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Entrevistas

“Trovadores de Bordel” na berlinda

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Publicada em 08, Feb, 2007 por Marcia Janini


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Após divertidíssima apresentação, os trovadores falam sobre suas vidas, os planos para o futuro e fazem interessantes divagações sobre a vida quotidiana, nesta entrevista concedida à nossa equipe.

Musicão: Ainda existe espaço na agenda de shows de vocês? Estão recebendo muitos convites?
Geléia: Então, estamos agora realizando uma mini turnê que se iniciou hoje e encerra dia 10 de maio, no Club Vegas.

Musicão: Fale-nos um pouco sobre o primeiro Cd, o “6 Motivos Para Ser Preso”.
Geléia: Ele foi lançado de maneira totalmente artesanal, produzido, mixado e gravado por nós mesmos. É gravado em CD-R, a capa é confeccionada em impressora de computador comum, porque nenhum selo ou gravadora interessou-se em “bancar” três mil reais para lançar independente. Bem, mas já tínhamos um gancho para este trabalho, realizamos de 10 a 12 shows no período de um ano.
Douglas: E o mais importante, não perdemos a nossa raiz, o que geralmente ocorre com outras bandas, mantivemo-nos fiéis às nossas influências e à proposta.
Cris: Colocamos tudo no liquidificador, as influências que todos trazem consigo e vemos no que dá.
Douglas: Independentemente de cada um gostar de um ritmo, a fusão de tudo isso, todas essas vertentes, foi importantíssima, decisiva para o nosso trabalho.

Musicão: Como surgiu a idéia de abrir o show com declamação de poesias?
Geléia: Bem, o André é um poeta urbano “maldito”. Mas não houve nada combinado com antecedência, encontramos ele na porta, trocamos algumas impressões, convidamos e ele aceitou de pronto. Aliás, agora faremos algo de diferente para abrir cada show, porque existem muitas pessoas por aí esperando por uma oportunidade de serem ouvidas... Todos têm algo importante a dizer e pretendemos ilustrar nossos shows abrindo esse espaço... Qualquer um pode participar, o único critério de escolha é que seja um poeta “maldito”, um renegado, só não aceitamos poesia melosa, o resto, pode vir qualquer coisa... (risos).

Musicão: Quanto à receptividade do público, como vocês se sentem?
Geléia: Ainda é um experimento, pois não nos enquadramos em nenhuma classificação padrão do rock. Não somos metaleiros, nem tocamos hard core, muito menos somos clássicos, nos aproximamos mais das loucuras e experimentos novos, atuais, do conteúdo junkie. Assim, até para o público fica difícil entender o que acontece, mas é muito bom ver que o nosso som “inclassificável” agrada e diverte a quem ouve, pois é esse o objetivo do trabalho.
Samuel: Quanto mais diversificado o público, é melhor para nós, pois é bom saber que agradamos a vários gostos e estilos. Quando tocamos em um festival de ska aqui no circuito, todas as bandas que se apresentaram tinham base no metal, mas não havia nada de igual entre as bandas.
Geléia: Não foi por acaso que garantimos nosso espaço por aqui, pois todos são formadores de opinião e provêm de bandas underground de referência, uma vez que ainda existe muito lobby, panelinhas etc. A tônica do meio underground é esta, tem que estar entre amigos ou então pára de tocar.

Musicão: Como está sendo feita a divulgação do CD?
Geléia: Através do My Space e via flyer, nos estúdios de tatoo, e a divulgação realizada na Galeria do rock e em meios culturais, pois há integrantes da banda que trabalham ou têm acesso direto a estes lugares. Estamos trabalhando com base numa turnê fake, para aguçar o interesse das pessoas em ouvir, conhecer o som.

Musicão: Fale um pouco sobre o panorama do underground atualmente.
Geléia: São Paulo está com uma cena boa. Em um ano, a Augusta se transformou de zona de baixo meretrício em rua do rock, do alternativo, do underground. As próprias pessoas estão ouvindo mais rock. “Borracharia” e “Orbital” eram as únicas casas no estilo, agora ficou mais democrático, não está condicionado à vontade de terceiros, hoje podemos escolher as casas em que queremos tocar, porque já há espaço para isso, antes você não escolhia, a casa te achava e chamava ou não, a democratização favoreceu o surgimento e a divulgação de várias noivas bandas.

Musicão: De onde vêm as idéias para compor as canções?
Geléia: A temática geralmente é autobiográfica, sempre satirizamos alguma situação ocorrida conosco mesmos ou com algum parente, amigo, conhecido. E todas as canções meio que “brincam”, dá pra fazer uma analogia direta com alguma música consagrada, basta que as pessoas apurem e treinem os ouvidos que dá pra perceber, bem disfarçado no meio da melodia ou da letra. Além disso, é interessante que todo mundo acaba se identificando com alguma das canções... Quem já não foi traído ou abandonado por alguém que amava? Quem já não se meteu em grandes confusões por causa de um mal amigo? Quem aqui, nunca tomou um porre daqueles e passou da conta? (risos).

Musicão: Conte-nos alguma curiosidade do histórico da banda.
Geléia: Conta aquele “barraco” que aconteceu num certo show... (risos).
Samuel: Bem, eu tenho o vício de filmar todas as nossas apresentações. Belo dia, estávamos tocando no Juke Joint e minha namorada estava filmando o show pra gente, até que chegou uma turma de franceses que ficaram por ali, meio que rondando a minha namorada e tentando entabular conversa... Num dado momento, percebi que um dos caras estava passando do limite e chegando à inconveniência. Não tive dúvidas, larguei a bateria e pulei do palco em cima dele...
Cris: E “comeu” o “figura” na “porrada”, no meio do show... (riso geral).
Geléia: Já entrou de “sola”, dando soco duplo no sujeito... Inventou um novo golpe do “telequete”... (risos). Mas resolveu a questão e depois subiu no palco e continuou a tocar como se nada tivesse acontecido... (mais risos). Além dessa tem mais outra piada, essa é a melhor... Gravamos o nosso CD com seiscentos reais... (risos). É só comprar o Pro Tools e gravar em casa!!! E tem pessoas se matando pra pagar uma fortuna... (risos). Bem, mas não podemos deixar de agradecer ao Clayton Martins, uma pessoa que não deturpou o nosso trabalho, produziu exatamente do jeito que a gente queria. Ele faz parte do mundo underground e já trabalhou com bandas como Detetives, Ostras e Cidadãos Instigados.
Samuel: Não podíamos entregar este trabalho para qualquer pessoa, porque muitos produtores modificam totalmente o teu trabalho, vide o caso da banda Surto, que tinha um estilo, seguia uma linha e agora está praticamente irreconhecível graças à imposição de um produtor.

Musicão: Quais são as expectativas com o lançamento do primeiro CD?
Geléia: Trabalhar, divulgar, tocar muito, ficar com a agenda de shows cheia. Quando chegamos ao nível de ter vários shows marcados, é reflexo de que estamos realizando um bom trabalho, um trabalho de qualidade. Há pessoas que já andaram nos procurando, querendo conhecer melhor... Também esperamos que aumente cada vez mais a confluência de público, que a repercussão seja cada vez maior e que recebamos muitos convites.

Musicão: Deixem sua mensagem para os leitores.
Geléia: Parem de ouvir os “enlatados” das gravadoras, procurem conhecer coisas novas. Esperamos que quem conheça, se identifique e se divirta com a nossa música, tanto quanto nos divertimos em fazê-la.


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