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Buddy Guy

Bookmark and Share Dia: 12/05/2012 - Às: 22:00

buddy-guy2.jpgVencedor de 5 Grammys e 23 W.C Music Awards (mais do que qualquer outro artista na história), a lenda do blues retorna aos palcos brasileiros no dia 12 de Maio de 2012, no Via Funchal (SP).

Chega ao Brasil com o disco “Living Proof”, e como declara na primeira faixa do álbum, “74 Years Young”, está em pleno vigor, e sempre buscando novas ideias: “Quando eu tinha 21 anos, alguns de meus amigos mais velhos (que já não estão mais entre nós), diziam, ‘Você ainda é um bebê’. E eles disseram a mesma coisa quando eu tinha 31, 41, e eu pensei, ‘Cara, quando você ficar velho?’ Tenho ouvido isso desde minha primeira vez em Chicago...” Assim, o artista influenciou grandes músicos do rock, como Eric Clapton, Jimi Hendrix, Stevie Ray Voghan e muitos outros.

O início de décadas parece sempre inspirar o músico (vide Stony Crazy de 1981, Damn Right, I got the Blues de 1991 e Sweet Tea, de 2001). Em seu mais recente álbum, Guy olha profundamente para sua notável vida. Um dos pioneiros da música de Chicago, deixa claro em faixas de “Living Proof” como “Thank me Someday” e “Everybody Got to Go” uma profunda reflexão sobre seu passado, seu legado e sua mortalidade. “Estamos cantando sobre a vida que vivi”, diz. “Essas músicas são exatamente as coisas que passei, minhas experiências.” Segundo ele, o baterista/produtor Tom Hambridge (coautor de todas as músicas de “Living Proof”, e que anteriormente trabalhou com artistas como Johnny Winter, Delbert McClinton, e Susan Tedeschi) ajudou a captar e preservar seus pensamentos mais íntimos. “Ele chegava com um bloco de notas e um lápis e enquanto conversávamos, ele escrevia as coisas que eu dizia e fazia músicas com isso”.

Ainda ferido pelas restrições que a lendária gravadora Chess Records impôs a ele durante sua juventude (“Eles diziam que eu fazia barulho, e que não deixariam que eu me perdesse como eu queria”), Guy também diz que sua música continua a ser beneficiada pelo apoio da atual gravadora (Silverstone Records) e todos a sua volta: “Esses caras disseram: ‘É sua guitarra, seu estúdio, apenas vá e seja camarada (trocadilho com Buddy Guy, “camarada”) – e tenho tentado ser por 50 anos”, e completa “Tive liberdade para tocar e dizer a mim mesmo, ‘deixe-me tentar novamente’”.

Apesar de Buddy Guy ser para sempre associado a Chicago, sua história na verdade começa na Louisiana. Nascido em 1936, com 4 irmãos, cresceu em meio à plantação em uma fazenda arrendada, próxima à pequena cidade de Lettsworth, localizada 220 Km a noroeste de Nova Orleans. Buddy tinha apenas 7 anos quando fez sua primeira guitarra improvisada, uma engenhoca com duas cordas presas em um pedaço de madeira com os grampos da mãe. Em “Thank Me Someday,” ele relata seus primeiros sacrifícios com o instrumento, e sua capacidade em manter a fé enquanto sua família corria atrás dele por fazer barulho. “Eu queria ir para o quintal para tocar. Nós não tínhamos energia elétrica ou água corrente, mas você poderia ouvir aquela guitarra mesmo a quilômetros de distância, então eu tinha que ir muito longe para não ouvir eles dizendo ‘Sai daqui com esse barulho!’”, comenta.

Em 1957 levou sua guitarra para Chicago, onde ele mudaria permanentemente os rumos do instrumento. Seu estilo incendiário - ainda em evidência em “Living Proof” – deixou sua marca em guitarristas, de Jimmy Page a John Mayer. “Ele foi para mim o que Elvis foi para muitas pessoas”, disse Eric Clapton em 2005, e finaliza, “Minha rota foi traçada, e Guy era o piloto!”.

Embora o nome de Buddy Guy esteja sempre associado ao blues, algumas canções demonstram o alcance de suas habilidades. “Much too soon” e a instrumental “Skanky” saem completamente da direção do tradicional Rythm & Blues. Para Guy, porém, distinções de gêneros como essa não são importantes. “Antes dos anos 60 éramos apenas instrumentistas de R&B. Então eles rotularam a gente: ‘tem blues em Chicago, Menphis, Motown’, e então éramos considerados músicos de blues. Mas em Chicago, para você garantir seu show, precisava tocar tudo que tinha no Jukebox, fosse Lloyd Price, Fats Domino ou Ray Charles. Agora, se você tocar uma música de Little Richard, o público te olha como se você fosse louco, mas sempre tive que fazer isso para o público negro naquela época.

Talvez o marco mais significativo de “Living Proof” é que, pela primeira vez, o incomparável B.B. King tocou e cantou em um álbum de Buddy Guy. Os dois gigantes desenvolveram a introspectiva “Stay around a little longer” como velhos amigos que são, mas Guy não admite essa relação com o Rei do Blues. “B.B. criou esse estilo de guitarra que todos tocamos. Cresci ouvindo pessoas como ele, T-Bone Walker, Muddy Waters, e eu ainda tenho 95% de minha música inspirada nele. Portanto, ter uma pessoa como essa em com você em uma sala faz você sentir calafrios!”

O outro convidado no despojado “Living Proof” é Carlos Santana, na “pegajosa” “Where the blues begins”. Vale dizer que Guy e Junior Wells fizeram um cover de Santana, “Vera Cruz”, mais de 30 anos atrás, e Guy se exalta, “Quando estou tocando com alguém tão bom, só preciso fechar os olhos e dizer: Aqui vou eu!”’

Ao responder o que exatamente considera Living Proof (prova viva), Buddy Guy é modesto – não menciona seu talento ou influência, em vez disso foca na perseverança: “Sabe com quantos caras eu comecei, e que simplesmente ergueram os braços e desistiram? Minha primeira esposa me disse ‘Sou eu ou a guitarra’, eu carreguei a guitarra e fui embora. A gente ainda ri disso. Mas ainda continuo carregando (a guitarra) comigo.”, ressalta. “Outro dia, ouvi B.B. King dizer “Não posso relaxar, porque acho que ainda existe alguém lá fora que não me conhece. Você sabe, quem faz blues não para, morre. É como minha mãe falava sobre religião: ‘Fui muito longe para voltar atrás. ”



Via Funchal
Rua Funchal, 65
Vila Olímpia, São Paulo, SP
www.viafunchal.com.br

Ingressos de R$130,00 a R$300,00





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