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Entrevistas

A Banda das Velhas Virgens em xeque

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Publicada em 21, Apr, 2007 por Marcia Janini

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Momentos antes de subir ao palco, Paulão e banda concederam gentilmente entrevista a esta equipe onde, de maneira informal e descontraída, nos falam de sua carreira, dos planos futuros e do panorama atual da música, além do lançamento de seu sétimo álbum.

Musicão: Vocês já completaram vinte anos de carreira. Analisando este momento, o que mudou desde o início na música e nas atitudes da banda?
Paulão: Há vinte anos éramos mais sérios, mas sempre falamos dos aspectos físicos, carnais da vida. Buscamos ser “politicamente corretos”, mas percebemos que a vida real é bem diferente da retratada pelas pessoas, então, continuamos irreverentes e brincamos bastante com esses conceitos, num equilíbrio entre nós e os “politicamente corretos”, pois onde há o certinho, também deve existir seu contraponto.

Musicão: A banda sempre foi totalmente independente, underground... Entretanto, vocês já lançaram um álbum por conceituada gravadora...
Paulão: Sim, lançamos o nosso segundo CD pela Velas. Na época eles queriam lançar muitas bandas, criando um selo de rock dentro da gravadora, numa tentativa de inserir-se também neste segmento. Entretanto, não aconteceu nada e o selo não decolou. Mas depois o relançamos e este álbum conta com várias participações, entre elas, do Ultraje a Rigor e Rita Lee.

Musicão: Como vocês vêem este momento de sua carreira?
Paulão: Estamos numa fase de retorno às origens, a nossa experiência, de um ponto de vista, ficou mais presente neste novo trabalho, pois estamos elaborando mais algumas melodias, alguns timbres, sem a pretensão de inventar muito, de realizar grandes “passagens” musicais. Voltamos inclusive a trabalhar com o produtor de nossos dois primeiros discos, que nos deu toques preciosos, nos ensinou muitas coisas, nos mostrou que o importante é passar o recado, a intenção e que o resto é firula, totalmente dispensável. Encerramos o processo de gravação das canções com as idéias bem definidas. Antes, utilizávamos bases de rock sem muitos experimentos. Como também sou baixista e o principal compositor da banda, o nosso trabalho sempre teve uma cara meio reta, direta, umas levadas toscas, sem finalização mais precisa. Agora passei a bola para os outros músicos e o trabalho cresceu em qualidade, vem com todo mundo rebatendo, discutindo e percebendo o que fica melhor. Além disso, baixamos os custos de produção para vendermos mais barato, sem perder a qualidade. Os próprios fãs pediram que fizéssemos este álbum utilizando o formato dos dois primeiros. Então, abusamos da brasilidade nas letras, com influências que vão até Bezerra da Silva e seu partido alto.

Musicão: Como foi o trabalho de produção do primeiro DVD?
Paulão: Foi tudo muito chorado, corrido pra fazer o DVD, juntar dinheiro para a edição, tudo. Gravamos na comemoração de nossos vinte anos de carreira e vamos colocar trechos de shows realizados em nossa trajetória. Um que constará do DVD e que gostamos muito de fazer à época, foi em Salvador. Será lançado até o meio do ano, já está todo pronto, é só finalizar algumas pequenas coisas.

Musicão: Vocês estão sempre fazendo shows pelo Brasil. Quais são os períodos em que trabalham mais?
Paulão: Bem, realmente estamos sempre trabalhando, mas na época de Carnaval, percebemos que a agenda de shows dava uma decaída, só atingíamos uma boa média a partir de março, então, para solucionarmos o problema, colocamos marchinhas carnavalescas em nosso trabalho e inclusive lançaremos em breve um Cd com esta proposta, como o “Carnavelhas”. A temática deste trabalho é a cidade de São Paulo, onde retratamos a vida de nossa cidade, que amamos, apesar de todos os problemas que apresenta, meio que como se fosse a mulher da gente (risos). Falamos então dos botecos, dos bairros e tudo o que acontece... Ele sairá até outubro. Uma das faixas é a “Turnê do Chopp”, que descreve as principais choperias de São Paulo.

Musicão: Qual é a média de apresentações anuais?
Paulão: Realizamos por volta de 100 shows, a média é mais ou menos essa, porém, depende, é meio relativo, pois havia épocas em que fazíamos ensaios abertos e aí a proporção subia para 120 apresentações.

Musicão: Como vocês analisam seu trabalho?
Paulão: As pessoas acham que música deve ser filosófica, mas o fato é que não existem assuntos melhores, mais pertinentes aos seres humanos que as relações entre homem/ mulher e sexo, assim, traduzimos isso de uma maneira que as pessoas entendem.

Musicão: Vocês também realizam trabalhos em paralelo...
Paulão: Sim. Para o lançamento de um novo modelo de automóvel da Nissan, nós criamos uma banda baseada nos anos 70, a The Uncles, que foi inventada só para promover o produto. Produzi o comercial, mas agora vou me afastar, visto que o projeto foi finalizado, mas foi tão legal criar uma banda só para isso e o trabalho foi tão bom que futuramente, podemos estudar esse lance de realizar um revival anos 70. Eu acho que as pessoas, assim como eu, não devem sentir vergonha de trabalhar em coisas paralelas com o objetivo de buscar fundos para patrocinar seus sonhos e para se manter com dignidade, desde que você esteja trabalhando honestamente, mesmo que fora de sua linha ou área de atuação.

Musicão: Recentemente, foi lançado um livro contando a história da banda... Fale-nos um pouco sobre este trabalho.
Paulão: A idéia foi do Cavalo. Sempre pensamos em fazer um manual pras pessoas não tropeçarem nos mesmos buracos pelos quais passamos e algumas das crônicas contidas no livro, são de situações que realmente ocorreram conosco.

Musicão: A vendagem de CDs, a quantas anda?
Paulão: Nestes vinte anos de carreira já estamos beirando as 200.000 cópias vendidas só na independência, no circuito underground.

Musicão: Como é o processo de composição das músicas?
Paulão: Em geral, eu componho as canções e assim, vou fazendo relações entre a música popular e o nosso trabalho, traduzindo as influências para o rock e mesclando os vários estilos.

Musicão: Quais são os planos futuros da banda?
Paulão: Nosso propósito é tocar onde dá... Se rock é visual, é festa!

Musicão: Por falar em visual, você é cuidadoso, cria todo um estilo para se apresentar...
Paulão: O visual é importante para o público.

Musicão: Finalizando, fale-nos um pouco sobre a cena musical independente.
Paulão: Os artistas independentes são mais interessantes, tem mais qualidade que os da mídia porque trabalham pela paixão, não pelo H, para tocar o que está fazendo sucesso no momento e para cumprir protocolo de gravadora. O meio underground é realmente bem mais criativo e interessante, entretanto a grande mídia e as gravadoras lançam muita tranqueira no mercado apenas com o intuito de lucrar.


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