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Entrevistas

Dark Tranquillity: Pesados e inovadores a cada disco

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Publicada em 02, Jun, 2010 por Musicao


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Considerado um dos grupos mais influentes do cenário do Metal Mundial dos últimos tempos, o Dark Tranquillity aproveita o lançamento do excelente álbum We are the Void para realizar mais uma extensa turnê pelo Mundo e que, no próximo mês, desembarcará pela primeira vez no Brasil.

Durante a entrevista, o eximio guitarrista Niklas Sundin falou da receptividade do novo trabalho, os shows pelos EUA, as comparações com os compatriotas In Flames, a expectativa pela estreia no Brasil, etc.

<i>por Costábile Salzano Jr</i>

<b>We are the Void é um excelente álbum. São características do som conseguir combinar o equipamento experimental do Projector, o peso do Damage Done, com a atmosfera do Haven. Como você trabalhou nas novas músicas para chegar a este som peculiar?</b>
Obrigado! O método de trabalho atual não difere muito de nossos álbuns anteriores. Nós praticamente tivemos o mesmo processo durante os últimos 20 anos. Todos os integrantes inventaram riffs básicos e ideias em casa, e então levamos o material para a sala de ensaio para transformá-lo em músicas de verdade. Nós realmente nunca planejamos com antecedência todo álbum; ele se compõe quando iniciamos o processo.

<b>Qual é a receptividade do material até agora em comparação ao anterior, Fiction?</b>
A resposta tem sido geralmente muito positiva - especialmente na Suécia, os comentários foram os melhores que já recebemos - mas é claro que é impossível para qualquer banda com uma longa história satisfazer a todos. We are the Void é um pouco diferente e as canções demoram um pouco para você se acostumar e apreciá-las plenamente. Fiction foi muito mais direto e óbvio.

<b>No Fiction, as letras focaram em pessoas fictícias e imaginárias. Neste novo álbum, você voltou a escrever sobre si mesmo, como você costumava fazer? Por que você gosta mais de escrever letras pessoais?</b>
Eu não tenho certeza qual a visão do Mikael mas, na minha opinião, as letras do We are the Void são mais egocêntricas e universais. Isto se reflete no contraste "I am the void / "We are the void".

<b>Por muitos anos, o Dark Tranquillty e o In Flames tiveram carreiras bastante comparadas, muito por causa do Anders Friden e também pelo surgimento das duas bandas acontecer na mesma época. Quais são os seus pontos de vista sobre este assunto?</b>
Honestamente, eu não tenho muita opinião sobre isso. O pessoal do In Flames são bons amigos e eles fizeram algo surpreendente com sua carreira, mas sempre fomos duas bandas muito diferentes. Havia muitas coisas comuns na época - Mikael cantava no primeiro álbum, eu escrevi as letras para dois deles e Anders tocou bateria em algumas músicas do Subterreanan - mas por um tempo ficou muito chato quando as pessoas constantemente nos comparavam, mesmo havendo um milhão de bandas com sonoridade similar ao In Flames, mais do que a nossa.

<b>Durante os últimos anos, a Suécia tem ditado as regras da cena atual de Metal. Como você pode explicar este fato e por que tantas novas bandas de qualidade estão surgindo do seu país de origem?</b>
Eu realmente não concordo que há muitas bandas boas na Suécia. O gosto de cada pessoa é diferente, mas a maioria das bandas suecas não me interessam muito. Normalmente, elas têm grande musicalidade, mas nenhuma visão artística real ou foco. A razão para a quantidade de bandas pode ser o padrão material relativamente elevado, mas só estou especulando.

<b>De 1989 até hoje, quais foram os momentos mais importantes na carreira do Dark Tranquillity? Por quê?</b>
Eu acho que conseguir o primeiro contrato seria o evento mais importante, no que diz respeito à carreira. "Skydancer" fez as coisas realmente decolarem no momento do lançamento e ele nos levou de uma banda underground para uma banda que lançou um álbum de verdade, o que não era comum na época.

