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Delain + Vuur no Tropical Butantã

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Publicada em 20, May, 2019 por Vagner Mastropaulo


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A vinda do Delain e do Vuur à cidade evidenciou o quão importante é a presença feminina no metal, seja cantando, tocando ou na platéia tornando o ambiente menos carrancudo e mais civilizado do que quando sobra testosterona. Marcado pela pontualidade, o evento foi aberto por três grupos nacionais com ao menos uma mulher na formação: Living Shields, BrightStorm e Van Dorte. Detalhe: o plano original da parceria Bandas Independentes / Dynamo Brazilie era escolher só uma "de olho no mercado brasileiro que cresce todo ano, revelando novas bandas que estão ganhando notoriedade fora do país", segundo divulgação oficial da promoção. Mas três acabaram contempladas e a proposta era simples: sets em torno de vinte minutos para os brasileiros e com mais ou menos setenta e cinco minutos para os co-headliners holandeses.

Às 19:20, ainda com casa vazia e aberta havia vinte minutos, o Living Shields abriu set autoral de quatro músicas muito bem trabalhadas, todas de Delirium (2014), único EP no catálogo - dele, apenas Beneath não foi incluída. Ser a primeira banda nunca é fácil, mas eles saíram-se bem logo a partir de Painful Fate, com proeminente som do baixo de Erick Bertachini. A partir daí a guitarrista Larissa Melinsky tomou conta agitando e pulando empolgada no começo de Beyond The Cry, com belo solo (quem sabe não surge uma ´guitar heroin´?). Bem aplaudida, Candle Light contou apenas com a doce voz de Bruna Moreira e som de piano nos teclados de Luís Fernando.

Antes da saideira Empty Search, a cantora foi sincera: "A gente queria agradecer muito por estar aqui e obrigado por vocês terem vindo logo no começo". Com som coeso, contagiante e sem excessos, faltaram apenas os importantes clichês que só a rodagem traz: identificar visualmente o nome do grupo; apresentar os músicos; citas os títulos das canções; dizer o que já lançaram; e se há produtos no merchan. Também poderiam ter tirado fotos e dito algo ao deixarem o palco. E uma boa notícia foi dada pelo guitarrista Daniel Constuchenko, em contato por email, para quem curtiu o som dos araçatubenses: "Estamos finalizando as músicas do nosso primeiro álbum, Better Time".

Após simbólicos dez minutos de intervalo, o BrightStorm deu as caras com o combo Intro + Psicostasia e a vocalista Naimi Stephanie vestindo um veil wing em triunfal entrada (um ´véu com asas´ similar ao usado por Keith "Monkey" Warren, frontman do The Adicts, no Carioca Club em março). Rosas decoravam o pedestal de seu microfone, ´discreto´ como o baixo azul com cordas verdes claras de Edy Silva. Antes de Two Steps From The Abyss, a cantora apresentou o grupo: "Valeu, galera! Nós somos o BrightStorm, para quem não nos conhece, e vamos passar uns sons aí do nosso álbum Through The Gates", de 2017. Anunciando o que viria, Naimi quase deu uma escorregada: "Quero ver vocês dançando com a gente: Two Steps... ops! No More To Lose", durante a qual apresentou o competente baterista: "Diretamente do Peru, Alexis Núñez".

Fechando o set com Vampire, a frontwoman divulgou: "Nós vamos mandar nossa última música. Muito obrigada a todos! Não se esqueçam de nos seguir no Instagram e no Facebook" e saíram aplaudidos. Uma pena tudo terminar quando a performance parecia engatar, deixando um gostinho de ´quero mais´. Em contato por email, questionada sobre o porquê de não tocarem nada de seu EP, Naimi esclareceu: "Lançamos o Past In Flames em 2014, mas como tínhamos pouco tempo a idéia era realmente promover o Through The Gates. Ainda neste ano, vamos lançar um novo single, que já está sendo produzido. Por enquanto, ele não tem título, mas vamos lançar com clipe junto. E já adianto que será a música mais diferente que já fizemos".

Galgando espaço desde a abertura para o Visions Of Atlantis na Jai Club em fevereiro, o Van Dorte abriu o show com Claustrofobia e as guitarras de Alexandre Carmo e Will Oliveira bem mais altas do que os demais instrumentos e o vocal de Feleex Duarte, praticamente inaudível. So Weak, single lançado em 2013, veio a seguir, única do set não retirada de Epilogue (2017). Apenas em In The Dark o som do microfone do cantor deu sinais de melhora, em momento ideal para todos entenderem suas primeiras palavras: "Muito obrigado! Nós somos o Van Dorte e é um grande prazer tocar para vocês esta noite, uma grande honra. Nosso próximo som é o nosso single e se chama Fragile Dreams. Espero que vocês curtam".

