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Entrevistas

“Cuelho de Alice” em foco

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Publicada em 02, Jun, 2007 por Marcia Janini

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De maneira descontraída, no dia 17 de maio, o vocalista e band leader Paulão (já conhecido por seu trabalho ’A Banda das Velhas Virgens’), concedeu a esta equipe entrevista na tradicional cachaçaria “Terra Nova”, reduto da banda na região de Tucuruvi, zona norte da capital paulista.

Musicão: Como surgiu a idéia de criar a banda Cuelho de Alice?
Paulão: Eu estava insatisfeito com alguns problemas de relacionamento entre os integrantes do “Velhas”, daí pensei em montar uma outra banda, pois componho bastante e queria fazer um trabalho diferenciado do “Velhas”, mesclando diferentes elementos da música brasileira em letras que tratassem de questões como amor e relacionamento humano de forma mais introspectiva, menos explícita, como nas letras do “Velhas”. Assim, retomei também o baixo, além dos vocais, e falei com o Fábio Haddad e o Neto Botelho, que produziram discos anteriores do “Velhas” e sempre trouxeram dicas muito especiais ao nosso trabalho. Em seguida, começamos a ensaiar e esboçar este novo trabalho. Criamos inicialmente uma estética e logo surgiu a oportunidade de participar de um festival de novas tendências da TV Cultura. Foi muito legal, teve uma boa divulgação e através da “força” obtida no festival, gravamos o “Samba Russo”, o primeiro CD do “Cuelho”. Deu muito certo, auxiliou até nas questões com o “Velhas”, os momentos de comunhão ficaram bem melhores após o surgimento do “Cuelho”.

Musicão: Quais são os próximos passos, agora?
Paulão: Agora que já atingimos o objetivo principal, vamos pra estrada, divulgar o CD. Agora estamos aí com uma nova formação, porque o Neto e o Fábio saíram por motivos pessoais, queriam dar continuidade a outros projetos etc. Colocar essa banda no palco foi muito difícil, nem todo mundo entra no clima assim, de cara. Foi um projeto paralelo e eu lutei muito, porque queria que as pessoas assimilassem a idéia. Assim, o CD foi gravado com uma banda tecnicamente mais habilitada e estamos tocando com uma banda mais enérgica, mais habilidosa no palco. Espero fazer exatamente o mesmo que com o “Velhas”, tocar no maior número de lugares possível, conquistando o maior público possível e continuar divertindo a todos.

Musicão: Fale um pouco sobre a mudança de estilo das letras.
Paulão: Tentei trabalhar nas letras com a fusão entre samba e rock, utilizando temas ligados ao samba e ao amor de uma maneira menos óbvia. Tem a ver nas influências e na sonoridade com Marcelo D2, Nação Zumbi, Bezerra e Moreira da Silva, enfim, procurei buscar o peso do heavy metal com a batucada da escola de samba. Sempre quis fazer essa misturada, só que não dava para incorporar ao trabalho do “Velhas”, daí a necessidade urgente de criar o “Cuelho”.

Musicão: Como você analisa esse processo de democratização da música, onde todos os estilos se fundem, sem o preconceito que havia anteriormente?
Paulão: As pessoas começaram a descobrir novas coisas e a molecada começou a ver sem preconceitos essas fusões. Antes era uma questão de não fusão mesmo entre vertentes de um mesmo estilo, no rock, quem tocava punk, não se misturava com o pessoal do metal e vice-versa. Com o passar do tempo, as fusões entre MPB e rock começaram a se tornar mais constantes, e as pessoas hoje consomem de tudo sem preconceitos e tudo virou uma grande parceria. Acho muito positivo.

Musicão: Nas suas canções, tanto no “Velhas” quanto no “Cuelho”, é tema recorrente os relacionamentos humanos, em especial, os de cunho sexual e afetivo... Como você vê a questão da sexualidade hoje?
Paulão: A história de ficar sem compromisso é um grande progresso, mas daí para a transa, propriamente dita, vai uma grande distância. Os jovens, em especial os ligados a alguma doutrina religiosa, ainda vêem o sexo como um tabu, não é como nos anos 70, a questão da liberdade total... Mas estamos caminhando para um desapego de padrões determinados em outras épocas, que já não condizem com a realidade de hoje.

Musicão: Quais são os planos para o próximo CD do Cuelho?
Paulão: Conversei com o Germano Mathias, pois quero fazer um disco de metal na fusão com o samba de breque, misturar os pesos, extrair o máximo dessa musicalidade.

Musicão: Como é tocar com uma banda como o Cuelho numa cidade do interior, por exemplo?
Paulão: O discurso deve ser diferenciado, mostrando mesclas interessantes. Coisas que o público perceba melhor sem inventar muito, pois se o público não perceber a mensagem, vira as costas e vai embora. Dessa forma, o Reginaldo Rossi, o Gino e Geno e o Teodoro e Sampaio são boas influências, em especial, ao trabalho do “Velhas”, mostram como nós uma musicalidade divertida, repleta de duplo sentido, por causa da hipocrisia ainda existente na sociedade, que não permite que se falem as coisas abertamente.

Musicão: Quais são as influências musicais mais marcantes no trabalho do “Cuelho”?
Paulão: A banda mineira Virna Lise e Zeca Baleiro exercem uma influência forte.

Musicão: Você já pensou em unir no mesmo palco as duas bandas, Cuelho de Alice e A Banda das Velhas Virgens?
Paulão: Sim, temos a idéia de fazer o “Velhas Fest”, juntar as duas bandas e apresentar também as bandas dos outros integrantes, como as do Delito e do Caio, numa mistura entre o metal, o chorinho e o partido alto, realizando um super acústico.


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