrista incrível, que usa todas as suas habilidades e assim, temos que nos encontrar no mesmo nível. Hoje em dia, poder tocar tudo isso, é um desafio. Desde que começamos a estudar a técnica dele, também crescemos muito como músicos, então somos muito gratos a ele por isso, mas é bastante desafiador".

Desde o álbum "The Quantum Enigma", a banda tem utilizado orquestra ao invés de instrumentos sintetizados. Esse fator modifica a abordagem das composições, onde se precisa refletir sobre a inserção dos violinos, violas e demais sonoridades. "Ainda escrevemos nossas composições conforme sempre fizemos e, então, mais tarde, este pensamento surge. Depois de pronta a melodia, começamos a pensar na entrada desses instrumentos. No início não temos muita ideia do que estamos fazendo, apenas realizamos tudo baseados em nossos sentimentos. Assim, não temos no início uma definição de arranjos. Dessa forma, se flauta entra no refrão, ou na ponte, ou na introdução, há outras pessoas, arranjadores na equipe que assumem essa parte, de acordo com nossas indicações. Isso é incrível porque, uma vez que nós trazemos todos os arranjos para a orquestra, são duas semanas para que seja efetuada a transcrição na partitura. Tudo são especulações e então, quando ouvimos o arranjo que idealizamos em nossos computadores ganhando vida nas mãos da orquestra, sentimos geralmente um arrepio real de prazer e orgulho, porque quando estamos sozinhos, em nossos pequenos estúdios caseiros em frente a um teclado, soa de uma forma. Quando ouvimos a sinfonia tocada pela orquestra é intenso, como se fosse um peso, uma dinâmica muito maior...".

Simone e Mark são os principais compositores de Ômega e neste período de pandemia, escrever juntos não foi tão complicado, porque já haviam finalizado praticamente tudo quando a pandemia se instalou. Quando um dos dois não gosta muito do resultado final de alguma faixa, a banda toda se reúne e se discute quem escreverá a letra para tal melodia, etc. "É claro que, por vezes, surgem pequenas discrepâncias entre letra e melodia, especialmente quando feitas por pessoas diferentes, com visões distintas. Neste álbum, quando já estávamos gravando os vocais para as faixas, tivemos uma experiência com um fantasma na casa onde se localiza o estúdio. Este fato nos conduziu à direção que nós queríamos em relação à ambientação do álbum, dessa forma, letras que anteriormente pareceriam sem sentido, passaram a dar um tom todo especial às melodias. Somos todos muito abertos acerca das ideias que temos para as letras de nossas canções, sem ficarmos impondo limitações uns aos outros. Então é sempre um processo muito natural o de composição. O único problema que tivemos surgiu mesmo por conta dos prazos na pandemia, porque os vocais entram por último na produção. Tudo bem que poderíamos ter gravado de nossas próprias casas, mas isso comprometeria um pouco a qualidade de som. Ainda bem que deu tudo certo, não fomos muito afetados pela pandemia. Se ela tivesse início antes, certamente teríamos um problema, pois não sei se teríamos sido capazes de finalizar o álbum. Então, tivemos sorte de termos terminado quase em cima da hora. Gostamos de estar sempre renovando, inovando em nosso repertório, por exemplo, em seus vocais, Simone gosta de conduzir os blends e vocais do coro, de forma que o tom de sua voz se mescla com o coral, fazendo com que este soe mais próximo de seu timbre vocal. Na faixa "Kingdom of Heaven", há uma parte do coro que entra abruptamente e, quando estávamos no estúdio, Yoast chamou a atenção para o fato de que, em meio a tantas batidas, Simone estava muito distraída pela melodia e não conseguia acertar o tom, assim decidimos apenas deixar como estava. O detalhe é que não era algo assim tão desafiador, por se tratar de uma harmonia simples... No geral, a única parte desafiadora para Simone na gravação deste álbum foi o momento da gravação em circunstâncias incomuns, pelo registro ser efetuado em vários estúdios diferentes. No Sandling, onde trabalhamos como se fosse nossa segunda casa, bem no início da pandemia, tínhamos amigos de outras bandas circulando por lá, entretanto, tudo começou a ser cancelado, o que trouxe problemas financeiros para muitos e aí nos preocupamos com o futuro da música."

