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Rock em Todas as Suas Nuances: Maximus Festival

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Publicada em 11, Sep, 2016 por Marcia Janini


Na última quarta-feira, 7 de setembro, o Autódromo de Interlagos abriu seus portões abrigando o Maximus Festival.

Com início a partir das 12h00, o festival comportou mais de 12 horas de programação em três palcos: o "Thunder Dome", voltado às vertentes do metal nacional representado pelas bandas Ego Kill Talent (RJ), Woslom (SP), Far From Alaska (RN), Project 46 (SP) e encerrado pelos ingleses do RavenEye; "Rockatansky", voltado aos gêneros do rock alternativo trazendo bandas como Steve ´N´ Seagulls, Shinedown, Black Stone Cherry, Bullet For My Valentine e o performático Marilyn Manson e, ainda, o palco Maximus com atrações como Hollywood Undead, Hellyeah, Halestorm, Disturbed e Rammstein, com o melhor da sonoridade rock clássica e contemporânea.

O Bullet For My Valentine sobe ao palco às 17h15, com seu rock visceral, agressivo e cheio de vitalidade.

A primeira canção executada "V" traduz na melodia de fraseado rápido acentos de thrash e death metal, numa sonoridade pesada, repleta de bons momentos da bateria.

Na sequência "No Way Out" traduz na bateria cadenciada esparsos elementos do post-punk. O fraseado vocal, suavemente melífluo diante do instrumental traduz à melodia certo refinamento.

"Your Betrayal", de andamento frenético determinado pela enfurecida bateria aliada às incendiárias guitarras em progressão ascendente e glissandos cromáticos na conversão ao refrão ascenam para o thrash metal, com resquícios de punk. Great!

Em "4 Words(To Choke Upon)" após introdução a avalanche sonora evolui para uma quase balada no fraseado vocal, permeada pela marcante e frenética percussão aliada aos riffs rascantes da guitarra. Baixo contrapontístico em dub auxilia na marcação da cadência, trazendo ainda maior densidade à melodia.... Amazing!

O belíssimo solo de bateria de Michael Thomas, revelando um pouco de sua grande técnica instrumental antecede a rápida "You Want a Battle? (Here´s a War)", em alucinante cadência próxima ao punk rock, com coral de vocais guturais trazendo bom diferencial à canção, alquebrando a cadência, no uso primoroso de mais um bom elemento da sonoridade heavy, aliado a riffs rascantes das guitarras...

Constaram de sua passagem pelo festival canções de sucesso como "Alone", "Worthless" e "Waking the Demon".

O Disturbed sobe ao palco por volta das 18h20, trazendo a sonoridade heavy com fortes influências do hard rock e o poderoso vocal de David Draiman.

Após "Ten Thousand Fists" introduzindo a apresentação, a belíssima "The Game" em seus arranjos elaborados, permeados com maestria pela bateria cadenciada e belos arranjos da guitarra alta em afinação padrão emolduram o vocal bem colocado de Draiman, em modulações precisas nos refrões.

Harmoniosa no fraseado vocal, repleta de boas variações e com conversões precisas, "The Vengeful One" antecede a dinâmica "Prayer" poderosa na junção entre a frenética bateria cadenciada e a guitarra em rascantes vertiginosos, marcando um dos pontos altos da apresentação da banda.

"Liberate" com introdução em acordes de notas suspensas que permeiam com garbo a melodia, traz a dissonância charmosa da guitarra ascendendo para o heavy de linhas clássicas, onde a presença marcante da bateria em breaks estratégicos e um bom solo da guitarra após conversão ao refrão ditam a tônica.

O hit "Another Way To Die" demonstra influências da sonoridade urban no fraseado vocal levemente reggaeiro dos refrões aliado à melodia cadenciada onde a bateria acompanha as guitarras solapadas, surgindo como bom diferencial, suavizando a enérgica apresentação.

"The Sound Of Silence" (Simon & Garfunkel) surge em belíssima releitura, apenas com o teclado suave acompanhando o belo timbre barítono do vocal, em crescendos potentes, onde a técnica se desenha na simplicidade de uma grande voz. Perfeito!

Toda a força do power metal surge nas guitarras distorcidas e ágeis de "Inside the Fire", em uma melodia linear, coesa, onde o instrumental surge muito bem entrosado, numa interessante tessitura melódica.

"I Still Haven´t Found What I´m Looking For" (U2), "Baba O´Riley" (The Who) e "Killing In the Name" (Rage Against the Machine) em inspirados covers surgem como gratas surpresas, denotando algumas das preferências musicais da banda que vai do classic rock ao nu metal passando pela new wave. Inusitado e descontraído!

Os vocais suaves de Draiman para "The Light" determinam interessante fusão à melodia enérgica, repleta de variações em dinâmica e cadência, explorando variadas nuances sobre a tonalidade cadente, enfatizando de forma contundente e criativa o vocal em excelente forma... Mais um bom momento do show!

Subindo ao palco às 19h35 com "Angel With the Scabbed Wings" o emblemático Marilyn Manson, uma das mais aguardadas atrações do festival, já inicia sua apresentação com uma sequência de grandes sucessos de sua carreira, que apresentou "Disposable Teens", "No Reflection" e "mOBSCENE".

