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Coberturas de shows

O som que liga Brasil e América Latina

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Publicada em 30, Aug, 2011 por Marcia Janini

Clique aqui e veja as fotos deste show.


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Nos últimos dias 26 e 27 de agosto, o Jockey Clube de São Paulo sediou a segunda edição do Telefônica Sonidos, dedicado a revelar atrações de renome em seus países de origem ao público brasileiro, num interessante intercâmbio de influências e culturas musicais, celebrando a música latina.

Abrindo as apresentações da primeira noite de espetáculos no palco alternativo dedicado ao jazz e suas vertentes, Alex Cuba e banda sobem ao palco por volta das 21h30, trazendo seleto repertório na fusão do jazz e soul com o toque da rumba, cumbia e salsa, surpreendendo em cançòes que mesclam a tradição folclórica com a modernidade, exploranda também em ritmos como o reggae, a bossa nova e o pop rock nacional intermediadas pela participação especial de Tulipa Ruiz.

No palco principal, às 23h00, todos renderam-se ao carisma da excelente e tradicional banda de Juan Fomelli e Los Van Van, comemorando seus 40 anos de carreira no delicioso ritmo da rumba e salsa cubanas, remontando à renovação desta vertente musical ocorrida nos anos 70, por artistas como Tito Puente, Celia Cruz e Hector Lavoe.

A animada banda mescla a sonoridade de instrumentos musicais geralmente utilizados em outros estilos com grande maestria, trazendo para suas contagiantes composições desde os tradicionais atabaques na percussão, à conjuntos de metais, teclados, violas de arco e flautas soprano, abrindo espaço para os modernos sintetizador e bateria eletrônica!

Trazendo o mistério e a solene, porém contagiante, aura dos cânticos de Santeria, com o solfejo profundo oriundo dos cantes aflamengados na introdução, Los Van Van trazem Carlinhos Brown e banda em participação especial, traduzindo seu toque personalizado dos timbaus baianos, num sincretismo entre os dois lados da influência na religião e história africanas, relembrando as rodas de jongo e capoeira baianas e a sonoridade dos candomblés e xangôs do nordeste brasileiro.

A aguardada atração mexicana Julieta Venegas traduz a suave e bela fusão entre sonoridades do universo erudito com as polcas, guarânias e a dramaticidade viva e intensa herdada dos mariacchis. Encanta com seu timbre suave e melodioso, conduzindo também variados instrumentos, demonstrando seu talento também como arranjadora e musicista ao piano e na gaita (acordeão), traduzindo um toque ainda mais delicado e encantador às canções apresentadas. Divide o palco com a diva da MPB Marisa Monte, em um dueto inspirado, com interpretação sublime. Marisa executa ainda um de seus antigos sucessos “Eu Não Sou da Sua Rua”, canção de Branco Mello e Arnaldo Antunes do álbum “Mais”, segundo da carreira, gravado em 1991 e realiza mais um dueto com Julieta em “Soy Loco Por Ti América”, clássico de Gilberto Gil e Capinan, imortalizado na voz de Caetano Veloso em 1968.

Encerrando a primeira noite do festival, Los Amigos Invisibles trazem todo o moderno aparato do que há de mais moderno em música eletrônica… Altamente dançante, suas canções trazem elementos de eletro, techno e house, além da fusão com a sonoridade black dos anos 70 e 80, no fraseado e na batida vigorosa da disco, do break, rap e hip hop, em mesclas insólitas e contagiantes.

Em meio à tonalidades metalizadas extraídas do trance e minimal, há elementos do eletrorock, em guitarras distorcidas, sem abir mão da ousadia e sensualidade latina, em melodias que traduzem, em meio ao caos vibrante e diferenciado de suas composições, o calor de um calypso aqui, uma rumba acolá… tudo bem medido e bem pesado!

Algumas surpresas agradaram o público, como o cover de “We No Speak Americano” (Pa Paramericano) de Yolanda Be Cool & DCup, “I Gotta Feeling” – Black Eyed Pies, “Get Ready for This”- 2 Unlimited, além de samplers como os de “Theme for S-Express”, sucesso nos anos 80, “Let`s Go Dancing”- Kool and the Gang e “Master and Servant” de Depeche Mode na introdução de suas canções, onde o antigo funde-se e renova-se na atualidade.

Seu Jorge entra para tornar o “caldeirão” de influências ainda mais sonoro, com toda a ginga do sambalanço e soul nacionais, em performance igualmente inspirada e inusitada.