Curiosamente Evil Side, faixa final de Epilogue, também encerrou a performance, com riffs iniciais que, de algum modo, lembraram o começo de Sonic Reducer (mais o cover do Pearl Jam do que o original do Dead Boys). A semelhança tanto reforçou a portentosa descrição de seu som no ´about´ do Facebook dos paulistanos (atmospheric rock with obscure nuances) quanto foi de encontro a como o vocalista, em conversa por email, enxergava a banda, revelando apreensão: "Não somos uma banda de metal, eu acho. Somos roqueiros. Pessoalmente falando, eu estava bem tenso por ser o único vocalista masculino da noite e a banda ser a mais ´diferentona´ das cinco em relação à sonoridade. Mas quando começou, foi tudo legal. O público foi super receptivo e quente". Feleex também discorreu sobre a origem do nome: "Uma das grandes paixões da minha vida são as obras de Tim Burton, dentre elas o filme A Noiva Cadáver. Seu personagem principal se chama Victor Van Dort. Pegamos o sobrenome, acrescentamos um ´e´ e batizamos a banda".

Em quinze minutos, tudo estava pronto para o Delain, de volta à cidade após virem ao Tom Brasil com o Nightwish em setembro último. Go Away abriu o show a mil por hora, seguida de Masters Of Destiny, justificando a capa do EP Hunter´s Moon, lançado em fevereiro, ser o bandeirão decorativo atrás do kit de Joey Marin de Boer desde a abertura da casa. A faixa trouxe as primeiras amostras concretas do talento de Charlotte Wessels, em belo vestido vermelho, falando aos fãs pela primeira vez, em português: "Obrigada! Boa noite, São Paulo. Como está (sic)?". Continuando em inglês, foi educada: "Estão se sentindo bem? Nós também! Estamos muito felizes em estar de volta. Acomodem-se para The Glory And The Scum", que fez pescoços se curvarem e levantou a galera nas duas pistas, compondo público de razoável para bom, em função da promoção ´2 por 1´ nos ingressos. Outra de Moonbathers (2016), Suckerpunch arrancou gritos ao ser imediatamente reconhecida e então a vocalista anunciou: "Vocês podem manter suas mãos no ar para Get The Devil Out Of Me". Os pulos de Charlotte, Timo e Otto foram senha para os fãs pularem juntos (caso ainda não tenha assistido a seu clipe oficial, observe os curiosos segundos a partir de 2´43").

Um trecho sem vocal e com pouco mais de um minuto de The Monarch, tocado por Timo e Joey, funcionou como intro para a épica Hands Of Gold, com Otto nos guturais feitos por Alissa White-Gluz nas duas estrofes finais do álbum. Checando se todos se divertiam, a bela Charlotte fez um pedido: "Para a próxima, vou pedir toda a ajuda de vocês para cantarmos juntos. Vamos praticar com vocês dando um bom grito. Agora adicionem um pouco de melodia e vai sair ótimo. Ela se chama Sing To Me". Após a jam de Timo e Joey, veio outra com gutural de Otto: Pristine, primeira de Lucidity (2006) tocada e com a vocalista estimulando participação coletiva em gritos e agitos. Arriscando mais em português, ela foi só elogios: "Vocês são incríveis!", arrancando efusivos aplausos, até continuar: "Obrigada por nos lembrar como é ótimo visitar o Brasil novamente. Vocês são os melhores! Acho que querem mais, não? Para esta quero ver tudo que acabou de acontecer: pulem, gritem e cantem junto. E quero ver todas as mãos no ar. Ela se chama Don´t Let Go". Concluiu fazendo mais um pedido, em nossa língua: "Batem (sic) palmas!".

Do álbum homônimo, We Are The Others foi assim anunciada: "É claro que jamais partiríamos sem tocar esta que é para todos vocês e sobre todos nós", com direito a cafunés de Charlotte em Timo e Otto e chamegos em suas cabeleiras. Informando que o set estava perto do final, a frontwoman brincou: "Hipoteticamente podemos tocar mais duas". A primeira foi Hunter´s Moon e a saideira, segundo a cantora era "sobre um grupo de pessoas se reunindo para se divertirem: The Gathering", curiosamente o nome do conjunto que projetou a carreira de Anneke van Giersbergen. E enquanto outro trecho de The Monarch rolava na casa, a banda despediu-se com um "Até a próxima" de Charlotte, em português ´fluente´ e agora com Joey vestindo camisa de nossa seleção.

Mostrando estar atento ao mundo, o Vuur compôs material temático para In This Moment We Are Free - Cities e abriu pontualmente o set com Time - Rotterdam, em substancial aumento de peso na noite, diminuição de fãs que, sem querer prestigiar a estréia do grupo na cidade, escolheram partir, e sem som no microfone de Anneke, falha instantaneamente corrigida. Apenas com um bandeirão vermelho e o nome do conjunto em preto atrás do kit de Ed Warby (diferente do usado pelo baterista do Delain), a festa continuou após a cantora interagir: "Como estão? Vocês são tão lindos!" e sua banda puxar o cover de On Most Surfaces (Inuït), prontamente reconhecido pela galera. Após mais elogios, My Champion - Berlim levou o show de volta ao álbum da turnê e, em seu início, ciente do quanto chamava atenção, Anneke humildemente dirigiu-se ao fundo do palco, dando foco a seus colegas, até voltar para cantar. Simplificando, ela apresentou The Storm apenas como "uma do The Gentle Storm". Esclarecendo: tocaram a versão ´Storm´, mais metal do CD2 (e não a versão ´Gentle´, acústica e folk do CD1) de The Diary (2015), a parceria com Arjen Lucassen (Ayreon). Confuso? Vale a pena conferir os dois CDs para entender melhor.