Seu vocal agudo e levemente rouco traduz com precisão a temática expressa nas letras, onde um quê de apocalíptico, crítico e ácido se mesclam em inspiradas e polêmicas composições.

Notas rascantes da guitarra para introduzir "We Hate Love, We Love Hate", bordão puxado por Manson e acompanhado pelo público anuncia "Cupid Carries a Gun", uma canção na cadência do heavy de linhas clássicas....

A bateria bem executada de "Irresponsible Hate" alia-se à poderosa guitarra distorcida, criando aura etérea nos refrões... Interessante!

Simulando o doentio pio de uma ave de rapina, a guitarra segue em tremulado para introduzir a visceral "Deep Six" interpretada com desalentada languidez por Manson, em recurso que torna ainda mais introspectiva a canção de melodia simples, explorando toda a urgência da letra. Bom momento do show!

Traduzindo aura mais próxima do pop rock na cadência constante da bateria acompanhada com suavidade pelos riffs da guitarra e pelo baixo em dub "The Dope Show" apresenta esparsos elementos de gothic rock, em momento diferenciado do show. O vocal intenso de Manson na finalização reforça o clima propositalmente tétrico da composição.

Causando furor no público "Tourniquet", um de seus maiores sucessos, é executado pelo cantor que performaticamente anda pelo palco apoiado em muletas, traduzindo em seu canto profundos agudos, permeados pelo sinistro arranjo do teclado em pianíssimo, em meio ao instrumental da bateria cadenciada e da guitarra em agudos rascantes. Mais um momento de estranha e genial poética.

Grandiosa, a introdução que remonta aos antigos tambores tribais em andamento ralentado para "Cruci-Fiction in Space", traz vocais cavernosos de Marilyn sob acompanhamento de acordes rascantes da guitarra na finalização das estrofes. Na ambientação da tétrica atmosfera, a bateria cadenciada de andamento constante se une a guitarra em base distorcida de arranjos altos e ao teclado em notas suspensas, emoldurando com precisão o vocal repleto de modulações inusitadas proposto pelo intérprete em um dos mais criativos momentos do show. Impactante!

Encerrando o festival, o Rammstein sobe ao Maximum Stage às 21h00 sob a névoa roxa de fogos de artifício estrategicamente posicionados nas laterais superiores do palco, trazendo sua canção tema, a vigorosa "Ramm 4".

Em um espetáculo que aliou forte aparato cênico, o grande trabalho da cenotécnica mostrou esquema de iluminação privilegiado na disposição de gambiarras em forma de colunato, além de blocos de spots intercalados à estrutura formando semi-círculo aliados à cruzes estilizadas de leds ao fundo do palco para a criação da "câmara de horrores" representada pelo cenário. Igualmente impressionante o trabalho pirofágico, numa apresentação que aborda o imaginário também na área visual.

Digno de menção o trabalho de caracterização cênica dos integrantes da banda, impecáveis em suas monstruosas máscaras e efeitos de maquiagem, além da riqueza de detalhes de seus alinhados figurinos. Perfeito!

Com instrumental forte e introdução que remete longínquamente ao hard rock 70´s "Keine Lust" determinada pela cadência afretada da bateria apresenta variações dinâmicas e breaks estratégicos reforçando o refrão. A introdução de acordes suaves nos sintetizadores que permeia sarcasticamente a melodia, introduzindo elementos do dançante electro na composição, ascende para o andamento alucinante das guitarras dissonantes em junção à bateria, seca, mordaz, cortante. Genial!

Na épica "Feuer Frei!" mais uma vez os sintetizadores exploram na introdução a sonoridade minimal, conferindo introspecção ao fraseado vocal, logo substituída pelo peso vigoroso do instrumental, determinado pelas guitarras em flagrante dissonância sobre bateria em cadenciado constante.

Soberana, com fogos espocando de acordo com a sincronicidade da bateria, surge "Seemann" com sua melodia intrincada, de acordes incomuns, traduzindo à letra sugestiva e à interpretação a irreverência da alternância entre movimentos de grande singeleza ao rock enfurecido e pesado. Sublime e ousado!

A dançante base do techno como música incidental de "Ich Tu Dir Weh" realiza interessante paradoxo no encontro com as roqueiras guitarras dedilhadas, onde no mesmo ponto onde afluem, se separam, deixando-se entrever as diferenças e similitudes entre ambos estilos. Inusitado!

Sinfônica, "Du Riechst So Gut" explora a sonoridade mediterrânea na base dos teclados, que se delineia sobre a melodia, na cadência do heavy metal extremo, de rascantes arranjos nas guitarras, traduzindo ao poderoso vocal ainda mais amplitude.

Simulando as batidas do coração humano, surge na introdução a inegável influência do krautock em "Mein Herz Brennt", com os instrumentos em afinação distorcidamente roqueira executados para a criação de sonoridade eletrônica. Assim, ao tom metálico do rock instrumental, se sobrepõem os acentos eletrônicamente construídos pelos sintetizadores. Criativo!!!!

Além destas canções, outros clássicos da banda como "Ich Will", "Amerika" e "Te Quiero Puta!" constaram do repertório da banda, encerrando esta edição do festival.


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