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Entrevistas

Jota Quest fala sobre álbum ´La Plata´

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Publicada em 04, Nov, 2008 por Anderson Oliveira


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Em entrevista concedida com exclusividade à equipe do Musicão em hotel em São Paulo, o grupo mineiro Jota Quest fala sobre seu novo álbum, "La Plata".


Antes de tudo, o site Musicão lhes parabenizam pelo lançamento do novo álbum, La Plata, com lançamento no MySpace da banda. Vamos começar falando desse disco, do processo de produção e curiosidades.

Nesse álbum vocês contaram com a participação de nomes renomados da música nacional, além de participações especiais, em La Plata o termo ”divirta-se” está bem nítido no decorrer dos álbuns, com faixas dançantes, que oscilam entre o funk e a música eletrônica. Com essa variedade, qual a importância da presença de nomes como Liminha e Nelson Motta na produção do álbum?

Marco Túlio: O Liminha é um evento, algo extraordinário, e ele já teve tanta liberdade com a gente, e vice-versa, foi quando ele chegou em Belo Horizonte e fez todo trabalho em um estúdio nosso, o que tornou algo realmente especial, ele faz parte de toda história da música pop brasileira e rock nacional, isso tornou, para nós, algo muito tranqüilo de se fazer, já havíamos feito outras coisas em outros trabalhos, a diferença foi que, em La Plata, ele chegou na reta final, dividindo a produção conosco, que devemos entender como o polimento de todo o trabalho, desde o início até a concepção final, esse é o ponto crucial de nossa parceria nesse álbum.

E a participação dele, que já ocorreu em outros álbuns, sempre foi um desejo de vocês, já que no novo disco vocês também conseguiram trabalhar com Nelson Motta, qual a importância disso tudo para vocês?

Rogério Flausino: Nós trabalhamos juntos com o Liminha durante as gravações do disco “Discotecagem Pop Variada”, bem parecido como foi esse, ele trabalhou o álbum inteiro após as gravações, finalizou, após isso fizemos o “Ao Vivo MTV”, onde ele organizou tudo, desde o processo de gravação até o repertório, depois veio “Até Onde Vai”, que é o disco que consideramos feito, por completo, com o Liminha, ele veio até nosso estúdio em Minas Gerais e fizemos todo o processo de gravação, composição e mixagem. Já em “La Plata” nós voltamos a fazer como em “Discotecagem Pop Variada”, fizemos grande parte do processo e ele veio finalizar o álbum.

Já com Nelson Motta, a única participação dele no nosso último álbum é na co-autoria da música “Ladeira”, foi a letra que ele fez par essa música. Com certeza gostaríamos de estar com ele mais tempo, falar com ele, trabalhar com ele, porque ele é um cara com muitas histórias, um cara genial na história da música brasileira, e sim, gostaríamos de ter feito muito mais coisas com ele ao longo do tempo.

Nesse caso ele veio até Belo Horizonte, nos encontrou, passamos o dia juntos, ouvimos muita música, levou algumas bases para casa e fez a letra de “Ladeira”, fez a música realmente “casar” com as nossas melodias e agora podemos nos orgulhar de dizer que temos algo com o Nelson Motta (risos).

Em “La Plata” existe a participação de Ashley Slater, grande ícone da black music, como vocês conseguiram isso? Sintetizando em “La Plata” todo o groove característico do Jota Quest com elementos eletrônicos, vocês criaram, com ele, um dos melhores momentos do disco, foi fácil o contato com ele? Qual a importância de Ashley em “La Plata” e isso pode ser considerado uma realização?

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Rogério Flausino: Realização total! Além de estarmos nos encontrando com um cara que é nosso ídolo, que é uma das maiores influências da nossa carreira, principalmente naquela fase inicial, e ouvimos o material do Ashley até hoje, o contato foi feito com ele há um ano e meio pelo PJ e ele se mostrou interessado desde o início a colaborar, enviamos nosso som e ele gostou muito, mas nós atrasamos muito na produção do disco, e como inglês é muito metódico, acreditávamos que ele jamais toparia trabalhar conosco, já que havia avisado que só poderia trabalhar com o Jota Quest em uma determinada época. Algum tempo depois o próprio Ashley enviou um e-mail de volta falando “E aí, não vai rolar mais não? Eu quero conhecer aí, nunca conheci nada no hemisfério sul”, foi exatamente na época em que estávamos já com a intenção de finalizar o álbum, partir para as decisões finais, não sabíamos como ele iria reagir, qual a personalidade dele e o que fazer. Quando Ashley veio vimos um cara realmente bacana, super descontraído, extremamente talentoso, além da música que tínhamos bolado com ele fizemos mais quatro coisas, e, além disso, Ashley vai vir para cantar com a banda em SP e no RJ no mês de novembro, colaborando em algumas faixas, além do trombone em “Paralelepípedo” e mais duas faixas que ficaram guardadas com a banda.

