Site de música   
Coberturas de shows

British Lion mostra as garras e prova ser muito mais do que um mero projeto paralelo

Compartilhe:


Publicada em 15, Nov, 2018 por Vagner Mastropaulo

Clique aqui e veja as fotos deste show.


Britsh_Lion-2018.jpg
Steve Harris no Brasil? Após inúmeras turnês do Maiden, grande novidade... Mas vê-lo tocar de pertinho, essa sim era uma oportunidade inédita, talvez única, ainda mais no Cine Jóia, onde o mais longe do músico seria mais perto do que você já esteve em uma arena, exceção feita aos fiéis madrugadores das filas ou aos ogros que empurram até a mãe para ir à frente ver a Donzela. Sendo assim, não havia desculpas para perder a chance, mesmo para algum vestibulando prestando o ENEM, pois, com um mínimo de planejamento, o horário e o local ajudavam. E mais, o adiamento em um dia, evitando a coincidência de data com o Solid Rock (Black Star Riders, Alice In Chains e Judas Priest), foi outro fator a facilitar a vida do bom público que encheu a casa, possibilitando a todos ver, sem empurrões e sem abarrotá-la, o quinteto formado pelo citado Steve Harris, Richard Taylor (vocais), Grahame Leslie e David Hawkins (guitarras) e Simon Dawson (bateria).

Ainda promovendo o álbum de estreia em mais uma mini-turnê mundial e com datas apenas em novembro (cinco no Canadá, três no Brasil, uma na Argentina e no Chile e três no Japão), This Is My God abriu a noite pontualmente às 19:30 (britânicos, não?) com o vocalista saudando os fãs em português mesmo em um "Como está, São Paulo?," emendada a Lost Worlds, exatamente como em British Lion (2012), ambas sensivelmente mais rápidas e interessantes do que em estúdio e até mais pesadas, a não ser pelo lindo final acústico da segunda, com Taylor em posse de um violão e com Harris puxando palmas (era no mínimo curioso vê-los no meio do palco entre ´as torres´ Leslie e Hawkins, muito mais altos). Fanático pelo West Ham, um adesivo com o escudo de seu time de coração estava colado no baixo, além de suas cores nas munhequeiras e num cachecol adaptado à correia, nas costas de Harris (e como homenagem, alguns fãs vestiam a camisa dos Hammers).

Karma Killer deveria manter a lógica, mas não foi a seguinte (junto a The Lesson, foram as únicas do álbum ignoradas) e sim uma trinca de inéditas: Father Lucifer, com o vocalista pulando os retornos de palco para cumprimentar os fãs do gargarejo, perto do solo final de Hawkins; The Burning, apresentada por Taylor como uma "estória real" e com Harris pedindo barulho na pausa antes do final; e o recém-lançado single, Spit Fire (que facilmente caberia em um álbum do Maiden na fase Blaze Bayley - seu início no baixo não remete a The Clansman?), outra "estória real, sobre um filho que nunca conheceu seu pai", de acordo com o vocalista, que antes havia destacado a expectativa de estar em São Paulo pela primeira vez e garantido que o inglês do público era melhor que seu português, então a música falaria pelo conjunto.

Decorando o modesto palco, apenas o bandeirão do grupo atrás de Dawson e dois banners laterais de pano com o leão da capa de British Lion. Porém, como esperado, quem roubava a cena era mesmo Steve Harris, tocando como no Maiden, usando o instrumento como "metralhadora", indo de lado a lado no palco e apoiando a perna esquerda nos retornos. Usando camiseta preta, a piada era ler rapidamente o "Whale Oil Beef Hooked" da frente com sotaque irlandês, soando como "Well, I´ll be fucked". Em meio a tudo isso, o som seguia cristalino, especialmente o do baixista, é claro, que teve que desviar da guitarra de Leslie em The Chosen Ones, "escrita para os azarões", conforme descrito por Taylor, que a tocou no violão e assim explicou a belíssima These Are The Hands: "Nossa próxima música foi inspirada na pequena cidade de onde eu venho. Hoje em dia, há muita violência nas ruas de Londres se espalhando para as cidades vizinhas. Então ela é inspirada na minha cidade", sem citar o nome, mas trazendo um melhor contexto para a primeira estrofe: "These are the faces I know / This is the land I was born to / These are the people I know / This is the place that I come from", mesmo invertendo o segundo e o quarto versos ao vivo.

