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Em despedida de Machine Messiah em São Paulo, a máquina Sepultura segue engrenada

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Publicada em 29, Oct, 2018 por Vagner Mastropaulo


Sepultura-2018.jpg
Além do show deste texto, foram cinco as chances de ver o Sepultura em São Paulo em 2017 no giro de Machine Messiah: Audio (27/05), Sesc Belenzinho (27 a 29/07) e Clube Atlético Juventus (11/11). Logo, não há desculpas por não ter prestigiado o grupo. Desta vez houve algumas surpresas no setlist e a noite começou com outras duas representativas bandas nacionais de thrash.

Às 21:05, o MX veio ao palco e sem perder tempo mandou logo a trinca inicial de seu mais novo álbum, o excelente A Circus Called Brazil: Fleeing Terror, Murders e Mission. Como curiosidade, a banda tem três Alexandres e todos cantam alternadamente, embora o baterista Alexandre Cunha seja o mais perene. Na primeira, por exemplo, Cunha e o guitarrista Alexandre "Dumbo" Gonsalves dividiram os vocais, mas o volume do microfone deste estava muito baixo e a correção só foi feita quando ele se dirigiu à platéia para anunciar Mission, que contou com um fato inusitado: não se via a boca de Alexandre "Morto" Favoretto nos backing vocals porque o baixista cantou usando uma bandana com sorriso de palhaço cobrindo a metade inferior do rosto. Do álbum homônimo, Mental Slavery inaugurou a sessão de velharias (com um solo animal de Décio Jr., o único a não abrir a boca no show), seguida de Fighting For The Bastards e Dark Dream (um arregaço!), ambas de Simoniacal.

Antes da aplaudida Jason, "sobre o maior serial killer dos anos 80 na história do cinema", Cunha distribuiu uma camiseta e seis CDs para a platéia (incluindo duas cópias de Sabbath Brasil Sabbath, tributo brasileiro aos criadores do metal, com cover do MX para The Mob Rules) e expressou a satisfação e honra em abrir o evento, que começou vazio e foi enchendo, até ter público suficiente para finalmente abrir a primeira roda ao som da saideira Dirty Bitch. Terminado o set, a foto tradicional e agradecimentos. E não custa dizer que três outras faixas de A Circus Called Brazil estavam cotadas para integrar o show, todas limadas pelo adiantado da hora: Lucky e Marching Over Lies, antes e depois de Jason; e a faixa-título, que fecharia o show. Ficaram para a próxima.

Após pouco mais de meros quinze minutos de intervalo, o Eminence usou a mesma tática do MX e emendou três de The Stalker: Self Rejection, Veins Of Memories e Unfold (esta, com começo e final em um megafone, abriu uma bela roda). Definir o som do grupo seria uma aventura, pois ele serve uma salada musical contemporânea cujo maior ingrediente é o thrash, mas com pitadas de death, new metal e metalcore, encorpando um groove bem interessante. Após apurar quem estava vendo seu conjunto pela primeira vez e quem já o havia assistido, o vocalista Bruno Paraguay fez os agradecimentos de praxe e anunciou Minds Apart, do EP homônimo recém-lançado, seguida de outra do mesmo lançamento, Obey, com mais da metade da casa tomada, a esta altura da noite.

As faixas-título The God Of All Mistakes e Humanology vieram a seguir, mantendo o padrão acelerado do grupo de Belo Horizonte, separadas por um rápido ajuste técnico na bateria. Day 7 deu a impressão de se tratar de uma balada (como registrada em estúdio), ledo engano... por fim, Devil?s Boulevard foi dedicada por Bruno a cada um dos presentes e nela ficaram evidentes as influências de Phil Anselmo em seu vocal, já a partir do grito inicial. No geral, destacou-se a pegada do Eminence como um todo, num liquidificador de referências dentro do metal, cativando quem soube entender sua variedade sonora e ganhando o respeito coletivo.

Após novo intervalo, agora de vinte e cinco minutos, Polícia (Titãs) rolou como intro, em escolha inteligente no atual efervescente cenário político nacional. E as três primeiras simbolizaram o quanto o Sepultura segue fitando o presente, em vez de viver de passado: o hardcore rápido e rasteiro de I Am The Enemy; a não menos intensa, quebrada e criativa Phantom Self (ambas do play da turnê); e Kairos, mais arrastada, mas pesada, ela fez a galera pular. Um bandeirão com a capa de Machine Messiah decorava o palco, tema das peles de bumbos de Eloy Casagrande. Abrindo a caixa de clássicos e uma roda gigantesca, agora com casa cheia, a próxima fez as devidas demarcações, tanto na levada inicial do baterista quanto na subsequente pausa-anúncio de Derrick: "São Paulo, this is your fucking Territory". O fato foi que, mesmo mais cadenciada do que em estúdio, a segunda faixa de Chaos A.D. segue tão cativante ao vivo quanto nos tempos de Olympia e o show da turnê, em abril de 1994. Voltando ainda mais no tempo, Andreas se dirigiu aos fãs pela primeira vez e anunciou uma enxuta, trintona e inteira (nada de medley): "Cara, que prazer estar de volta aqui fechando este ciclo do Machine Messiah. Começamos nossa história juntos aqui e estamos terminando juntos. De 1989, do Beneath The Remains, Inner Self", que abriu três rodas insanas!