<b>Quando você decidiu fundar o Dark Tranquillity, qual era seu objetivo? Você esperava ter uma recepção tão grande rapidamente?</b>
Nós não tínhamos quaisquer objetivos senão tentar nos divertir e sermos criativos. Nenhum de nós podia tocar nossos instrumentos quando começamos, por isso até mesmo gravar uma demo ou fazer um show ao vivo parecia irreal.

<b>Ao contrário de várias bandas, o line up do Dark Tranquillity não mudou muito. Por que?</b>
Nós somos frequentemente questionados sobre isso e eu realmente não sei. A única resposta seria que nós nos conhecemos bem e temos uma boa dinâmica de banda e de cooperação. Todos contribuem para a música e temos algo a dizer, e todo mundo tem os pés no chão, sem qualquer ego de rockstar.

<b>Como você se sente sabendo que são capazes de influenciar a música de tantas novas bandas?</b>
Não é algo que pensamos muito. Naturalmente, nos sentimos lisonjeados mas, ao mesmo tempo, isso realmente não nos afeta.

<b>Como as mudanças no Heavy Metal nas últimas décadas modificou o som do Dark Tranquillity?</b>
Pergunta complicada... Eu acho que as mudanças na tecnologia de gravação são o principal fator. Alguns dos primeiros álbuns foram gravados em fita, 100% analógicos, enquanto os posteriores são digitais. Isto não tem qualquer efeito sobre a composição, mas é a única mudança geral eu posso pensar que tem afetado nosso som.

<b>Por que você decidiu relançar os álbuns Projector (1999), Haven (2000) e Damage Done (2002) em uma versão de luxo?</b>
A gravadora precisava fazer reimpressões de qualquer maneira, então nós pensamos que seria uma boa ideia adicionar todo o material que foi gravado ao mesmo tempo, mas que por um motivo ou outro não foi incluído nas versões originais dos álbuns.

<b>Qual foi o momento mais curioso na sua carreira até agora?</b>
Houve muita loucura e caos, por isso é difícil escolher um único momento. É provavelmente o momento geral de criar algo que mexe com muitas pessoas e ser capaz de viajar pelo mundo.

<b>No ano passado, você lançou o DVD Where Death is Most Alive. Como você trabalhou para este lançamento? Você está feliz com os resultados e o feedback?</b>
Com certeza! Foi tudo o que esperávamos e muito mais e o feedback foi surpreendente. Mesmo aqueles que não gostam da nossa música admitiram que é um dos DVDs ao vivo mais profissionais que já ouviram, por isso estamos felizes. Todo o projeto levou muito tempo, mas certamente valeu a pena.

<b>Como está indo a turnê pelos E.U.A?</b>
Está indo muito bem. Muita gente nos shows e uma boa atmosfera. Fizemos quase metade da viagem E.U.A./Canadá e agora estamos a caminho de Toronto.

<b>O que o público pode esperar da primeira vez do Dark Tranquillity no Brasil? Certamente, os fãs podem esperar algo especial, não é?</b>
Claro que sim! A primeira vez é sempre especial! (muitos risos) Sério, nós esperávamos tocar no Brasil há muito tempo e ficamos desapontados que nossa turnê anterior pela América do Sul não pôde incluir seu país, por isso estamos ansiosos para fazer um show verdadeiramente especial.

<b>Vocês gostam de futebol? Na época que vocês estiverem tocando na América do Sul, a Copa do Mundo estará acontecendo ao mesmo tempo. Como você se sente já que a Suécia, mesmo com alguns bons jogadores, não foi classificada? Acredito que será uma experiência interessante, não acha?</b>
(risos) Desculpe, mas não tenho nenhum interesse em esportes. Sinceramente, nem sabia que a Copa do Mundo estava chegando. Alguns dos outros caras da banda tem grande interesse pelo futebol, então eles provavelmente tem planos de assistirem quantos jogos forem possível, mas eu não.

<b>Quais são os projetos futuros da banda?</b>
Bem, a prioridade agora é tocar ao vivo, e o restante de 2010 está praticamente lotado. Depois de chegar em casa na Suécia, nós temos festivais por todo o verão, antes de embarcar em uma grande turnê pela Europa.

<b>Deixe uma mensagem aos fãs.</b>
Obrigado pelo apoio! Vejo vocês em breve!


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