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God Save the Queen no Teatro RioMar

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Publicada em 26, May, 2015 por Daniel Tavares


Naquela sexta-feira, o luxuoso Shopping RioMar, localizado em uma das áreas nobres de Fortaleza, receberia muito mais pessoas ostentando camisas pretas com o logo da banda britânica QUEEN que o habitual. O destino de todas essas pessoas era o teatro, onde mais uma vez o rock daria a tônica do início do fim de semana. Era noite de apresentação dos argentinos GOD SAVE THE QUEEN, ou DIOS SALVE A LA REINA, como já foi conhecido o grupo formado pelo vocalista Pablo Padin, pelo guitarrista Francisco Calgaro, pelo baterista Matias Albornoz e pelo baixista Ezequiel Tibaldo. Ainda antes da banda subir ao palco do Teatro RioMar, já foi possível perceber, por causa da configuração dos canhões de luz, que seríamos levados de volta à fase áurea do QUEEN. A configuração dos equipamentos emulava aquela época, numa disposição e colorido que hoje não mais é vista.

E foi a versão rápida de "Will Will Rock You" que deu início ao espetáculo. O público, que ao contrário da última sexta, lotava o teatro (não havia mais um único ingresso na bilheteria) se mostrava acanhado, não esquecendo que estavam em um teatro. Só começaram a se soltar na terceira música, "Another One Bites The Dust", acompanhando com palmas a levada do baixo de John Deacon, executada com perfeição por Tibaldo. O músico, assim como Deacon, parecia ser o mais tímido no palco e isso talvez fosse proposital, apesar de que, com a excelente acústica do teatro, seu instrumento parece soar ainda melhor que o original. A aparência dos quatro músicos remetia ao quarteto homenageado. Nunca é demais lembrar que a semelhança de Padin e Mercury, tanto fisicamente quanto em timbre de voz, é impressionante. Calgaro (provavelmente de peruca), e Albornoz (provavelmente com os cabelos descoloridos) faziam o possível, mas era Padin o responsável por, às vezes, o público esquecer que estávamos em 2015.

Fred...ops, desculpe, Pablo assume o piano para "Killer Queen", assim como Freddie faria. E depois do pot-pourri "Fat Bottomed Girls/White Man/Headlong", finalmente, algumas pessoas buscaram a lateral do teatro para dançar. Agora é May...ok, aqui eu forço a barra, Calgaro apesar da cabeleira não é tão parecido com Brian May. Continuando, agora é Calgaro que vai para o piano para Padin começar a cantar a bela "Save Me". Mais tarde os dois revesariam para que o guitarrista fizesse o solo em seu instrumento principal.

"I want to ride my bicycle, I want to ride my bike", canta Padin em "Bicycle Race". A canção hoje tem ainda mais força com cidades como São Paulo e Fortaleza aumentando a extensão de suas faixas exclusivas para o veículo. E se alguém quiser se livrar do trânsito mas enfrentar a insegurança da cidade de Fortaleza, vindo de magrela para o teatro, pode. O shopping tem bicicletário. E para aqueles que possuem necessidades ainda mais especiais, o teatro também tem poltronas específicas para cadeirantes e seus acompanhantes. Pontos para acessibilidade e locomobilidade que devem ser ressaltados.

Em seguida, Calgaro ficou sozinho no palco, mas não foi sozinho que tocou o solo cheio de efeitos de "Brighton Rock". O público acompanhou com palmas. "A Kind of Magic", canção que o baterista Roger Taylor escreveu inspirado no filme "Highlander", trouxe todos de volta ao palco. Por falar nele, faz falta ver as participações, mesmo que pequenas, do baterista cantando com sua voz rodstearteana. Se até nos dentes do argentino Padin enxergamos o africano Farrokh, não podemos dizer o mesmo de Taylor e Albornoz, mas talvez estejamos sendo exigentes demais. Ainda no clima de "Highlander", a pergunta "Por que o amor tem que morrer?" causa arrepios, calafrios, quase lágrimas em "Who Wants To Live Forever". Se o show acabasse ali, já teria valido a pena. Mas o show tem que continuar.

"Somebody To Love" finalmente conseguiu levantar o público da plateia baixa. No entanto, devido à bem pensada arquitetura do recinto, a visibilidade de quem estava nos setores atrás não foi nem um pouco prejudicada. Padin e Calgaro reproduzem quase perfeitamente a versão de "Love of My Life" do Rock In Rio, até mesmo na parte em que ambos dão vez para o público cantar. "Perfect", preferiu Padin, ao invés do "Beautiful" que era esperado. Nem tudo é perfeito. E sim, isto é um trocadilho.

A música que dá nome ao espetáculo, "The Show Must Go On" foi recebida com gritos. E a medida que o show continuava, com "I Want It All" (com mais um guitarrista, não anunciado, no palco) e "Crazy Little Thing Called Love", mais gente se animava a ficar de pé e dançar. Na rapsódia boêmia, a próxima da lista, fica ainda mais claro que Calgaro e Albornoz estão aquém de Taylor e May nos vocais, mas ainda assim a música não deixa de ser um belíssimo momento. No instrumental ambos já tinham dito a que vieram faz tempo. É hora de deixar o palco para a encenação do bis. E o público grita "mais um", "mais um", "mais um".

Freddie, opa, realmente desculpe de novo, aparece com peruca, vassoura e... seios... e bigode, como no clipe. E finalmente toda a plateia, talvez por saber que o show realmente já se encaminhava para o fim, fica como deveria estar desde o começo. De pé.

Música é isso. Música é como "Radio Ga Ga", feita pra fazer todo mundo mais feliz, feita pra desajeitados moleques, que nem tinham espinhas ainda, sonhar subir num palco ao lado dos melhores amigos imitando o QUEEN enquanto ouviam um LP da irmã. Os rapazes do GOD SAVE THE QUEEN tinham conseguido isso. E todo mundo voltaria mais feliz para casa naquela noite de sexta-feira. E ainda teve o impacto causado pelo retorno de "We Will Rock You", em sua versão minimalista e mais conhecida. Ninguém mais queria sentar. Aqueles argentinos do GOD SAVE THE QUEEN eram os campeões. E Pablo Padin, de coroa na cabeça, era o rei.

O talento de Padin até o credenciaria a cantar no próprio QUEEN. Freddie Mercury não foi o primeiro nem o último vocalista do QUEEN (caso levemos o SMILE em consideração), mas o nome da banda é tão ligado a ele que talvez isso não fosse uma boa ideia. A banda britânica soaria falsa. Com o original experimentando novas vozes e o GOD SAVE THE QUEEN retratando perfeitamente uma época, que foi triunfante mas passou, temos sorte de poder testemunhar em 2015 o que ficou mais de vinte anos no passado.

Agradecimentos:
Monika Vieira e Juliana Bomfim, pela atenção e credenciamento.
Renato Bras, pelo apoio e confiança.
Fátima Tavares, pela companhia e LP que me mostrou o que era música de verdade.


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