Realmente incrível, aguardamos ansiosos por essa apresentação! Nós do Musicão achamos realmente interessante essa idéia de disponibilizar o álbum completo primeiro no MySpace, gostaria de saber a opinião da banda, hoje, sobre a internet, o Jota Quest é um “amigo da internet”? No website da banda é notável que vocês utilizam todos os canais digitais possíveis, como MySpace, Twitter, Orkut, Flick e Blog, qual a opinião do Jota Quest sobre essa polêmica envolvendo a internet?

PJ: Cara, a gente é bem amigo, fomos questionando e pesquisando todos os dias essas novidades na internet e é estranho, nós que somos uma banda mais rodada, que vem do tempo em que só existiam lançamentos em CD, que quase pegou o disco de vinil – quando lançamos nosso primeiro disco acabou o vinil! Chegamos a ver estampado em vinil a capa do primeiro álbum – e quando vemos hoje essa variedade, vemos que as bandas independentes acabam na nossa frente com relação à internet, porque eles têm muito mais conhecimento nesse tipo de ferramenta do que nós, por exemplo. Por isso tentamos sempre correr atrás disso, ficar ligado em todos os tipos de canais, o que é necessário fazer, e é por aí mesmo, a tendência da música é ser cada vez mais digital, ninguém vai garantir que o próximo álbum da banda vai ser mesmo em CD, por exemplo, de repente “La Plata” pode ser o último disco em CD do Jota Quest?

E o resultado, verificando o MySpace da banda, é realmente incrível, embora existam aquelas pessoas que pretendem captar o álbum e disponibilizar para download, vemos que a quantidade de page-views na página é extremamente alto!

PJ: Com certeza, e só pra completar esse assunto, é a interatividade que isso gera, nós colocamos o disco no MySpace, pouco tempo depois você já tem inúmeros posts falando disso, falando de cada faixa, o que o cara está achando, já existe discussão para sabe qual vai ser a ordem do show, da forma que o Rogério vai ser comportar em relação a tal música. Esse tipo de reação nos torna mais íntimo do nosso público, ficando até mais fácil para a banda trabalhar.

Falando agora de música eletrônica, nós vemos um Jota Quest cada vez mais dançante, o Rogério teve participação no CD de Layo & Bushwaka e no Life Is A Loop, gostaria de saber se é o objetivo da banda é agregar cada vez mais novos elementos para o som, assim como o Jamiroquai, e se podemos considerar isso uma evolução?

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Marco Túlio: É realmente difícil dizer isso, na verdade nem 100% um ou outro, acreditamos que, quando se fala em música eletrônica a primeira coisa que temos em mente são as festas, os DJs e os elementos tradicionais, acreditamos que a música eletrônica hoje representa algo muito diferente disso. Para nós, a música eletrônica hoje em dia representa uma sonoridade sintética e que se funde perfeitamente com vários estilos, como o rock e tudo aquilo que nós escutamos, vemos muitas bandas hoje que tem em seu som vários elementos sintéticos, e isso para nós é como ver a música eletrônica flertando com outros estilos, o pop o rock, no nosso ponto de vista é exatamente isso que temos em “La Plata”, a música eletrônica flertando com o pop-rock do Jota Quest, da mesma forma que o som não deixa de ser aquela mistura entre o groove e o rock, que a gente fez exatamente no primeiro disco, mas nesse esse somatório é muito mais evidente, com ingredientes eletrônicos, essa coisa sintética, experimentamos muito em estúdio, você vê várias novidades nas linhas de baixo do PJ, o uso de sintetizadores, tudo com o objetivo de criar uma textura diferente e contemporânea, que achamos muito interessante, e é nossa intenção, que é fundir realmente tudo isso, buscar aquela pegada rock e ao mesmo tempo aquele aspecto dançante, criando um som contemporâneo.

É estranho até para nós vermos isso no disco novo, nós acabamos de lançar o disco, estamos vendo tudo ainda de dentro para fora, até ontem era nosso, agora é de todos, então tínhamos uma opinião e hoje existem várias, então é digerir e compatibilizar com todas o verdadeiro conceito do disco.

