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Entrevista com Vanguart

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Publicada em 25, Mar, 2009 por Renato Bras


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Na última segunda-feira, dia 23 de março, o Vanguart lançou seu novo CD/DVD ao vivo “Registro Multishow Vanguart” e a equipe do Musicão estava lá para conferir, leia abaixo uma entrevista descontraída com Helio Flanders falando, dentre outros assuntos, sobre o lançamento, as composições e muito mais!

O Vanguart é uma banda nova no cenário nacional e tem se destacado dentro da cena neo-folk, junto com outros nomes, quais suas principais influências?
Hélio: Cada integrante tem as suas influências pessoais, mas podemos falar que no geral seria rock dos anos 60 até 90, nós meio que paramos no tempo nos anos 90, não temos ouvido muito bandas novas, porém o principal mesmo é anos 60, Beatles, Ludovic, Dorival, Jobim e pra citar as 3 línguas principais, o argentino Luis Alberto Spinetta. Também ouvimos muita musica instrumental e jazz.

Novo lançamento da Banda, no DVD, existe um cover de “O Mar”, de Dorival Caimmy, qual o processo da banda para decisão de realizar um cover?
Hélio: Não diríamos que é um cover, e sim uma versão... sempre fazemos brincadeiras com musicas de outros artistas nos shows.

No início da banda, a mídia como um todo não entendia qual a proposta da banda, lançando releases mega curtos e “obscuros”, sem falar qual o estilo musical, e dando como fonte inspiradora Juddy Garland, colocando a banda num patamar entre a música pop e a nova onda do folk, que hoje é extremamente notável, como a mídia vê hoje vocês?
Hélio: Os jornalistas gostam da banda. Difícil eles verem alguma critica ruim sobre as musicas, o que às vezes é ruim, pois não sabem quando o jornalista está sendo falso ou verdadeiro. Já aconteceu de lerem críticas horríveis que eles viam que era coisa pessoal do jornalista contra eles, essas até nem ligam, algumas vezes até lemos críticas negativas, mas construtivas, mais sinceras, que ajudam a aprimorar o trabalho, Hoje os jornalistas já se ligaram no “novo jornalismo”, com uso de internet e tal, mas uns 30% ainda são das antigas, com visões antigas das coisas, e não entendem o momento histórico da música, não entendem a nova MPB, mas existe esperança no jornalismo musical, já me arrependi de muitas coisas que falei para blogs e até para veículos maiores, por ser sincero demais, mas espero segurar a onda, a internet aproximou muito os artistas dos fãs, você pode ouvir qualquer coisa sem aquela fórmula da industria musical, os artistas e gravadoras precisam mudar a postura, ninguém é Deus para ficar trancado no camarim, acho horrível aqueles artistas que encerram o show, entram no carro e já vão para o hotel sem ter a proximidade com o público. Isso é fundamental.

O Vanguart é uma banda de Cuiabá, como anda a cena musical por lá, considerando que o grande pólo musical concentra-se em SP?
Hélio: A cena de Cuiabá é forte na questão de festivais e coletivos de música nova, a nova MPB. Existem várias bandas autorais, que com o auxilio da internet conseguem ser diferentes do que está acontecendo hoje na cena musical nacional. No Brasil todo existem essas ‘mini-cenas’, com seus festivais próprios, com suas peculiaridades. Seria como foi Seattle nos EUA, o próprio vanguart vem deste cenário, e ele é formado por ex-integrantes de 5 bandas totalmente com sons totalmente diferentes que existiam entre 2000 e 2001: Douglas Godoy (acid jazz), David Dafre (hard rock), Helio Flanders (glam rock com direito a maquiagem, imagine isso em Cuiabá. risos), Reginaldo Lincoln (grunge) e Luiz Lazarotto (pop-rock). A história do Vanguart é da seguinte forma, Hugo, líder da banda e vocalista, foi quem deu o nome à banda, ainda quando era apenas um projeto solo, que era apenas ele, cantando com violão e tecladinho, gravava as músicas e apresentava aos amigos, a banda tem o som hoje devido à reunião dos 5 integrantes, se tiver um deles sair ou acrescentar um novo integrante, as composições já não ficam a mesma coisa. No início da banda, já com os 5, o Hélio costumava dar muita opinião ainda no que cada um adicionava às músicas, o que tornava o processo “quadrado”, já que sempre tinha a mão dele. Quando resolveu deixar cada um livre para opinar, foi que a coisa começou a fluir, contando as músicas com opiniões de todos, apesar de quase todas as letras ainda serem dele. Cada membro é importante para a banda, justamente pelas influências individuais, e assim trazer antíteses para a banda. Hugo, líder da banda e vocalista, foi quem deu o nome ainda quando era apenas um projeto-solo, que era apenas ele, cantando com violão e tecladinho, gravando as músicas e apresentando aos amigostemo hoje esse som devido à reunião dos 5 integrantes, com a saída de um ou acrescentando um novo integrante, as composições já não ficam a mesma coisa. No início da banda, já com os 5, apenas um dava sua opinião, o que tornava o processo “quadrado”, já que sempre tinha uma única mão. Quando resolvemos deixar cada um livre para opinar, foi que a coisa começou a fluir, contando as músicas com opiniões de todos, apesar de quase todas as letras ainda serem de uma única pessoa, cada membro é importante para a banda, justamente pelas influências individuais, e assim trazer antíteses para nós. Existem vários exemplos na história musical de trocas de músicos, a maioria bem-sucedida, mas invariavelmente, o som muda, acreditamos que para uma troca de vocalista, é necessário encontrar O cara para o posto, existem poucos bons exemplos disso, como AC/DC e Iron Maiden, no Brasil o Barão Vermelho, em outros casos, é necessário trocar a fórmula da banda para que uma troca de vocalista seja bem sucedida, como a Nação Zumbi e o Forgotten Boys, que recentemente perdeu seu membro mais emblemático e adicionaram um baixo e um percursionista à banda.

