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Coberturas de shows

Encontro das Tribos Circus Festival

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Publicada em 09, May, 2023 por Marcia Janini


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Nos dias 6 e 7 de maio, a Arena Anhembi em São Paulo recebeu o Festival Encontro das Tribos, evento voltado às vertentes urban, street e black da música.

Confira nesta resenha breve resumo sobre as apresentações de algumas das atrações do festival.

Atração do palco 2, a banda baiana 3030, muito bem representada pelo trio de intérpretes LK, Rod e Bruno Chelles inicia sua apresentação por volta das 15h00, trazendo seu som pautado nas modernas vertentes do reggae como o raggaeton e a fusão deste com outros estilos.

Trazendo a delicada cadência do charm, bem ambientada pelo DJ em viradas e skratches suaves, "Foda Que Ela É Linda" alia-se ao fraseado vocal ágil do rap desenvolvido pelo frontman. Também em cadenciado suave, a bateria se alia ao potente baixo.

Trazendo dedilhado delicado do violão de aço na introdução, "Expectativas" demonstra o acento gostoso da sonoridade latina aliado ao charm, nesta canção que apresenta também samplers em minimal na sonoridade criativa, em fusão com elementos do reggae.

Importante a alternância entre vozes, criando ambientações densas no vocal grave e aberturas interessantes traduzidas pelo vocal tenor. LK, Rod e Bruno se dividem em interessantes cânones para "Amor Bandido".

O Steel Pulse, clássica banda de reggae inglesa em atividade desde a década de 1970, sobe ao palco por volta das 16h00, trazendo o seu reggae de linhas clássicas, permeado pelos sintetizadores de Sidney Mills em samplers delicados, apoiando a força do refrão. Suave, percussão faz o acompanhamento, evoluindo apenas na finalização.

Com introdução do teclado de Selwyn Brown na junção com a potência do sax tenor denotando características jazzísticas à melodia, que ascende para o reggae raiz muito bem pontuado pelo vocal de David Hinds aliada a característica guitarra malemolente de Clifford Pusey e o baixo em dub, "Don't Shoot" faz deste um bom momento do show.

Em dedilhados suaves da guitarra, com predominância do baixo primoroso em dub step de Amlak Tafari na junção com a bateria suave de Wayne Clarke, a banda traz mais um gostoso e descontraído momento em sua apresentação ao som de "Babylon Makes the Rule". Digna de menção a linha melódica explorada pela guitarra dedilhada em desenhos únicos na conversão ao refrão.

Iniciando sua apresentação por volta das 17h00 ao som de "A Ilha", um reggae de linhas clássicas, Armandinho traz o instrumental gostoso da bateria cadenciada de Vini Bondan aliada à poderosa linha grooveira desenvolvida pelo baixo de Pedro Porto.

Carismático, o intérprete traz em seu fraseado vocal despojado toda a ensolarada aura de jovialidade para "Rosa Norte" uma canção deliciosamente cadenciada, onde a bateria de Bondan determina o gostoso andamento ralentado, tendo o baixo no contraponto e a guitarra de Luciano Granja em acordes solapados nas conversões ao refrão, explorando a clássica sonoridade do reggae.

Descontraída e suavemente dançante, "Eu Sou do Mar" trouxe mais um ponto alto da apresentação, seguida pela enérgica "Reggae das Tramanda".

Encerrando sua passagem pelo palco, Armandinho trouxe a delicada "Semente" uma balada suave, conduzida com propriedade no ukelele, denotando os doces acordes havaianos, para a letra bela e intimista.

Das mais aguardadas atrações da noite, a performática Glória Groove sobe ao palco por volta das 18h00, ao som de "A Queda" com forte aparato de cena, ambientando um cabaré parisiense. Com um belíssimo corpo de baile, coreografias inspiradas surgem.

