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Brasilidade do Ska: Paralamas do Sucesso

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Publicada em 19, Aug, 2010 por Marcia Janini

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Em mais um show com lotação esgotada da turnê “Brasil Afora”, a banda apresentou-se no Citibank Hall nos dias 14 e 15 de agosto, com início por volta das 22h30.

O toque de modernidade já se prenunciava no cenário e iluminação remetendo à arte jamaicana na fusão com a criatividade e ousadia brasileiras, apresentando ciclorama bordado, colorido, numa espécie de interessante colcha de retalhos; onde a iluminação, em tons vibrantes, coloridos e alegres, incidia criando lindos efeitos e auxiliando na composição da atmosfera alegre do espetáculo.

O show principia com a execução de “Sem Mais Adeus”, de letra introspectiva, na cadência suave do reggae, com dose de rock determinada pela guitarra e mudança brusca de andamento da bateria na conversão do refrão.

Na sequência, “Dos Margaritas” surge na fusão entre o ska, sonoridades latinas e suaves referências ao punk rock na bateria cadenciada de João Barone, além de deliciosas notas de jazz nos lindos arranjos produzidos pelo duo de metais.

Grandes clássicos da carreira foram executados nesta parte da apresentação, como “O Beco”, “Cuide Bem do Seu Amor”, “Romance Ideal”, “Bora-Bora”, “O Calibre” e “Meu Erro”.

Nota para as versões inovadoras de “Ela Disse Adeus”, com andamento acelerado, ralentado, na cadência do ska com suaves influências no forró nordestino; e “Perplexo”, surgindo com toda a sua carga de crítica social revisitada pela fanfarra latina da melodia, onde os arranjos de rock originais fundem-se nos refrões à batida vigorosa do ragga.

O segundo momento da apresentação inicia com canções de trabalho do mais recente álbum da banda e alteração do cenário e iluminação, explorando tons neutros nas cores das luzes e no ciclorama, bordado em tons terrosos, simulando as agruras do solo árido.

“Mormaço” com introdução que remonta ao rock nacional brasiliense dos anos 80, densa e introspectiva, ascende para um xote revisitado em linguagem pop, com influências ao repente no fraseado. A letra crítica fala sobre a paixão pelo estado da Paraíba, terra de inúmeros contrastes sociais e beleza exuberante

Trazendo letra de protesto na cadência do pop rock, a densa “O Rio Severino” apresenta em sua composição suaves arranjos do duo de metais, arrematando o charme da melodia.

Nesta parte da apresentação, clássicos da carreira como “Caleidoscópio”, “Lanterna dos Afogados”, “Trac-Trac”, “A Novidade”, “Lourinha Bombril” e “Uma Brasileira”. “Alagados” surge com finalização de samba-enredo e “Sociedade Alternativa” como música incidental, colocando o público, literalmente, para dançar.

Mais surpresas foram reservadas para o momento do bis, com a execução de “Sonífera Ilha” d’Os Titãs, “ Óculos”, e “Vital e Sua Moto”, onde trecho de “Every Breath You Take” (The Police) surge como canção incidental, encerrando a descontraída apresentação, onde o carisma e a excelente comunicação com o público foram constantes.


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