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Leather + Raven na The House

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Publicada em 11, Jun, 2019 por Vagner Mastropaulo


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"Rock até você cair" e viva o metal oitentista, pois "nós sangramos metal"!

Mesmo quando o Hangar 110 era sinônimo de punk rock, por lá passavam artistas de outras vertentes do rock/metal. Desde que trocou de nome, o estilo foi representado por Ratos de Porão e GBH, em outubro último, e o ecletismo permaneceu abrigando Venom Inc., Fleshgod Apocalypse e Rotting Christ em 2019. Finalmente chegara a vez de celebrar o metal dos anos 80 com Leather e Raven esquentando fria noite de inverno paulistano. E, antes de tudo, uma leve confusão deve ser desfeita: o site Setlisfm chama o primeiro grupo de Leather Leone; o post oficial da produtora com os horários do evento batizava-o de Leather Leone Band; a capa de II, lançado em abril/18, traz apenas Leather, grafia adotada no texto e endossada por outro site de respeito, o Metal Archives.

Oficialmente o show do Leather começaria às 20:30, mas dez minutos antes do horário, seus músicos já estavam a postos, entre eles, Kiko Shred, guitarrista que acaba de lançar Royal Art, seu terceiro trabalho solo, e que fez uma checagem com a produção: "Mas é às 20:20 ou às 20:30?". Recebendo autorização para mandar ver, a banda puxou o acelerado instrumental de Juggernaut até Leather Leone entrar com tudo, mas com vocais de apoio de Vinnie Tex (guitarra) e Thiago Velasquez (baixo de cinco cordas), ambos no line-up da gravação de II. Fechando o time, na bateria, Marcus Dotta (Seventh Seal e banda nacional do saudoso Warrel Dane). Atrás de seu kit, a única decoração de palco, mesma estratégia usada pelo headliner: um bandeirão com o nome do grupo.

Curiosamente o setlist de palco trazia I Speed At Night como intro, possivelmente de Dio, mas com a verificação do horário, ela acabou não rolando e não deu para conferir. Pior mesmo foi a antecipação ter pego a galera do esquenta de canos curtos lá fora... ops, canos altos e calças curtas. Assim, apenas quarenta pessoas viam o conjunto de músicos brasileiros e Leather Leone desde o início, público que aumentou durante a performance e posteriormente chegou a uma quantidade digna para o Raven. Bem-humorada, ao anunciar The Outsider, a vocalista estranhou: "São Paulo, cadê todo mundo? É sexta!", repetindo o gracejo antes de Lost At Midnite fechar a mesma trinca de abertura de II: "Vocês vão ter que compensar pela falta de gente. Precisamos de barulho".

Ao descrever o que viria, a cantora citou as novidades desde o show no Manifesto em setembro/16: "É bom estar de volta, senti falta de vocês. Muito aconteceu, tenho muitas músicas e uma banda nova, espero que curtam. Acho que reconhecerão esta, mais antiga: We Bleed Metal", primeira do Chastain no set, banda que a projetou. Com início arrastado e escrita pela frontwoman e Vinnie, Black Smoke trouxe ar soturno e foi seguida de Angel Of Mercy, com dedicatória de Leather: "Essa é muito especial. Tocamos para Ronnie James Dio todas as noites". Então mostraram mais duas de seu mais recente trabalho: Hidden In The Dark, mais speed e com um tremendo solo de Kiko, e Let Me Kneel, ainda mais speed em seu começo e contagiante a ponto de fazer o guitarrista solar de joelhos, conforme proposto pelo título. Fechando a apresentação em 55 minutos, três do Chastain: For Those Who Dare, com som animal pela casa e a galera finalmente cantando junto (desta vez foi Thiago quem se ajoelhou para tocar); Shock Waves; e The Voice Of The Cult, esta com final arrebatador. Estas duas últimas foram dedicadas ao público.

No intervalo de quarenta minutos, o próprio baixista / vocalista do Raven fazia ajustes em seu instrumento e testava o volume de seu microfone, do tipo que libera as mãos, consagrado por Madonna. Esquecendo-se, ou não, de que seu áudio vazava, foi engraçado ouvi-lo cantarolar Rainbow In The Dark (Dio) na discotecagem e comentar o quanto os teclados deixaram a faixa "comercial". A três minutos do horário oficial de 22:00, uma outra banda de irmãos Gallagher (tão ingleses quanto Noel e Liam, do Oasis, mas de Newcastle, e não de Manchester, e na ativa desde 1974) pisou no palco mandando Take Control: John (vocal, baixo), já pedindo por "mãos ao alto", sem assaltar ninguém e sim tomando de assalto; e Mark (guitarra e vocal de apoio), personificação metal da noite com caneleiras pretas presas às calças compondo a indumentária. Inteirando o trio, o competente Mike Heller (bateria), tocando de óculos.