Entretanto, o inusitado ficou por conta da ousada camerata composta por violino, viola, violoncelo e contrabaixo acústico trazendo a sonoridade erudita na fusão com o funk e o pop, bem conduzido pela percussão. Sax tenor se alia ao baixo trazendo acentos de vertentes black como o soul e o jazz para "SFM".

Trazendo o acento r&b "Greta" aponta a modernidade do funk carioca na letra ousada, seguida por "Sobrevivi" uma canção que traz na letra mensagens positivas de luta e superação.

A dançante "Coisa Boa" surge na cadência acelerada do funk em junção com o andamento e elementos do axé baiano, em uma sonoridade alegre, descontraída apoiando a irreverência da letra. Divertido!

Para "Apenas um Neném" balada na cadência do r&b com uma pitada de charm, surge um dos melhores e mais inspirados momentos da performance de Glória.

Atração do segundo dia no palco 2, Hungria sobe ao palco às 14h20, trazendo seu som pautado nas vertentes black do r&b, soul e charm, em canções suaves, com o gostoso toque brasileiro da MPB.

"Temporal" traz a maviosa sonoridade do violino, permeando a melodia pop, com elementos de r&b e samba, muito bem pontuado pela bateria precisa e enxuta. O baixo em doom no contraponto dá o toque de charme extra. No fraseado vocal, a boa modulação rápida de Hungria traduz a aura de atualidade no tom certeiro. Bom momento do show!

Relembrando o período áureo da soul music brasileira, a releitura descontraída para "Não Quero Dinheiro" (1978), clássico de Tim Maia encerra a apresentação.

Subindo ao palco 1 por volta das 14h50 do segundo dia de festival, o Mato Seco inicia sua apresentação ao som de "Pedras Pesadas" uma melodia na cadência do ska, com elementos de pop rock e sonoridade tribal explorada pela percussão.

Embasada no reggae tradicional "Mato Seco (Resistência)" surge trazendo o malemolente e ensolarado som expresso pelos metais potentes e pela bateria alquebrada de Tiago Rezende, os teclados de João Paz permeiam a melodia com graça em acordes suaves, em diálogo com a guitarra de Eric de Oliveira em dedilhados melodiosos. Baixo em doom de Júnior Ciziniauskas surge no contraponto à bateria, apoiando a cadência constante.

Com delicado acento charm na introdução, bem pontuada pelo teclado hammond, a balada "Vou na Fé" surge mostrando uma deliciosa e moderna versão da soul music brasileira. No firme e potente vocal de Carlos Gonçalves com predominância de agudos e modulações em grande estilo, se denota o intenso trabalho de pesquisa sonora da banda na composição. Charmosos os metais surgem permeando a melodia, denotando aura jazzística. Great!

No acento gostoso da MPB surge o dedilhado primoroso da guitarra de Eric de Oliveira, apoiando seu vocal descontraído para a divertida "Um Novo Lugar" que ascende para o reggae de linhas clássicas.

Homenageando Bob Marley and the Wailers, surgem as inspiradas releituras para "Natural Mystic" e "Punky Reggae", em mais um importante ponto do show.

Trazendo o verdadeiro reggae jamaicano, Dezarie traz seu potente vocal, iniciando sua passagem pelo festival às 15h40 no palco 2.

"Most High" traz no vocal forte acentos da sonoridade beduína, em meio ao reggae de raiz, seguida por "Don't Cry" que já inicia na suave cadência do charm, em vocalizes de rara beleza e modulações perfeitas para o timbre único e diferenciado da intérprete, apoiando o vocal, a melodia acena para o reggae de linhas clássicas.

Generosamente, Dezarie divide os microfones com sua afinadíssima backing vocal, assumindo sua função para que a brilhante voz de timbre único e aveludado da corista brilhasse em toda sua extensão. Respeito a gente vê por aqui... Sacada genial, trazendo importante ponto de verticalização para a linear apresentação.