A pandemia foi mais um desafio para a banda, desta vez emocional e portanto, foi difícil se desconectar de suas consequências e se concentrar apenas na música. "No começo estávamos pensando que nossa turnê seria em outubro e que o álbum seria lançado em setembro, estávamos seguros. Mas fomos muito ingênuos e, se passamos algumas noites sem dormir, estes foram os desafios... Significava a finalização da letra, da melodia e tudo parecia ser do jeito que deveria ser. Ficamos muito felizes em provar os vocais e foi um pequeno desafio encontrar estúdios diferentes... Na sessão de demonstração, sentimos a escrita como realmente era, parte do trabalho do qual temos muito orgulho. Quando se está convencido sobre o que quer que se esteja fazendo, isso torna o trabalho muito mais fácil".

Por possuir um gosto musical muito amplo, peculiar, Mark já sofreu algumas críticas mas, no entanto, ele se posiciona com uma pessoa de mente aberta, que ama a música, pouco importando a qual gênero pertence, se ele gosta da melodia, dos vocais e se encontrar com aquela canção uma conexão, está tudo bem. Ele não se envergonha em dizer que gosta de ouvir também cantores da cena pop ou do jazz, adora as canções de filmes da Disney, etc. Frequentemente recebe feedbacks positivos, sempre que realiza a consulta acerca de possíveis influências para novos trabalhos. Os fãs participam ativamente, gratos pela gentileza e carinho da banda em ouvi-los.

Em relação a um álbum solo, Mark gostaria de gravar um dia, entretanto, neste momento, está totalmente voltado ao trabalho e aos desafios com o Epica. Mark também adora trabalhar com outros músicos, trazendo inovação, como no trabalho com o Arne Domnérus, um músico sueco muito competente. "Há muitas ideias sobre o que fazer vocalmente e é por isso que, um dia, ainda pretendo utilizar essas ideias, futuramente, em um álbum solo. Neste momento, o Epica é prioridade, juntamente com minha família. Acredito fortemente que, o que tiver de ser, será... É a lei da atração, as coisas vão acontecer na hora certa e, enquanto eu tiver voz, continuarei cantando metal, que está em meu coração, assim como poderei, por vezes também, cantar jazz ou clássicos... Bem, veremos o que o futuro reserva!".

A interpretação do conceito de Ômega em sua capa mostra uma mulher segurando uma chave de ouro e alguns homens, dentro de um labirinto, onde se percebe certa movimentação no sentido de sair. Assim, podemos perceber a vida como um labirinto onde às vezes nos perdemos, e há uma chave, que pode auxiliar-nos a encontrar a saída, o caminho de volta, de forma que devemos buscar por isso. "Quando trabalhamos com Stephen Heilemann novamente para a arte desta capa, ele está trabalhando conosco desde ?The Classical Conspiracy´ de 2009, você observa no topo um carinha, que na verdade é uma pequena mulher. Este é a esposa de Stephen, que frequentemente é um modelo para as formas femininas de suas obras... Em um dos versos ?a vida é um labirinto, encontre seu caminho para casa´ então, todo mundo tem esse labirinto dentro de si próprio... Às vezes, ao tentar navegar, nos perdemos dentro do rio e nos sentimos como se nos afogássemos, tendo de lutar, precisando ficar focados, sem se distrair e tentar alcançar a outra extremidade do labirinto, sendo espiritualmente iluminado... Então, é claro que sempre há muito simbolismo na arte, mas não gostamos de "dar tudo", permitir que se esgotem as possibilidades de interpretação... Acreditamos que essa é a maior beleza da arte, o fato das pessoas poderem interpretá-la à sua maneira".


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