Voltando um pouco no tempo, na década de 80 o rock nacional ficou conhecido por possuir nichos de bandas, tínhamos as bandas de Brasília, as bandas do Sul, Minas Gerais também revelou muitas bandas, porém elas não seguiram um determinado eixo, trazendo para o país diversos estilos, é possível dizer que o estado possuiu uma cena musical além daquela conhecida como o Clube da Esquina?

Rogério Flausino: Nos anos 80, é incrível, nós não tivemos uma banda, naquela explosão da música mineira, não existiu uma banda de lá que realmente representasse o estado na cena rock, tivemos o 14 BIS, que foi uma banda que, com o final do Clube da Esquina, entrou na década de 80 fazendo algum barulho, mas ela não fez parte da nova geração, ficando os anos 80 inteiro sem ter ninguém. Só no início dos anos 90 que veio o Skank e o Pato Fu, e nesse trem que estava passando em Minas Gerais nós entramos no último vagão, e estamos aqui até hoje, com isso é difícil dizer que tivemos uma “cena”.

Marco Túlio: Sim, nosso disco já é de mais da metade da década de 90 (1996).

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PJ: Uma coisa interessante que aconteceu em Minas Gerais nos anos 80 e que foi diferente do resto do Brasil, é que o pop estourou no Brasil e em Minas foi o heavy metal, nós tínhamos a gravadora Cogumelo Records, que colocou gente no mundo inteiro, tendo o Sepultura como grande representante disso, Overdose, Sarcófago... foram muitas bandas de metal e eu, que gostava muito de ficar ali vendo o processo de composição e gravação em estúdio, fica vendo muito essa galera do metal. Uma coisa inacreditável, eu sei, mas o tecladista do Skank, o Henrique, já gravou com o Sepultura e gravou com inúmeras bandas de metal, é surreal imaginar ele fazendo isso hoje!!

Marco Túlio: Mas existiu uma cena em Belo Horizonte nos anos 80, mas infelizmente ela não vingou para todo o território nacional, acredito que o boom do rock aconteceu em todo país, mas assim como em outros estados acabou não saindo dali, o motivo disso já seria uma outra história, mas foi, sem dúvida, um embrião para tudo isso que aconteceu nos anos 90.

Vocês podem ser considerados uma banda veterana no cenário, embora não autorizadas, existem coletâneas do Jota Quest no mercado, vocês se consideram experientes o suficiente para lançar uma coletânea oficial?

Rogério Flausino: O que mais temos próximo de uma coletânea seria nosso disco ao vivo, mas não nos consideramos preparados para isso, acreditamos que futuramente, com mais bagagem, mais álbuns, isso será possível, mas no momento temos um DVD de clipes, um CD ao vivo e é o que mais próximo temos de uma coletânea, já vimos cópias de nossos álbuns com “o melhor de”, isso acaba sendo positivo para divulgação da banda, mas não é nosso foco no momento, hoje em dia é possível compilar os maiores sucessos e disponibilizar na internet, até para conhecerem a banda, mas não é o nosso foco agora.

Marco Túlio: Estrategicamente, nós da banda nunca pensamos em uma coletânea, mas já temos sucesso que poderiam preencher um disco, não aconteceu realmente porque a gente não quis, acreditamos que não está na hora, mas quando estivermos realmente vamos saber disso. Tudo o que está sendo divulgado nesse sentido é realmente extra-oficial, no momento estamos lançando um disco inédito e queremos curtir ao máximo isso.

Falando e baladas, o Jota Quest provavelmente marcou a história de inúmeros casais no Brasil e não são poucas as músicas que fizeram isso, “Fácil” foi e é uma das mais tocadas da banda até hoje, qual a imagem que o Jota Quest gostaria de ser lembrado hoje? Daquela banda extrovertida que colocou o país inteiro pra dançar, ou como a banda que criou baladas que marcaram a história da música nacional?