Encerrando sua passagem pelo palco do festival nota para a beleza da balada "Stronger", no andamento ralentado embalando o precioso vocal cristalino de Dezarie, em solfejos e modulações extremamente técnicas, no mais profundo acento soul. Lindo momento da apresentação!

Subindo ao palco 2 cerca das 16h40, o Chase Atlantic chega trazendo seu som jovem e atual na execução de "Stranger Things" uma melodia na cadência do r&b, sampleada por um bom DJ, que traduz elementos do eletro rock em viradas precisas, para o andamento cadenciado do instrumental, bem ao sabor do pop.

Na sequência, "Beauty in Death" apresenta crossfader e outros recursos sobre o instrumental linear... Digno de menção o trabalho do baixo de Patrick Wilde em dub step, auxiliando a manutenção da cadência em junção com a bateria firme de Jesse Boyle. No vocal, o acento interessante e jovial de Mitchel Cave ambienta com propriedade a bem humorada letra.

Para a balada pop suavemente dançante expressa em "What You Call That" mais um bom momento da performance da banda na alternância entre os vocais de Mitchel e Christian Anthony, explorando modernos recursos de apoio vocal como o crossfader. Precisa, a bateria aponta conversões criativas e nada óbvias para o bom momento do show.

Subindo ao palco 1 às 17h50 o Planet Hemp surge contestador ao som de "Distopia" na fusão entre o pesado rock da rascante guitarra de Nobru Pederneiras e o rap do fraseado vocal de BNegão.

Na cadência do ska/punk a bateria forte de Pedro Garcia se alia à ágil guitarra da introdução ascendendo para o rap em fraseado vocal frenético de Marcelo D2. Permeando a melodia com graça, surgem os skratches do DJ ambientando a sonoridade street para "Taca Fogo".

Já na introdução o hino à irreverência "Dig Dig Dig (Hempa)" surge em frenético andamento, explorando o ska/punk da bateria e das guitarras ágeis. O também rápido fraseado vocal traz a devida aura de modernidade e ousadia, já característicos da banda.

Na cadência hardcore alucinante para a introdução, a melodia de "A Culpa É de Quem?" ascende para o punk de 2ª geração em sua versão mais clássica, mantendo a constante bateria cadenciada e o baixo de Formigão em doom no contraponto, apoiando a força da guitarra distorcida e do vocal preciso de D2.

Em meio às gigantes rodas de "pogo" que se abriram, surge o punk rock rebelde para "Deixa a Gira Girar" (ponto de religião afro transliterado em canção pelo trio "Os Tincoãs" em 1973) na mais inusitada e irreverente releitura. Bom momento de sinergia com o público, permeado pelo brilhante baixo segurando o andamento da melodia com a bateria.

Na cadência ácida do ragga com seu fraseado vocal ligeiro na introdução, após break estratégico continua a execução do grande hit "Legalize Já", marcando um dos principais momentos da passagem do Hemp pelo palco do festival.

"Zerovinteum" traduz a crônica musical que retrata a realidade do Rio de Janeiro, em sua beleza e na crítica aos inúmeros problemas sociais deste grande centro urbano, apoiado pelas divertidas viradas propostas pelo DJ em skratches vigorosos. Mais uma vez marcante, o baixo sobressai ao instrumental forte do r&b com elementos do rap e do reggae. Mais um importante momento do show!

Para a ácida "Jardineiro", a cadência marcante do ragga, seguida por "Cadê o isqueiro/ Quem tem seda?" na linha melódica do grooveiro baixo, explorando a sonoridade funk/soul de andamento ralentado e firme.

O festival contou ainda com a participação de nomes de peso como Wiz Khalifa, Pitty, Marcelo Falcão, Racionais MC's e Ice Cube, contabilizando mais de 24 horas de música em dois dias de celebração às vertentes urban, onde a tônica foi a irreverência e descontração nos sons da atualidade, unindo variados gêneros musicais.


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