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Turn Up the Quiet: Diana Krall em São Paulo

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Publicada em 02, May, 2018 por Marcia Janini

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Em espetáculos da celebrada turnê "Turn Up the Quiet", Diana Krall apresentou-se nos dias 28 e 29 de abril no Tom Brasil em São Paulo.

Iniciando o show ao som da jazzística "´Deed I Do", numa perfeita releitura para o clássico de Fred Rose, o violino em acordes de tonalidades altas traduz a deliciosa influência do country aliada ao ágil andamento desenvolvido pelo contrabaixo acústico, que surge em contraponto ao bom trabalho da bateria de Karriem Riggins em acompanhamento suavizado, porém firme e enérgico nas conversões, em um diálogo precioso para a bem executada jam session.

Para a suave "Let´s Fall in Love" (Arlen & Koehler), o vocal sedutor de Diana Krall alia-se ao elegante piano, conduzido com elegância ímpar em belíssimos arranjos. Permeando de graça a deliciosa melodia na cadência do standard, o baixo em dub de John Clayton Jr. determina com grande propriedade o andamento constante da canção. Incidentalmente, trechos de "Desafinado" (Tom Jobim) surgem traduzindo o colorido da bossa nova à composição.

Para a belíssima "Let´s Face the Music and Dance" de Irving Berlin, Diana e banda traduzem o andamento ralentado e suave em standard, determinando à melodia envolvente aura de mistério. Dominando as variações dinâmicas, o bem temperado violino sobressai, em mais um bom momento da performance individual de Stuart Duncan.

"Night and Day" de Cole Porter surge em vigorosos acordes do violino, emoldurando com graça o vocal sóbrio e de extrema naturalidade de Diana. O piano em tonalidades suaves e minimalistas ascende para andamento blueseiro na finalização, em um dos mais brilhantes momentos do show.

Traduzindo o andamento delicioso do ragtime na introdução, o piano de Diana surge majestoso para "Devil May Care", aliado à perfeição do violão de Anthony Wilson, em mais uma perfeita incursão ao universo do country/soul americano. Brilhante, o vocal rápido de Diana explora modulações espirituosas, de grande efeito.

"Isn´t It Romantic" apresenta interessantes atonalismos bem pontuados pelo vigoroso solo do baixo nas conversões, na cadência do ragtime. O violão de Wilson explora dedilhadas notas altas, realizando lindo diálogo com o bem temperado piano nas conversões. Em inusitada finalização, o contrabaixo encerra o bom momento do show.

Traduzindo a vitalidade do r&b à apresentação, em mais um incrível instante da performance vocal de Krall em tonalidades sedutoramente rascantes, surge a dançante "Temptation" (Tom Waits), emoldurada com graça pela exímia e roqueira guitarra elétrica. Amazing!

Em pizzicatos e arpejos o violino surge majestoso em "Just Like a Butterfly That´s Caught In the Rain" (Mort Dixon) traduzindo deliciosa aura andaluza à melodia. Em ruflares vigorosos e boas alternâncias, a bateria determina o delicioso andamento, finalizando em solo de grande técnica. Com a participação do público nas palmas, a interação e sinergia palco/platéia atinge seu ápice. Great!

Melodioso, o piano pontuado com precisão desenvolve o andamento malemolente do samba de bossa-nova para "Chega de Saudade" (Tom Jobim) apresentando mais um importante momento de comunicação com a platéia, que canta em uníssono a letra da canção.

Mais um lindo momento do espetáculo surge na introdução delicada do violão em dedilhados que remontam ao choro brasileiro para "Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars)" de Tom Jobim, que segue em andamento ralentado emoldurado pelos solitários arpejos do violino em diálogo com os cromáticos acordes do piano em notas encadeadas. Nota para mais uma impressionante performance vocal de Diana Krall, de tessitura única e tonalidade diferenciada.

Para a pop e romântica "Exactly Like You" (Jimmy McHugh) na inspirada condução vocal de modulações precisas, acompanhada apenas pelo vigoroso piano em tonalidades firmes, surge em mais um brilhante momento de Diana Krall onde seu enorme talento e versatilidade reinam absolutos. Perfeito!

Além destas canções, os fãs foram brindados com mais grandes clássicos, como "How Deep is the Ocean" (Irving Berlin), "I´ve Got You Under My Skin" (Cole Porter) e "Walk On By" (Dionne Warwick), além de outros sucessos constantes do bem escolhido repertório da turnê.


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