Rogério Flausino: Acho que é um misto disso tudo cara, acreditamos que tudo que está dentro dos nossos álbuns é puramente Jota Quest, mostra um lado que a banda tem, eu acho que pro grande público, pra quem consome, compra os nossos discos, ele pode ter um parâmetro melhor, até por conhecer todas as músicas, a cada disco nosso existem, normalmente, duas baladas e uma grande parte de músicas mais animadas, mas muita gente acompanha a história da banda por aquilo que toca no rádio, e a cada álbum você tem duas dançantes e duas baladas que serão executadas com mais freqüência; então a pessoa que ouve acaba lidando, da média de 15 singles que foram trabalhados durante a carreira, com uma gama maior de baladas, que acabaram marcando muitas pessoas. Gostaria de ser lembrado como uma banda que possui, indiferente de baladas ou músicas dançantes, como uma banda que tem muitas coisas legais, que lançou boas baladas, que fez muitos hits pra dançar, pra beijar, para tudo.

Marco Túlio: Na verdade, pensando nisso, eu não gostaria de ser lembrado assim não... (risos) Mentira, brincadeira, concordo com o Rogério.

Vocês participaram da trilha-sonora de um filme da Disney (O Mapa do Tesouro), esse é um foco que a banda gostaria de explorar mais daqui pra frente?

Rogério Flausino: Essa trilha da Disney, foi quando eu coloquei a voz em uma canção, depois fomos convidados, fizemos o som, tudo, rolou um evento especial de lançamento do filme inclusive, foi especial porque eles (Disney) chamaram pessoas do mundo inteiro para cantar, em cima da mesma base, na língua pátria de cada banda, então houveram versões da mesma música em espanhol, inglês, português... Mas essa coisa de procurarem a banda para realizar a abertura de um filme, ou de repente uma produção especial para algum trecho do filme, ou novela, isso realmente é algo legal, gostaríamos muito de fazer mais.

O Jota Quest é uma banda que canta em português, porém já fez excursões pelos EUA e Europa, existem planos de gravar em inglês para buscar novos horizontes fora do país?

Rogério Flausino: Esse é um conceito complicado, na verdade, pensamos que se isso acontecer, tem que ser um processo natural, nós já fizemos alguma coisa em inglês, já brincamos com o espanhol, o nome da banda já é metade português, metade em inglês (risos).

Marco Túlio: Acho que seria muita pretensão da nossa parte buscar algo dessa forma, ter uma carreira internacional, talvez seja uma realidade distante, uma banda como a nossa, que tem um alcance muito grande em nosso país, é realmente interessante buscar tocar dentro do nosso universo, que é o que a gente tem feito, existe um limite para se pensar em uma carreira internacional, ela é possível, porém é muito limitada.

Rogério Flausino: Uma coisa é você pegar, gravar em inglês e a coisa sair naturalmente, outra é você programar esse objetivo, fazer as malas, gravar em inglês e ir para lá e começar tudo de novo.

O que vocês pensam de bandas como o Cansei de Ser Sexy, que conseguiu muita evidência lá fora, considerando o idioma que eles produziram o primeiro disco, vocês consideram o sucesso disso uma obra do acaso ou um objetivo desde o início?

Rogério Flausino: Na verdade isso é algo que simplesmente acontece, ninguém, quando começa, grava de tal forma buscando algo tão grande, o Cansei de Ser Sexy é uma banda que, acima da própria linguagem, ousou no estilo, trazendo vários elementos pro som, e foram esses elementos, essa levada dançante, que cativou o público lá fora, o público europeu ouviu, gostou do som e poderia ser em qualquer idioma que chamariam para tocarem nesses lugares. Rolou uma identificação com o público de lá por toda cena que estava acontecendo e o sucesso deles foi algo natural, em virtude daquilo que tocavam, tanto que hoje nós vemos bandas novas que são, nitidamente, influenciadas por eles, fizeram escola e criaram um tipo de som, por exemplo, o Sepultura, que dominou o mundo cantando, não só em português, mas com vocais guturais, o mais interessante nisso tudo é que vemos que cada banda tem a sua história.

Há alguns anos aconteceu uma pesquisa em SP, realizada por uma rádio, onde seriam eleitas as piores músicas do país, o Jota Quest encabeçou essa lista com “Sempre Assim”, porém, o maior público de vocês é aqui, como a banda lida com a crítica musical de uma forma geral, já que esse tipo de pesquisa soa ambígua à realidade da banda?