Days Go By - London abriu uma trinca do álbum de estréia do Vuur e nela a vocalista sacou seu celular e fez filmagem panorâmica de platéia e banda. E se alguém ainda não se rendera ao som do grupo, após Anneke educadamente pedir uma salva de palmas para os compatriotas do Delain, o forte e melódico refrão da bela The Martyr And The Saint - Beirut mudou o cenário. E as emoções afloraram de vez em Freedom - Rio, assim anunciada pela cantora: "Queridas pessoas de São Paulo, como estão? Sinto-me feliz! A próxima chama-se Rio. Sei que estamos em São Paulo, mas ela é realmente sobre vocês e como são fortes como um povo". Sob aplausos, foi bonito notar o bairrismo deixado de lado e ver a interpretação de Anneke, pulando, cantando e dançando, feliz por tocarem-na no Brasil: "Essa me deixou emotiva. Obrigado por cantarem comigo". Acalmando os ânimos, ela brincou: "Quem aqui adora o Devin Townsend? Só cinco pessoas? Sério? Vamos tocar assim mesmo. Esta se chama Fallout", extraída de Sky Blue (2015) e com participação da holandesa no projeto do canadense. Finalizando a parte pré-encore, tocaram Your Glorious Light Will Shine - Helsinki (para quem quiser ouvi-la orquestrada, assim como Freedom - Rio, recomenda-se a audição de Symphonized, lançado ano passado pela cantora e a Orquestra Residente de Haia).

Voltando ao palco, a simpática vocalista pediu por barulho, ensinou como falar o nome de seu grupo e explicou: "Acontece! Em cada país as pessoas pronunciam de modo diferente. Digam comigo: ´Vuur´", e surpreendeu-se: "Ah! Perfeito! ´Vuur´ significa ´Fire´. Como digo ´Fire´ em português? ´Vogo´? ´Fogo´? Enfim, sou apenas uma garota holandesa tentando falar português. Obrigado pela noite, galera! Agradeço a todas as bandas e por vocês terem ficado tanto tempo aqui. Amamos o Brasil!". E afirmou que Reunite! - Paris era "sobre o que estamos fazendo aqui agora, juntos querendo apenas uma coisa: celebrar o poder da música entre nós. Nós todos viemos de lugares diferentes, com histórias diferentes e problemas em nossas vidas. Mas hoje estamos juntos celebrando. Que belo discurso!". Mais intensa do show, foi a cereja do bolo e foi difícil não se emocionar. Finalizando o set, o cover de Strange Machines foi reconhecido de cara e fez o público ´pegar vuur´ de vez (com o perdão do trocadilho), bangueando em seu pesado final.

Deixando o recinto, uma fã analisava com uma amiga a constante e delicada movimentação de palco, por vezes imperceptível de tão natural: "Sabe o que eu achei mais legal? O balé que eles fazem", provando a necessidade da presença da mulher no metal. Sensível, o olhar feminino é diferenciado. Por mais mulheres no metal!

Setlists
01) Living Shields (Araçatuba - 2009)
01) Painful Fate
02) Beyond The Cry
03) Candle Light
04) Empty Search


02) BrightStorm (São José dos Campos - 2012)
01) Intro
02) Psicostasia
03) Two Steps From The Abyss
04) No More To Lose
05) Vampire


03) Van Dorte (São Paulo - 2013)
01) Claustrofobia
02) So Weak
03) In The Dark
04) Fragile Dreams
05) Evil Side


04) Delain (Zwolle, Holanda - 2002)
01) Go Away
02) Masters Of Destiny
03) The Glory And The Scum
04) Suckerpunch
05) Get The Devil Out Of Me
xx) The Monarch [utilizada como Intro]
06) Hands Of Gold
07) Sing To Me
08) Timo & Joey Jam
09) Pristine
10) Mother Machine
11) Don´t Let Go
12) We Are The Others
13) Hunter´s Moon
14) The Gathering
xx) The Monarch [utilizada como Outro]


05) Vuur (Holanda - 2016)
01) Time - Rotterdam
02) On Most Surfaces (Inuït) [The Gathering Cover]
03) My Champion - Berlim
04) The Storm [The Gentle Storm Cover]
05) Days Go By - London
06) The Martyr And The Saint - Beirut
07) Freedom - Rio
08) Fallout [Devin Townsend Project Cover]
09) Your Glorious Light Will Shine - Helsinki
10) Reunite! - Paris
11) Strange Machines [The Gathering Cover]


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