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Karl Bartos no Clash Club

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Publicada em 13, Oct, 2008 por Tatiana Porto

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Em uma quinta-feira cujo clima lembrava o clima alemão de começo de outono, nada como um dos ex-membros da mítica banda alemã Kraftwerk, Karl Bartos, para esquentar à noite com seu “Dance Cinema”, na sua primeira vinda ao Brasil, depois de vários anos de espera. Mesmo sendo em um dia atípico, os fãs de Kraftwerk estiveram ali presentes em peso, ansiosos por mais um momento onde a música de uma das bandas considerada “pai da música eletrônica” como conhecemos hoje voltaria a ganhar espaço na noite paulistana.

O consagrado DJ Mau Mau recepcionava a platéia que chegava na pista com um set calcado no tech house, com grooves pesados, que aos poucos foi fazendo o público dançar, na espera do grande astro da noite. Mesmo em versão warm up, Mau Mau mostrou o porquê de ser um dos maiores DJs brasileiros mais conhecidos e queridos da cena eletrônica brasileira, pilotando as picapes com maestria.

Circulando pela festa, existiam aquelas pessoas que nem faziam idéia do que iriam presenciar ali, a performance de um senhor de 56 anos, vestido todo de preto, que fez história dentro da música eletrônica. Eram por volta das 2 e 10 da manhã quando Mr. Bartos e seu assistente Mathias Black assumiram o comando da pista, mandando um dos clássicos do Kraftwerk mais dançantes quando executada ao vivo,”Numbers”, emendada com outro clássico, “Computer World” (do disco de mesmo nome, lançado em 1981). Essa dobradinha o Kraftwerk também faz ao vivo, mas Karl Bartos conseguiu humanizá-la em sua performance, botando a pista para dançar sem medo de ser feliz. Para os fãs de carteirinha do Kraftwerk presentes em peso, Bartos os brindou com Metropolis, música do The Man-Machine (1978), uma verdadeira jóia, aliada a projeção de imagens igualmente relacionadas. Mais clássicos kraftwerkianos foram tocados ao longo da performance, como “Trans Europe Express”, “The Robots” e “Computer Love” (cuja melodia foi aproveitada em um riff de guitarra pelo Coldplay em “Talk”).

Sim, existe vida musical para Karl Bartos após o Kraftwerk, e logo as músicas de seu disco mais recente, ”Communication” (2003) começaram a ganhar espaço em sua apresentação, como “The Camera”, “I’m The Message”, ”Reality”, ”Ultraviolet”, ”Interview” e “15 Minutes of Fame”, destacando-se o fato de serem executadas com improvisações e/ou versões mais longas, caindo por terra aquela idéia de que ao se tocar com laptops como no caso de Bartos e seu assistente Mathias Black, significa uma performance já pronta e nada orgânica, sem contar que as intervenções do vocoder (para fazer a voz metalizada e robótica por parte de Mathias Black) e do próprio Karl Bartos cantando também eram feitas ao vivo. Outro momento surpreendente foi a versão eletrônica remixada de “Tommorow Never Knows” dos Beatles (o próprio Karl é fã confesso do grupo), com imagens psicodélicas que completavam a proposta da fusão áudio + vídeo defendida pelo artista. Para fechar o show, Bartos tocou “Psyche Rock”, de Pierre Henry (um dos precursores da música eletrônica, juntamente com Karlheinz Stockhausen), em mais um momento homenagem.

Para aqueles que achavam que a experiência audiovisual de Karl Bartos solo estaria aquém da proporcionada pelo Kraftwerk (já sem Bartos) quando esteve por terras brasileiras em 1998 (Free Jazz Festival) e 2004 (Tim Festival), o clima intimista do Clash Club favoreceu e muito a performance, no qual os 3 telões causavam impacto no público com imagens relacionadas a cada uma das músicas que fizeram parte do repertório do show, uma instalação no qual áudio e música tinham a mesma importância, no qual o público fez parte, dançando e cantando, não só observando como se estivesse em um museu, como normalmente acontece nos shows do Kraftwerk. Para quem não botava muita fé no show de Karl Bartos e é fã do Kraftwerk, com certeza saiu contente com o resultado.

Depois de Bartos, coube ao DJ Magal fechar a noite, com um set competente de electro com bastante influência do som do Kraftwerk logo no começo, dando uma continuidade na linha musical da noite, pegando uma pista bem vazia, no qual ficou bem claro quem era o grande astro da noite e quem o público queria ver – Karl Bartos, ex-membro do Kraftwerk. E a música eletrônica como conhecemos hoje, de alguma forma, deve-se muito ao trabalho de pessoas pioneiras. E Karl Bartos é um deles.


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