Rogério Flausino: (risos) Na verdade esse tipo de situação é engraçada, o negócio é tentar ser o mais sucinto possível, nosso trabalho é fazer música de uma forma geral, canções, letras, novos álbuns, novas turnês, o trabalho da crítica é pegar tudo isso, dar seu ponto-de-vista, e ver se você fez tudo de uma forma coerente, ver se foi usada uma fórmula profissional, nós vemos isso de uma forma natural, somos sempre receptivos às críticas, da mesma forma que também analisamos se a crítica é pessoal, parcial, e isso também faz uma boa parte das críticas perderem um pouco do valor, mas esse também é o trabalho de vocês, nosso trabalho é, essencialmente, fazer música, até alguns dias atrás o nosso disco era só nosso, agora é de todos nós, então são vários formas de ver o mesmo objeto, então gente vai falar bem, vai falar mal, e nós estaremos sempre aqui para conversar, falar, elucidar dúvidas, é o processo natural das coisas.

Marco Túlio: É realmente engraçado esse tipo de pesquisa, há algum tempo eu vi uma pesquisa no Fantástico, da Rede Globo, falando que a música “Oceano” do Djavan, estava entre as mais chatas da música popular, que as letras eram consideradas as piores do estilo. Acabei achando aquilo um absurdo, ele é um dos maiores compositores da música nacional e é obrigado a ver esse tipo de coisa, é claro que você fica surpreso, mas a realidade é outra.

PJ: Acaba sendo tão estranho esse tipo de resultado que as pesquisas não falam nada com nada! (risos)

O Jota Quest era conhecido por todo seu lado extrovertido, hoje vocês têm uma postura mais séria, embora nunca tenha perdido a identidade, vocês acreditam que esse foi um processo de maturidade da banda?

Marco Túlio: Cara... tu tem filho? É casado? Isso faz uma diferença... (risos)

Isso faz toda a diferença! Mas na produção desse nosso novo clipe esse lado extrovertido está bem latente, com perucas, bigodes postiços, dançante, cheio de fantasias, foi uma grande festa, é um lado que marcou o Jota Quest e nunca ficou de lado, nós achamos que tava muito séria a coisa, então pensamos “vamos brincar de novo!”. Acreditamos que não seja algo que tenha a ver com maturidade, esse lado brincalhão é algo que nós nunca mudamos, continuamos com a mesma personalidade, mas passaram-se aí 12 anos, e nesses 12 anos nós vemos as coisas um pouco diferentes, uma certa responsabilidade, uma certa maturidade, certamente muito bem vindas, isso não significa que seja um grau de maturidade que se estabeleceu, mas o tempo realmente faz você ver as coisas de forma diferente, em que, em alguns momento, somos aqueles brincalhões de sempre, outra hora mais sérios ou simplesmente menos extrovertidos, mas não adianta, se você não tem filho, não é casado e ou tem um empresário como nós temos... (risos)

Vocês já dividiram o palco com nomes sagrados da música mundial, tocaram com Roger Waters, Santana, entre outros, qual seria o sonho do Jota Quest de dividir um palco, tocar no mesmo festival, abrir o show?

PJ: Na verdade esse processo de participar de um show dessa magnitude é complicado, não achamos muito legal isso, principalmente quando pensamos em abrir um show, pode soar um pouco prepotente no início, mas é complicado você abrir um show no Brasil para uma atração de fora, por maior que seja, nós chegamos num patamar que isso pode ser um retrocesso para nós, e o motivo é simples, principalmente aqui em SP, é comum virmos tocar aqui, então quem paga ingresso para ver uma atração de fora não quer ver o Jota Quest, já conhece as músicas, já viu ao vivo, não existe o que ser mostrado.

Rogério Flausino: Lá fora já é diferente, porque não existe esse conceito de hierarquia que os festivais possuem no Brasil, pela diversidade de bandas que tocam no mesmo evento, todas sempre têm algo para mostrar, então vê sempre uma novidade para o público, em vários festivais na Europa, nos Estados Unidos, é normal a atração mais aclamada não ser sempre o headliner, nós sempre buscamos participar de algum festival lá fora por esse tipo de experiência, é muita coisa nova e você mostra o seu trabalho para o público.

Marco Túlio: Esse lance de festival, lá fora, é legal, é diferente você ver nomes como o Bonnaroo, o Glastonbury, essa mistureba é simplesmente demais, mas pela prática que nós temos, se existe um show muito bom rolando aqui, é muito mais legal você ir para assistir, ir, curtir, não se expor naquela situação.

Rogério Flausino: Rio de Janeiro e São Paulo sempre vão ter apresentações do Jota Quest, então é realmente complicado pra gente tentar fazer parte de um outro evento onde o cara vai lá e paga caro pra ver algo de fora, isso é mais vantajoso para quem não tem tanta repercussão aqui, uma banda que precisa mostrar seu trabalho, essa é uma excelente oportunidade, mas no nosso caso, é realmente complicado, é algo que nos propusemos a não realizar.

