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Roger Waters: The Wall Live

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Publicada em 03, Apr, 2012 por Marcia Janini


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Rompendo tradicionais paradigmas da música e das artes visuais, Roger Waters trouxe para o palco do estádio do Morumbi em São Paulo a reprodução em versão atualizada, com os mais modernos recursos da cenotécnica, o filme “The Wall” de 1982, onde o público estimado em cerca de 45 mil pessoas, se viu literalmente como espectador e atuante de todo o processo da linha de ação dramática.

Após a belíssima introdução, em meio ao show pirotécnico ofertado por sinalizadores vermelhos, ergue-se plataforma no proscênio para a marcha do “exército” com suas bandeiras desfraldadas, cascatas de fogos iluminam a cena para êxtase e admiração dos fãs, projetadas das gambiarras do urdimento e da boca de cena...

A apresentação prossegue com a execução de “When the Tigers Broke Free (Part I)”, homenageando soldados e personalidades públicas mortas na luta pela paz, com projeção de breve histórico em formato de fichas e fotografias na estrutura do muro, parcialmente construído, num momento denso e introspectivo do show.

Surgindo do urdimento, helicóptero paira suspenso no ar, iluminando fracamente o proscênio... Na lateral direita do palco, surge a figura ameaçadora do severo professor, aos acordes clássicos e cadenciados do baixo e bateria contundentes de “Another Brick on the Wall”... No ciclorama, surge projeção de fábrica cercada por altos muros guarnecidos de arame farpado, simulando campos de concentração ou prisões... Simultaneamente, imagens de trabalhadores em insalubres condições e exploração do trabalho infantil surgem na estrutura do muro, sobre fundo vermelho sangue... Num dos momentos mais intensos da apresentação, crianças carentes atendidas pelo Instituto Baccarelli surgem em lindas evoluções coreográficas, dando voz ao afinadíssimo coral das crianças oprimidas por um sistema educacional falho e excludente... Digna de menção a sincronia perfeita entre os movimentos arrojados e cheios de atitude da coreografia e o brilhante trabalho de técnica vocal demonstrados! Impactante!

“In The Flash” homenageia Jean Charles de Menezes (brasileiro brutalmente assassinado pela desastrosa ação da polícia no metrô londrino em julho de 2005) e todas as vítimas do terrorismo de Estado espalhadas pelo mundo... Finalizando a canção, a melodia arrefece em dinâmica, transformando-se em triste dobre de finados, em mais um emocionante momento do show!

Uma das baladas mais doridas, representando todo o desencanto de um mundo onde as relações sociais estão em franca decadência “Goodbye Blue Sky” surge revestida de uma aura densa, onde o muro continua sendo construído aos poucos, em meio às projeções de frases de protesto, observadas por câmera de vigilância estilizada no ciclorama, causando a desconfortável impressão de esmiuçar até os mais recônditos segredos do cotidiano das pessoas... Próximo à finalização da canção, as mensagens são de incentivo e alento à luta por justiça e igualdade social, alem de repúdio a famoso reality show exibido mundialmente como fator de violência, ao se confinarem pessoas apenas para satisfazer a curiosidade desenfreada de um povo que a cada dia perde mais e mais a sua identidade e respeito à individualidade, ao subjetivo...

“What Shall We Do Now” projeta com seus aviões a crítica ao mundo semiótico utilizado para rotular, massificar e conduzir as massas ao consumo desenfreado, onde os mísseis revelam símbolos de tendências político-partidárias, religiões e conglomerados multinacionais...

Numa visível atitude de protesto contra a exploração da mulher profissional, social, familiar e sexualmente, as imagens mostram a violência de gênero em perturbadoras imagens, onde ao passo em que lindas modelos traduzem o mito da mulher objeto, garotas prostituídas e violentadas por arcaicos e excludentes modelos de segregação religiosa no mundo desfilam nas projeções ao som da agressiva e insidiosa “Young Lust”.

“Stop” projeta cenas de noticiários de todo o mundo, confrontando os telejornais que alienam as massas ao maquiar as notícias, satisfazendo as vontades de governos tiranos e despóticos pelo mundo, onde em meio aos estilhaços, a sonoridade dissonante e extremamente experimental para a época soa livre, rompendo mais alguns padrões dentro da linguagem musical...

Após o intervalo, Roger Waters surge literalmente confortável, sentado em sofá instalado em sala que se projeta da estrutura do muro, numa inspirada interpretação de “Comfortable Numb”, onde se observa toda a sua enorme técnica vocal e seu timbre diferenciado em mais um grande momento do show!

“Run Like Hell” traz para o público seu maior momento de comunicação com Waters, onde todos se vêem ao mesmo tempo representantes e representados ao realizar o “abate” do javali inflável, com mensagens de protesto em português e espanhol customizadas, ao passo em que o intérprete simula a violência militar ao usar um rifle de repetição... Mais um momento decisivo na apresentação...

Em meios aos samplers eletrônicos e às enfurecidas guitarras distorcidas Waters dita com auxílio de megafone frases e palavras de ordem à multidão, com auxílio de um megafone, simulando um despótico ditador em “The Final Cut”... A canção decresce no andamento, variando para vocal fraseado com suave acompanhamento de teclados em suspensão e banda marcial incidental... Assinalando suave cadência de ópera buffa, surge a figura do juiz inquisidor em melodia de acordes e modulações arrojadas, inusitadas, traduzindo a genialidade que beira à loucura do personagem Pink... Assim, ao som de “Outside the Wall”, o muro é derrubado, em grand finale!!! Incrível!

Despedindo-se o público, a banda entoa grito de torcida, cantando ainda uma suave canção final...

Percebemos assim, a atemporalidade de “The Wall”, ao tratar de temas polêmicos que continuam na ordem do dia, mesmo após transcorridas três décadas de seu lançamento... Sem dúvida, uma das mais importantes obras já criadas, não apenas no universo do rock, mas na história da música!


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