Sobre o fato de a banda possuir um nome em inglês, vocês acreditam que isso facilita a divulgação e reconhecimento do nome?
Hélio: Nunca pensei sobre isso. A intenção inicial como disse antes, era apenas compor e passar as músicas para os amigos, quando montamos a banda realmente, após um período de “retiro espiritual” de 9 meses na Bolívia, é que pensou “agora estamos fazendo música de vanguarda”, mas o nome já existia antes.

Vocês acreditam que o público da banda hoje tem curiosidade em conhecer mais sobre os artistas que os influenciaram?
Hélio: Talvez pesquisem, talvez não, é importante pelo menos conhecer Beatles, Bob Dylan, ficaria lisonjeado em saber que consegui aproximar as pessoas desses artistas, mas de preferência a fase menos conhecida, como por exemplo, a “fase negra” do Roberto Carlos, até 76, antes dele ter se transformado no Julio Iglesias brasileiro.

Qual a opinião da banda sobre o mercado informal da música, a pirataria e a internet?
Hélio: A indústria fonográfica como um todo precisa ser repensada. Precisa analisar caso a caso com gravadoras e artistas, venda de musica pela internet, divulgação, mudança de costumes, hoje é o momento que as gravadoras precisam ver o que fazer, e espera-se que elas venham com novidades de venda para o público, e não o contrário, e mais que isso, em 2 anos, vai precisar ser repensado novamente. O Vanguart é uma banda de internet, e no começo incomodava esse rótulo, mas o contrato com a Universal Music trouxe uma gama imensa de possibilidades, viagens pelo Brasil, divulgação, exposição, coisas que sendo uma banda independente não tínhamos, com essas ferramentas conseguimos possibilidades reais de fazer sucesso, mas não é porque temos um contrato, que o sucesso seja garantido, esperamos continuar gravando discos e não olhar para trás sem se arrepender de coisas que tenha feito.

O Vanguart foi uma banda que fez um ótimo uso da internet, como vocês a usam hoje como canal de divulgação?
Hélio: A internet foi fundamental pra banda, divulgamos muitas musicas para download e é legal ir para os lugares mais estranhos do país e todo mundo cantando nossas músicas, somos internautas e usuários de internet para tudo. Até comida pedimos, mas ainda sou avesso ao twitter. Não tenho e não pretendo ter por um bom tempo (risos)

Pergunta que não quer calar: vocês foram convidados para o Just a Fest? A banda chegou a ser divulgada como uma das atrações e no fim saiu do line up, o que aconteceu realmente?
Hélio: Vou falar a única verdade sobre esse assunto: estávamos gravando o DVD, e recebemos uma ligação, sendo avisados que saiu num site que iríamos participar do Just a Fest, até então não sabíamos de nada, ligamos para nosso empresário que também ainda não sabia sobre isso, depois para a gravadora, que afirmou estar negociações para isso, no final das contas o negócio não foi concretizado e foi uma pena que tenha vazado a história antes de ter acontecido qualquer coisa efetivamente, gostaríamos muito de ter tocado ao lado de uma banda clássica como o Kraftwerk.

Vocês acreditam que, em um futuro não muito distante, podem ocupar o lugar dos Los Hermanos?
Hélio: Os nossos fãs gostam deles, temos o mesmo perfil de ouvinte que eles, musicalmente não somos parecidos, talvez quanto às composições, na questão de fazer música despretensiosa.

As composições da banda são autorais, viagens, histórias?
Hélio: Eu estudei letras, ok, entre aspas, eu freqüentei as aulas (risos) e foi curioso escrever as letras e as pessoas dizerem que elas são rebuscadas, não vejo isso, mas sim, são coisas do cotidiano, olhando hoje para elas. Sempre começo a escrever as letras e no final acabo incluindo sem perceber alguma história do nosso cotidiano. Agora percebo que nunca tinha falado sobre isso, tem coisas de momento da vida... Sinistro... Cuiabá é foda!!!.... Por exemplo, já li jornalista falando sobre a música “Semáforo”, poxa, para mim é tão fácil, ela fala sobre verdades absolutas, são metáforas, Rembrandt, por isso que uma parte dos jornalistas não entende o que está acontecendo hoje musicalmente...


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