De ExtermiNation (2015), mais recente lançamento dos ingleses, Destroy All Monsters foi emendada, com som alto, baixo a milhão e, pasmem, sem abrir roda (já havia gente suficiente para tal). Elogiando o barulho feito, checando se todos estavam bem e perguntando se todos estavam prontos para agitar, o frontman averiguou: "Vamos levá-los até nosso primeiro álbum, conhecem o Rock Until You Drop? Assim que entrei, peguei os nomes de vocês, números, tamanhos de sapatos, meias. Vocês são parte da máquina de combate, a Hell Patrol". Empolgado, continuou: "Vai ser quente, hoje! Agora que já aquecemos, tenho uma pergunta a vocês, loucos filhos da mãe: estamos todos juntos?". Sem sentir consenso, repetiu e foi além: "Somos All For One?", do homônimo álbum de estréia em 1983. Do mesmo play, o mais contemplado do set, com cinco faixas, veio Hung, Drawn & Quartered, "sobre protestar contra o governo", outro speed metal que merecia roda.

Atualizando a apresentação, o vocalista contextualizou: "Temos feito muitas coisas e somos sortudos em fazer shows pelo mundo. Soltamos um novo álbum ao vivo em janeiro, o Screaming Murder Death From Above: Live In Aalborg, e também estamos trabalhando em estúdio. Que tal uma novinha em folha? Top Of The Mountain", que incluiu um rápido número no baixo, com distorção. Viajando no tempo, Mark puxou os riffs matadores de Rock Until You Drop (da família de Runnin' With The Devil, do Van Halen), durando mais do que o dobro ao vivo. Saindo da mesmice, vocalista / baixista e baterista ficaram no palco durante os quase oito minutos de solo de guitarra (com duas mini-interrupções de John) e o concerto prosseguiu com a faixa-título de Faster Than The Speed Of Light (1982), bombardeio encerrado com agudos de fazer inveja a Detonator!

Comparando platéias, o vocalista provocou: "É ótimo estar de volta ao Brasil. Fizemos uns shows no México pela primeira vez e eles foram bem. Fomos para a Costa Rica e eles foram bem. No final da noite, querem que digamos que 'São Paulo foi bem' ou 'Oh, meu Deus do céu, São Paulo foi incrível'? Ok, vamos até ExtermiNation, este é meu olhar carinhoso às moças e esta é sobre matar pessoas com grandes peças de maquinário militar: Tank Treads (The Blood Runs Red)", sem os 45" introdutórios de Battle March, como no álbum, e que infelizmente esfriou um pouco o clima.

Fire Power reaqueceu as coisas, sem trocadilhos, após o guitarrista questionar: "Vocês detonam! Se divertindo? Cadê os metalheads, a 'Legião do Exército de Destruição'?". Animado, solou com a mão esquerda e jogou palheta a uma fã com a direita e, também agitado, seu irmão representou: "Vejo todos e estamos aqui só por um motivo. Não para ficarmos bêbados, e sim pelo heavy metal! Quando se entra nele, é para a vida toda porque ele muda o seu coração. Vocês vestem camisetas, jaquetas com patches, têm cabelos longos e, se não têm, têm atitude. Lá fora, no 'mundo normal', pensam que somos loucos! Não somos!", discurso que justificou as costas de sua camiseta: "Live, eat, breathe, sleep heavy fucking metal". Então bradou por Mind Over Metal, seguida da divertida On And On, única de Stay Hard (1985) no set, e trocou o baixo creme e branco por um vermelho (usado daí por diante) para o solo de oito minutos, agora sozinho no palco.

Partindo para o final, após agradecimentos a todos na casa e ao Leather, com o regresso de Mike e Mark, tocaram Break The Chain, quase na íntegra e com direito a trombadas de brincadeira entre irmãos, emendada ao medley com Black Sabbath, AC/DC e UFO. A partir daí virou 'bagunça': a banda garantia só ter "tempo para mais uma", indagava o que os fãs queriam ouvir e negativas hilárias pipocaram, como: "Essa é das Spice Girls, não a tocamos" e "My Boy Lollipop?". John até arriscou a linha de baixo de My Girl (The Temptations), mas, na real, mandaram Crash Bang Wallop (com Mark mordendo o microfone). Tanto do single quanto do EP, ambos de 1982 e homônimos, a faixa é clara inspiração para o Anthrax. E arremataram a noite com as mais antigas do set: Wiped Out, b-side de Don't Need Your Money (1980), e o speed da faixa-título, batendo na casa de uma hora e quarenta minutos de verdadeira celebração aos anos 80!

Setlists
Leather

01) Juggernaut
02) The Outsider
03) Lost At Midnite
04) We Bleed Metal [Chastain Song]
05) Black Smoke
06) Angel Of Mercy [Chastain Song]
07) Hidden In The Dark
08) Let Me Kneel
09) For Those Who Dare [Chastain Song]
10) Shock Waves [Chastain Song]
11) The Voice Of The Cult [Chastain Song]

Raven
01) Take Control
02) Destroy All Monsters
03) Hell Patrol
04) All For One
05) Hung, Drawn & Quartered
06) Top Of The Mountain
07) Rock Until You Drop
08) Mark Gallagher's Guitar Solo
09) Faster Than The Speed Of Light
10) Tank Treads (The Blood Runs Red)
11) Fire Power
12) Mind Over Metal
13) On And On
14) John Gallagher's Bass Solo [Snippets de Rain Song (Led Zeppelin) e Garota De Ipanema]
15) Break The Chain
16) Medley - Iron Man [Black Sabbath] / It's A Long Way To The Top (If You Wanna Rock ´N´ Roll) [AC/DC] / Rock Bottom [UFO]
17) Crash Bang Wallop
18) Wiped Out
19) Don't Need Your Money


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