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Batushka no Fabrique Club

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Publicada em 21, May, 2018 por Fabiano Cruz


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O Black Metal sempre nos brinda com bandas interessantíssimas, principalmente se vir do Leste europeu onde o extremismo das andas alcança níveis absurdos. Batushka surgiu a pouco tempo - inclusive possui um único registro - e toda a aura envolta de mistério acerca da banda serviu para que o mundo inteiro do Heavy Metal olhassem por eles; advinda da Polônia (país já tradicional na música extrema), conseguiram uma turnê mundial a qual passou pelo Brasil. Confesso que não daria muito público quando dias antes um amigo disse que estava quase sold out. Duvidei. E presenciei a casa Fabrique extremamente cheia para um show do porte de uma banda nova, que inclusive causou fila um tanto grande na portaria da casa.

Tudo isso causou ansiedade nos presentes. Sem banda de abertura, um canto católico ortodoxo começou a soar nos PAs. Não é de se estranhar; Batushka ("Pai" na linguagem russa que remete a "Padre" na igreja ortodoxa) e sua música e visual remete diretamente a igreja, tudo muito belo sem cair à blasfêmia barata (inclusive as letras , todas com nomeada Liturgia e separadas em ritos como a missa, são de um cunho mais filosófico niilista do que blasfemador), o que o palco montado foi de uma beleza ímpar: altar, quadros e pinturas referente a arte sacra do oriente próximo, ferramentas litúrgicas, tudo muito em pensado com cuidado e detalhes.

Após a intro a banda começa o som e a surpresa foi maior ainda. Todos caracterizados com batinas e casacos, a identidade são mantidas e os detalhes ficam nas vestimentas com escritos e desenhos conforme a "hierarquia". O som é complexo, a junção de passagens tradicionais do Black Metal com cânticos litúrgicos exige uma apurada técnica (tanto composicional como de execução) e ao vivo a banda é perfeita, tudo muito em linear, balanceado, uniforme. O som estava tão bem trabalhado que parecia som de gravação de CD e ouvíamos instrumento por instrumento - o cuidado foi tanto que a bateria ficou atrás de um box de vidro, usando muito em orquestras experimentais para abafar o som da bateria e ao cobrir outros instrumentos. E impressiona o som da banda; o pequeno coral a três vozes é essencial ao som, sendo um "instrumento" a parte com seus contrapontos hora intercalando texturas com as guitarras e baixo, hora com a voz principal, essa que foi o destaque, pois o domínio de técnica vocal do "Pai" é perfeita, indo do rasgado ao grave passando pelo timbre litúrgico lírico com facilidade.

A performance também impressiona. Batushka não faz um how para agitar e "bangear", faz um show para vermos com toda a atenção possível; em palco ninguém tem aquele comportamento tradicional de banda de Metal, e sim quase parados, de forma mínima se movimentam, e o "Pai" interage com o público de forma muito teatral, fazendo passo a passo da liturgia ortodoxa, desde a entrada em palco com a defumação até a finalização com o benzimento dos "fieis" com água benta. Como possuem um único disco, ele foi tocado na íntegra e na seqüência de gravação, fazendo com que as oito partes de Yekteniya (traduzido: Litania) soassem como uma única música, qual engrandeceu ainda mais a apresentação.

E esse foi o único ponto negativo, somente uma hora de apresentação, porém é a proposta da banda. Proposta que foi aplaudidíssima a ponto de metade dos presentes ficarem mais tempo na casa após apresentação esperando os músicos darem as caras, tirando foto do palco ou até mesmo na esperança de um bis mesmo com as luzes já acesas. Uma palavra a essa apresentação: impactante; e esperamos o Batushka voltar ao Brasil com material do mesmo nível que apresentação.


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