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Coberturas de shows

Ratos de Porão e Krisiun no Tropical Butantã

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Publicada em 06, Jun, 2017 por Fabiano Cruz

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De pouco tempo pra cá, por causa da crise política e moral que se abateu no Brasil, a economia desestabilizou drasticamente afetando a todos setores, inclusive o cultural. No meio de cortes e cancelamentos, muita coisa perdemos e outras ficaram tanto caras; mas nesse quadro ainda tem verdadeiros guerreiros que fazem o máximo para que o púbico de nicho mais fechado - os que mais são afetados - tenham alguns shows a ir. E o Tropical Rock Fest vem sendo desses festivais resistentes. Ano passado foi focado no Hardcore da linha mais melódica, sendo que o CPM 22 foi o principal nome do evento, para esse ano a produção apostou em nomes mais extremos: Ratos de Porão e Krisiun, sendo que ambas preparariam apresentações especiais ao evento.

Na sexta feira tipicamente paulista, fria e úmida, o evento começaria as 22:00 e iria pela noite toda, e no horário com uma casa ainda tímida de público, a banda convidada Paura abriu a noite. E abriu com louvor; um dos nomes do Hardcore que vem sendo cada vez mais respeitada, a banda foi fulminante nos 45 minutos dispostos a ela. Divulgando seu recente trabalho Tameless, a banda foi coesa e afinada sobre o comando dos vocais de Fábio Prandini em canções como The Privilege e Truth Hits Hard. O som limpo - porém em alguns momentos soou pouco embolado - foi a perfeita abertura a tímidos pits e mosh, aquecendo a galera presente.

Sem muita demora e no horário, a casa de repente lota com pouco mais da metade de sua capacidade, e sem cerimônia e com maior naturalidade possível, Ratos de porão já chega com os "dois pés no peito". João Gordo anuncia que será algumas comemorações como os 30 anos de Cada Dia Mais Sujo e Agressivo, disco clássico da banda, tocando sons como Sentir Ódio e Nada Mais; e na pegada surpreendente "thrasher" e com um peso absurdo, a banda também comemora seu lendário disco ao vivo lançado em 1992, a 25 anos atrás, fazendo releituras de Mad Society e Ascenção e Queda. Particularmente esperava um Ratos de Porão mais largado e mais punk em palco: ledo engano. O que vi foi uma banda coesa e firme - mesmo que Gordo e Jão mostrassem fisicamente cansados pela vida de excessos e idade - absurdamente pesada e agressiva, sem perder a "sujeira" do Punk, suas raízes, porém um tanto burocrática em palco, longe dos lendários shows caóticos da banda. Depois das comemorações, a banda intercalou sons clássicos como Beber Até Morrer com sons mais novos, como Prenuncio de Treta e Sangue & Bunda. João Gordo falou pouco, mas suas palavras diretas doendo a quem doer no mínimo arranca umas risadas, como na hora que xingou quem incoerentemente é do movimento Punk e Hardcore e apoia "pastores políticos filhos da puta" e logo em seguida chamando por Exu Caveira e Exu Pimenta. A banda - a única a fazer um bis - faz com uma pancadaria só Aids, Pop Repressão (numa intro inusitada meio "jazzística" - aos moldes dos Ratos, claro) e Igreja Universal. Que pedrada!

E da mesma forma que encheu do nada, a casa esvaziou do nada; claramente muitos estavam ali só pelo Ratos de porão, uma pena, pois perderam um dos maiores nomes do Death Metal na só brasileiro, mas sim mundial. Dessa forma os grandes pits deram lugar a pessoas "bangando" e prestando atenção no show, pois o Krisiun preparou um set extremamente equilibrado entra antigas músicas de seus primeiros discos - o foco da apresentação - com canções mais atuais que já viraram clássicas do Death Metal. Isso já foi mostrado com a abertura de Kings of Killing, uma pedrada fenomenal. O trio em palco é ensandecido é uma experiência única de se ver; a qualidade técnica e os arranjos das músicas são tão absurdas que parecem estar uma banda com cinco ou seis integrantes fazendo a apresentação, não somente três. Ao lado de Dogma of Submission e Combustion Inferno foi interessante ver uma banda voltando a suas raízes e ver como soam hoje Aborticide (In the Crypts of Holiness) e Hunter of Souls, sem esquecer clássicos como Conquerors of Armageddon. Alex Camargo falou pouco ao público, mas palavras certeiras como a atual situação do pais, completando muito dos desabafos de João Gordo, ou sobre a importância que o Krisiun alcançou mundialmente - hoje talvez sendo ao lado de Sepultura o maior nome do Metal nacional fora do país; e seu baixo completa com perfeição os arranjos e deixando livre Max e Moyses Koslene para destruírem em seus instrumentos, com destaque ao Max que teve um solo de bateria precedendo a cover de Ace of Spades (que até dispensa dizer de quem é...). O ponto alto da apresentação - se é que teve tamanha uniformidade e força da banda ao vivo - foi a participação de João Gordo nos vocais em Extinção em Massa, música que o Krisiun gravou com a participação dele em The Great Execution; que pancadaria! E cômico com João Gordo desabafando "essa música é foda pra caralho de cantar". Sem bis em nada, a banda fecha magistralmente com Black Force Domain deixando os - infelizmente já poucos - presentes de boca aberta.

Mesmo com um ar underground, o evento faltou um pouco mais por parte das bandas e público algo mais... "selvagem". E se tratando de nomes como Ratos de Porão e Krisiun, anos de carreira e profissionalismo, lendários por shows caóticos, essa noite ambas bandas e parte do público foram um tanto burocráticas; mas mesmo assim o som - destacando que o trabalho da casa deixou o som perfeito numa qualidade ímpar - apresentado foi algo que remeteu muito às raízes de ambas bandas, com antigas músicas em roupagens mais atuais, mostrando o quanto evoluíram. E uma organização da produção também primorosa: poucos eventos nacionais do tipo dentro do seguimento do Heavy Metal realmente tem o profissionalismo que a produção, a casa e a assistência de imprensa teve nessa noite. Pontos negativos? O público que compareceu pouco e a maior parte foi para ver Ratos de Porão, que teve no momento deles a casa mais cheia que nas outras bandas; um pouco o horário, começando as 22:00 terminando as 03:00 da manhã, mas para um festival, mesmo que pequeno, isso nem podemos reclamar. Que venha em 2018 mais um Butantã Rock Fest com a qualidade que esse teve!


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