Marco Túlio: Lá fora, mesmo que estivéssemos abrindo para uma grande atração em um mesmo lugar pela segunda vez, seria diferente, porque é uma nova oportunidade de conhecer o trabalho da banda, aqui não, você veria gente falando “Pó, mas eu já vi o show do Jota Quest mês passado”, então é complicado mesmo, existe todo um contexto para se participar de um evento desse tamanho.

Pensando em um aspecto técnico, hoje temos um legado que propõe que “para fazer boa música não é necessário saber tocar bem”, o Jota Quest é uma banda que prima pela técnica e sempre tem novidades sonoras, o PJ e o Marco são patrocinados por marcas como a MusicMan, o que vocês acham desse tipo de coisa no rock atualmente?

PJ: Na verdade cada caso é um caso, esse aspecto técnico é algo que nós sempre buscamos de uma forma natural, cada cena tem seu próprio momento, sua própria situação, não é possível condenar ou afirmar algo com precisão, nós, o Jota Quest, sempre buscamos esse tipo de novidade, mas não como objetivo, é um processo natural. A música não foi feita pra tocar de um jeito A ou B, então acho que isso tem muito a ver com o momento, com a identificação.

Marco Túlio: É estranho esse lance de técnica e virtuosismo, ele não é fundamental para uma boa música, no nosso caso é uma finidade que a gente tem e é bem-vindo, mas não é fundamental do mesmo jeito que nem toda banda precise ser assim, agradecemos a maneira como você vê nosso som, realmente gostamos de aprender, mas nos vemos a kilometros de distância do Rush, por exemplo, é um outro nível, um outro patamar, que é virtuosismo puro, mas isso não é fundamental para uma boa música, é legal ter, mas não pode ser primordial, temos o caso punk, Ramones, Sex Pistols, que não primavam pela técnica, mas foram fundamentais para a música, o The Clash, que embora fossem mais técnicos, não tinham isso como principal característica, nós buscamos sempre as coisas com naturalidade, não buscamos as coisas ao ponto de soar técnicos, mas de buscar novas sonoridades.

PJ: Um exemplo interessante é que normalmente associamos certos músicos com o instrumento, não necessariamente pela técnica, mas pela forma que ele toca, é como se botássemos um cara muito técnico pra tocar no Sex Pistols, não vai ser a mesma coisa, então cada um tem seu estilo e é legal embarcar nessa, às vezes você vê um cara tosco tocando e pensa “poxa, eu não consigo fazer igual” (risos)

Uma curiosidade de muitos fãs é “Qual o grau de fanatismo do Jota Quest por seriados antigos?”, você fizeram “De Volta ao Planeta” com referências óbvias, tem o nome da banda inspirado em um desenho... vocês são realmente fãs disso?

Rogério Flausino: Ah... demais, somos grandes fãs de todo tipo de desenho e seriados antigos, o próprio “Planeta dos Macacos” eu tenho tudo em VHS, aquela coisa clássica, desenhos antigos também, isso é algo que sempre fomos fãs e colecionamos o máximo possível, acho que o mais recente desse tipo de coisa foi o “Star Wars”, ainda assim, naqueles 3 primeiros volumes (risos)

Para finalizar, gostaria de saber o que podemos esperar do Jota Quest daqui pra frente.

Marco Túlio: Traçar um caminho futuro nesse momento pra gente é complicado, imaginar como vai ser o tipo de som daqui pra frente, é difícil dizer, é uma jornada que vamos dando os passos com calma.

Rogério Flausino: Acabamos de lançar um disco, então agora é todo um processo para curtir esse disco, cada CD é fruto de um momento, então nós mesmos estamos digerindo tudo isso.

Marco Túlio: Mesmo pra uma banda com uma história como a nossa, com 12 anos, com uma jornada já iniciada, achamos que temos muita lenha pra queimar por aí, olhamos para bandas por aí como o Paralamas e achamos fantástico como eles lidam com o passar dos anos, como eles conduziram tudo isso, e isso é um foco importante pra se dedicar, então é um caminho que vamos conduzindo colocando tijolo por tijolo, imaginando que temos 12 anos de carreira e estaremos aqui novamente daqui mais 12, com muito mais histórias pra contar.

O Musicão agradece a colaboração de vocês, obrigado pela entrevista e desejamos boa sorte nessa nova turnê, assim como parabenizamos pelo ótimo trabalho em “La Plata”.


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