Tão jovem quanto boa parcela do público (já que o Sepultura segue renovando seu público), Sworn Oath trouxe tempos mais atuais ao show, com Paulo e Andreas tocando perto de Eloy, em uma plataforma elevada na lateral da bateria. Então o guitarrista anunciou a primeira surpresa da noite: "Vocês conhecem o Dante XXI? Vamos tocar que não tocamos há muito tempo. Demos uma negligenciada no Dante XXI e vamos ver se vocês conhecem esta:" False. Pedindo a palavra outra vez, Andreas destacou, sob aplausos: "Além de estarmos terminando o ciclo do Machine Messiah, estamos celebrando vinte anos de Mr. Derrick Green no Sepultura. Em 1998, nós fizemos o primeiro trabalho juntos, então vamos tocar umas faixas do Against", na prática: Against, Choke (com Derrick na percussão) e Boycott (a qual Andreas cantou um considerável trecho). Aos gritos de "Sepultura, Sepultura" da galera, mais uma surpresa do guitarrista: "Vamos tocar mais uma coisa velha que a gente não toca há muito tempo. Vocês conhecem o Roorback?", para então dedicar Corrupted à incessante roda no meio da pista. E após pausa para respiro e hidratação, Derrick anunciou, com sua voz mais grave do que nunca, em inglês mesmo: "São Paulo, are you prepared? Are you ready to bow down to the Machine Messiah?". Terminando a parte antes do encore, um novo trio de velharias capaz de fazer palpitar o coração de qualquer fã old school: Desperate Cry (o que Eloy fez na batera em seu final foi uma enormidade!); a eterna Refuse/Resist; e Arise, dedicada por Andreas ao MX e ao Eminence, de Belo Horizonte, gerando brincadeiras quando o guitarrista perguntou a Paulo se ele conhecia a cidade (o adesivo do Clube Atlético Mineiro em seu baixo trazia a resposta).

Com mais cinco músicas, a volta ao palco não foi nada protocolar. Mais antiga do set, desta vez não houve a tradicional dedicatória a Toninho em Troops Of Doom, mas ela segue sendo um arrasa-quarteirão. Traçando um paralelo com filmes ou futebol, você manja aquele competente coadjuvante que sempre entrega a atuação que dele se espera? É o caso da funcional Slave New World, pois ninguém vai a um show do Sepultura para ouvi-la, mas o grupo que ouse não tocá-la para ver a falta que faz. Resistant Parasites foi a antepenúltima (e última de Machine Messiah), seguida da ainda polêmica Ratamahatta, cantada por Andreas (seria no mínimo bizarro ver Derrick se enrolando para cantar "biboca, garagem, favela, fubanga, maloca, bocada"), de novo com o cantor na percussão (após vinte e dois anos, ela segue dividindo opiniões entre quem a venera e quem a considera totalmente dispensável). A saideira? Roots Bloody Roots é claro, passando por cima de todos feito um rolo-compressor logo após Derrick pedir por barulho e fazer a clássica contagem de um a quatro. Esbanjando bom humor, enquanto os quatro músicos agradeciam, distribuíam palhetas e baquetas e tiravam fotos, You Make My Dreams (Daryl Hall & John Oates) surgiu no som ambiente, contrastando com o massacre sonoro que se encerrava.

E o sortudo que for cabeça aberta e souber curtir presente e passado sem radicalismos tem outro show imperdível no próximo sábado. Apenas não será citado de quem para evitar maiores polêmicas. Longa vida a tudo que tenha o selo Sepultura de qualidade, seja lá com qual nome...


Setlists
01) MX (Santo André - 1985) https://www.facebook.com/mx.br.oficial
Formação: Alexandre Cunha (vocal e bateria), Alexandre "Dumbo" Gonsalves (guitarra e vocal), Alexandre "Morto" Favoretto (baixo e vocal) e Décio Jr. (guitarra)
Estilo: Thrash Metal
Entrada Programada: 21:00 / Real: 21:05
Saída: 21:43
Duração 38´

01) Fleeing Terror
02) Murders
03) Mission
04) Mental Slavery
05) Fighting For The Bastards
06) Dark Dream
07) Jason
08) Dirty Bitch


02) Eminence (Belo Horizonte - 1995) https://www.facebook.com/eminenceband
Formação: Bruno Paraguay (vocais), Alan Wallace (guitarra), Davidson Mainart (baixo) e André Márcio (bateria)
Estilo: Thrash Metal:
Entrada Programada: 22:00 / Real: 21:59
Saída: 22:44
Duração 45´

01) Self Rejection
02) Veins Of Memories
03) Unfold
04) Minds Apart
05) Obey
06) The God Of All Mistakes
07) Humanology
08) Day 7
09) Devil´s Boulevard


03) Sepultura (Belo Horizonte - 1984) https://www.facebook.com/sepultura/
Formação: Derrick Green (vocais), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Eloy Casagrande (bateria)
Estilo: Thrash Metal
Entrada Programada: 23:10 / Real: 23:11
Saída: 00:52
Duração 1h41´

xx) Polícia (Titãs) [Utilizada como Intro]
01) I Am The Enemy
02) Phantom Self
03) Kairos
04) Territory
05) Inner Self
06) Sworn Oath
07) False
08) Against
09) Choke
10) Boycott
11) Corrupted
12) Machine Messiah
13) Desperate Cry
14) Refuse/Resist
15) Arise
Encore
16) Troops Of Doom
17) Slave New World
18) Resistant Parasites
19) Ratamahatta
20) Roots Bloody Roots
xx) You Make My Dreams (Daryl Hall & John Oates) [Utilizada como Outro]


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