No segundo dia, a noite inicia com a magia do flamenco e o mistério da música cigana com Pitingo e sua banda no palco alternativo. Assim, em meio aos cantes aflamengados (tonás, seguidillas e malagueñas) tradicionais, vislumbram-se elementos do moderno flamenco popular, por meio da alusão à escola gitana de Gypsy Kings, Rosemberg Trio e renovação do clássico por Carlos Montoya.

Os lamentos gitanos, em solfejos e vocalizes dramáticos e bem pontuados de Pitingo seduzem, literalmente a platéia, trazendo ricas harmonias em adágios, andantes e passo-dobles, traduzindo o charme da tradição andaluza espanhola.

Ainda mais interessante, a fusão com elementos da black music, como o soul de inspiração gospel, executado pelo belíssimo trio de backing vocals, todos excelentes intérpretes, realizando participações especiais durante as pausas, entretendo o público com grande categoria, como na execução do tradicional hino “This Little Light of Mine”.

O simpático cantor realizou alguns lindos duetos com Marina de La Riva, de timbre marcante, forte, aveludado e grande extensão vocal, dotada de grande técnica. Nota para o belíssimo bolero “Nosotros” de Pedro Flores, em inspirada e apaixonante performance dos intérpretes, suave e ao mesmo tempo dramática e intensa para letra romântica, de rara beleza em sua simplicidade.

Mais surpresas foram reservadas para o final da apresentação, com versão para o clássico “Cucurucucu Paloma”, e até mesmo versão em espanhol na cadência do gospel para “Let It Be” dos Beatles e “Every Breathe You Take”- The Police! Incrível! Sem dúvida, uma das melhores atrações do festival!

No palco principal, abrindo as apresentações da noite a banda mexicana Camila trouxe o romantismo do moderno hardcore. No instrumental, inusitadas fusões com o clássico quarteto de cordas e piano eletrônico trazem aura de maturidade e sofisticação às canções de construção sonora simples para letras açucaradas. Digno de menção o dueto com Wanessa (Camargo), em uma canção jovial e com o toque do pop rock nacional da atualidade.

Continuando as apresentações, Jota Quest já inicia o show com novidades, como o single comemorativo dos 15 anos de carreira “É Preciso (A Próxima Parada)”, um pop empolgante, com muitos recursos na música eletrônica. Dançante e revelador!

“Dias Melhores” surge em espanhol, com finalização sampleada em 7’’, assinalando os novos rumos da carreira da banda que inicia carreira internacional com o primeiro álbum em língua estrangeira.

“Mais Uma Vez”, também traduzida para o espanhol, traz na intro para o show alusão a “We Will Rock You”(Queen)… Ampliando a aura de descontração e diversão proposta pela banda em seus shows.

Em versão fidedigna à original “Já Foi” traz a fórmula de sucesso da banda na bela fusão entre elementos da música eletrônica como house, trance e eletro com a sonoridade urban do ska e reggae pondo o público, literalmente, para dançar!

A interpretação da banda para “Tão Bem”, clássico de Lulu Santos, também chama a atenção pela personalidade impressa à canção sem, no entanto, realizar mudanças estruturais em andamento e cadência, deixando-a fluida como na interpretação original e descontraída com a roupagem de modernidade do Jota Quest, num interessante momento do show.

O improviso rápido para “Rock and Roll All Nite”(Kiss), precede a entrada dos argentinos do Illya Kuryaki & The Valderramas, trazendo o peso do techno na mescla inusitada entre rock e notas de percussão latinas, com samplers para flautas e trio de metais na base, revisitando o jazz com grande propriedade… Diferente!

Continuando a explosiva apresentação, a próxima canção executada traduz elemtnos da salsa na introdução, com fraseado vocal ralentado e cadenciado, como na rumba cubana. Samplers diferenciados fazem remetem aos sintetizadores moog, numa salsa modernete, mesclada com rock.

Ainda mais inovadores, os argentinos terminam sua apresentação trazendo o hip hop no fraseado ligeiro, mesclada com a cadência pesada do black e mais sonoridades latinas fundidas à canção por meio da percussão. Super interessante e divertido!

O show é finalizado com a execução de “Na Moral”, interpretada em conjunto pelas duas bandas, em bom e claro espanhol. No repertório, canções como “Encontrar Alguém”, “Do Seu Lado”, “Mais uma Vez”, “Já Foi” e “Sempre Assim”, levantaram o público, numa apresentação verticalizada e divertida do início ao fim.


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