Mais três inéditas viriam: Bible Black, com guitarras à la Maiden, e introduzida com um enigmático "Então você pensa, então você se tornará", por parte do vocalista; Guineas And Crowns, com o primeiro e breve momento "Ô, ô, ô" da noite; e a intensa Last Chance, iniciada por Leslie, e com mais um coro no começo e outro no final. A comovente e objetiva Us Against The World traria o álbum lançado de volta ao show e, cravando uma hora de espetáculo, Hawkins puxaria outra nova, Lighthing, enquanto Harris comandava as palmas. Emendada, Judas finalizou a parte antes do encore, novamente com o Taylor tocando violão, na parte acústica perto de seu final.

Sem arredar pé, o vocalista foi prático: "Esta é a parte em que a banda deixa o palco na esperança de que vocês façam algum barulho para voltarmos. Vamos permanecer aqui e terminar o show, se estiverem de acordo". Então apresentou seus colegas, deixando o baixista por último, com óbvia ovação e gritos de seu nome enquanto Leslie interagia com dois fãs, dando-lhes uma toalha e uma palheta. Estranhamente, ninguém apresentou Richard Taylor, que ressaltou só terem tempo para mais uma, relembrou ser a primeira vez do quinteto na cidade e fez os agradecimentos de praxe antes de anunciar A World Without Heaven, dedicando-a aos presentes. Contrariando o que havia sido dito, houve tempo para outra com o violão de Taylor, o grand finale com a ótima Eyes Of The Young, encerrando a noite às 20:55. Vale registrar que em um setlist fotografado por nossa equipe e em posse de um sortudo fã após o show, na prática, Lightning substituiu A World Without Heaven, empurrando-a para o lugar de Let It Roll, nele riscada. Agora resta aos fãs de Steve Harris e do Iron Maiden a espera até 04/10/19, data da vinda dos ingleses ao Rock In Rio, com obrigatórias outras datas pelo país. Ironicamente, é uma pena a Donzela "limitar" as turnês do British Lion, pois a pegada hard rock da banda é excelente ao vivo. Up the Lions!! And up the Irons!!

Setlist
01) This Is My God
02) Lost Worlds
03) Father Lucifer
04) The Burning
05) Spitfire
06) The Chosen Ones
07) These Are The Hands
08) Bible Black
09) Guineas And Crowns
10) Last Chance
11) Us Against The World
12) Lightning
13) Judas

Encore (mas sem sair do palco)
14) A World Without Heaven
15) Eyes Of The Young


[ << Ant ]    [ << Mais notícias ]    [ Próx >> ]
 

Mais notícias
O R&B de Joss Stone em São Paulo
Performance: New Order em São Paulo
Música Extravagante: Baby do Brasil em São Paulo
Queen Experience in Concert Chega a São Paulo
British Lion mostra as garras e prova ser muito mais do que um mero projeto paralelo
Summer Break Festival em São Paulo
As raízes de Max e Iggor ressurgem no caos das ruas sujas e escuras do Butantã após vendaval
Em despedida de Machine Messiah em São Paulo, a máquina Sepultura segue engrenada
Festival Nova Brasil FM 2018 traz grandes nomes da MPB em São Paulo
Canta Lulu! Lulu Santos em Noite de Clássicos

 
 
 
 
 
 Busca
 Siga o Musicão nas redes sociais
Facebook Siga-nos no Twitter Siga-nos no Instagram Siga-nos no Tumblr Google Plus Youtube Pinterest
 Últimas Notícias
 Agenda de shows
Criação de Sites
Serviço
Arquivo de notícias
Equipe do Musicão
Release do site
Política de Privacidade
Contato

© 2006-2018 Musicão - Todos os direitos reservados - Proibida cópia de conteúdo parcial ou integral.